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Artes visuais

Martin Eisler

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 17.09.2019
1913 Áustria
1977 Brasil / São Paulo / São Paulo
Martin Eisler (Viena, Áustria, 1913 - São Paulo, São Paulo, 1977). Arquiteto e designer de móveis. Atua junto a um grupo de imigrantes europeus que passaram a viver no Brasil após a Segunda Guerra, destacando-se no desenho e concepção de peças na fase pioneira do design de móveis moderno no Brasil, nas décadas de 1950 e 1960, trabalhando especia...

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Martin Eisler (Viena, Áustria, 1913 - São Paulo, São Paulo, 1977). Arquiteto e designer de móveis. Atua junto a um grupo de imigrantes europeus que passaram a viver no Brasil após a Segunda Guerra, destacando-se no desenho e concepção de peças na fase pioneira do design de móveis moderno no Brasil, nas décadas de 1950 e 1960, trabalhando especialmente em parceria com Carlo Hauner (1927-1996).

Eisler deixa a Europa em 1938, em razão da ascensão dos regimes fascistas. Vive primeiro na Argentina, onde se naturaliza e passa a trabalhar como arquiteto, cenógrafo e designer de interiores. Em 1940, casa-se com Rosl Wolf, filha de imigrantes alemães. Por meio do irmão da esposa - Ernesto Wolf, que vivia em São Paulo - conhece Carlo Hauner quando vai fazer o projeto de interiores para o cunhado, produzindo os móveis na Artesanal. Nesse contato, é convidado por Hauner a desenvolver uma parceria na marca. Já em 1953, Eisler e Ernesto Wolf entram como novos sócios da Artesanal.

No mesmo ano, a empresa amplia sua estrutura com um novo espaço de três andares na Rua Barão de Itapetininga - a Galeria Artesanal - e uma filial em Curitiba - a Móveis Artesanal Paranaense. Junto com Hauner, Eisler se torna responsável pela área de projetos de mobiliário. A parceria entre os dois rendeu à dupla o prêmio Compasso de Ouro, na Trienal de Milão, nos anos 1950.

Entre as peças mais conhecidas de Eisler está a Poltrona Costela (1954), com estrutura de metal, ripas de multilaminado de imbuia e almofadas com detalhe de capitonê. Também nesse período, Sérgio Rodrigues passa a coordenar o setor de planejamento de interiores, trabalhando diretamente com Eisler. Em depoimento à pesquisadora Maria Cecilia Loschiavo dos Santos, Rodrigues conta que teve alguns desentendimentos com o designer austríaco e não recebeu muito incentivo quando mostrou seus primeiros desenhos autorais: "Martins Eisler fazia os pés-palito, aí eu tinha grandes choques profissionais com ele, porque ele era muito europeu e aquela produção não tinha nada a ver com o Brasil."1

Eisler esteve bastante envolvido nas mudanças da Artesanal em 1954, quando a marca passa a se chamar Forma. Em 1955, boa parte dos sócios se desligou do negócio - primeiro Carlo Hauner, que volta para a Itália; depois o casal Ernesto e Georgia Hauner -, restando apenas Eisler e Ernesto Wolf. A partir desse período, entretanto, a marca reforça o referencial do design funcionalista internacional ao oficializar, em 1959, uma parceria com a  Knoll International, empresa americana que trabalhava com nomes como Eero Saarinen, Harry Bertoia e Mies Van Der Rohe. Como define a pesquisadora Maria Cecília Loschiavo dos Santos, "A Forma representou um momento de renovação no mercado brasileiro, com a introdução do referencial consagrado do design da Bauhaus."2

Seguindo os passos de Carlo, Martin Eisler abre também em 1959 uma filial da marca em Buenos Aires, a Interieur Forma, mas segue trabalhando no Brasil até sua morte, em 1977.

Embora ainda pouco estudada, sua obra e atuação ao longo desse período teria um papel marcante na formação inicial do design moderno brasileiro, especialmente por meio da marca Forma.

Notas

1.  SANTOS, Maria Cecília Loschiavo dos. Móvel Moderno no Brasil. São Paulo: Senac -Olhares, 2015. p. 179

2.  SANTOS, Maria Cecília Loschiavo dos. Móvel Moderno no Brasil. São Paulo: Senac -Olhares, 2015. p. 201

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