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Música

Armando Belardi

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 10.10.2019
1898 Brasil / São Paulo / São Paulo
1989 Brasil / São Paulo / São Paulo
Armando Belardi (São Paulo, SP, 1898 – São Paulo, SP, 1989). Regente. Nascido no bairro do Brás, filho de imigrantes recém-chegados da Itália, Armando Belardi cresce num ambiente musical. Poucos anos após se estabelecer em São Paulo, seu pai, Girolamo Belardi, abre uma escola de música, trocando a profissão de pintor pela de professor. Com ele, ...

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Armando Belardi (São Paulo, SP, 1898 – São Paulo, SP, 1989). Regente. Nascido no bairro do Brás, filho de imigrantes recém-chegados da Itália, Armando Belardi cresce num ambiente musical. Poucos anos após se estabelecer em São Paulo, seu pai, Girolamo Belardi, abre uma escola de música, trocando a profissão de pintor pela de professor. Com ele, Armando aprende bandolim e violão, iniciando-se depois no violino com seu irmão Alfredo. Aos oito anos, inicia os estudos de violoncelo com Guido Rocchi e tem aulas de piano. Debuta profissionalmente em 1909, como violoncelista da companhia italiana de operetas Ettore Vitale, em turnê por São Paulo. Integra orquestras de cinema e toca piano em uma pensão noturna, de modo a completar os rendimentos da família. 

Em 1913, participa da fundação do Centro Musical de São Paulo, entidade de classe que reúne instrumentistas e maestros da cidade. No mesmo ano, realiza viagem de estudos em Roma, no Conservatório de Música Cecilia, estuda com Luigi Forino (1868 - 1936) e Tito Rosati (1883 - ?), onde permanece um ano a fim de aperfeiçoar-se no violoncelo. Em 1916, ingressa como professor no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, cargo que ocupa até 1937, paralelamente às atividades de concertista e músico de orquestra. Ainda nos anos 1910, começa a reger orquestras de opereta.

Em 1921, funda a Sociedade de Concertos Sinfônicos, primeira orquestra profissional paulistana com quadro regular de instrumentistas. Participa das primeiras atividades radiofônicas da cidade, integrando a orquestra da Rádio Educadora, onde também se apresenta como solista de violoncelo e, sob o pseudônimo de Joel, toca música ligeira. Em 1929, transfere-se para a Rádio Record, onde permanece até 1932. Começa a reger óperas em 1935, e algum tempo depois, concertos sinfônicos.

Em 1939, funda os corpos estáveis do Teatro Municipal de São Paulo (Coral Lírico e Orquestra Sinfônica Municipal), os quais dirige até 1944. Nesse ano, retorna à radiofonia, contratado pela Rádio Gazeta, cuja direção artística assume no final dos anos 1940, permanecendo na emissora até 1969. Entre 1942 e 1970, é responsável pela a direção do Istituto Musicale Benedetto Marcello, futuro Conservatório (e depois Faculdade) Carlos Gomes.

Ao longo da carreira, recebe dois troféus Roquette Pinto (em 1954 e 1957), por sua atuação no rádio, a Medalha de Melhor Regente de 1966, pela Associação Paulista de Críticos Teatrais, e o Troféu de Melhor Regente de Música Erudita de 1969, pela Ordem dos Músicos do Brasil, entre outras condecorações.

Análise

Como tantos outros músicos paulistanos de origem ou ascendência italiana, Armando Belardi cultiva o repertório lírico e sinfônico, mas tira seu sustento da música ligeira, integrando orquestras de cinema e teatro – principal nicho de trabalho dos instrumentistas na época, que começam a se profissionalizar. Nesse sentido, é importante ressaltar sua atuação junto ao Centro Musical de São Paulo, que preside na década de 1920. A entidade não só atende às demandas de proteção social de uma classe profissional nascente, criando um fundo de reserva para o exercício de beneficência mútua, como também regula o mercado de trabalho musical, estabelecendo uma tabela de vencimentos para regentes e “professores” (como eram chamados os instrumentistas) e firmando contratos de exclusividade para o fornecimento de músicos a alguns teatros e cinemas da capital. No entanto, ao reunir somente professores de orquestra, omitindo de seus quadros músicos como cantores, violonistas, acordeonistas e bandolinistas, a associação acaba por privar de uma importante fatia do mercado de trabalho musical um grande número de músicos populares. Estes têm seu campo de atuação restrito a pequenos estabelecimentos, como casas de chope ou cinemas de bairro, cuja remuneração é insuficiente para garantir seu sustento – situação que só começa a se modificar com o desenvolvimento do rádio comercial, nos anos 1930.

Belardi, à frente do Teatro Municipal (1939-1944), funda  o Coral Lírico e montando inúmeras óperas (só em 1941, foram 16 delas). No repertório sinfônico, dá preferência a compositores do período clássico e romântico, como Mozart, Beethoven, Tchaikovsky e Rimsky-Korsakov, ainda que inclua brasileiros na programação da OSM. Também recupera a obra de Carlos Gomes, compositor criticado pelos modernistas. Entre as obras do maestro campineiro apresentadas por Belardi no Municipal, destacam-se a ópera Il Guarany, cantada em português, e o poema vocal-sinfônico Colombo, ambos posteriormente registrados em disco sob sua regência.

Outro importante ramo de atuação de Belardi é a radiofonia. Na Gazeta, onde trabalha dos anos 1940 a 1960, destaca-se à frente de três programas: Cortinas Líricas, que apresenta óperas compactas; Teatro de opereta, que traz clássicos do gênero, igualmente em formato reduzido; e Soirées de Gala, dedicado à música sinfônica e responsável pela primeira audição brasileira da cantata Carmina Burana, de Carl Orff, em 1957. Nesses programas, de grande audiência, ele reitera seu gosto musical, divergindo do outro maestro da emissora, Souza Lima, e da cantora Vera Janacopulos, mais afeitos à música contemporânea. Afirma que Stravinsky “era um maluco”, e que “esse tal de Schoenberg não vale nada, eu nunca toco”. Ainda assim, é muito respeitado no meio musical pela notável proficuidade de seu trabalho como maestro e pela divulgação do repertório lírico no Brasil.

 

 

Fontes de pesquisa 6

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  • BELARDI, Armando. Entrevista ao Museu da Imagem e do Som da Cidade de São Paulo. “Projeto Música no cinema na década de 1950”. São Paulo, 08/10/1981.
  • BELARDI, Armando. Vocação e arte: memórias de uma vida para a música. São Paulo: Casa Manon, 1986.
  • BESSA, Virgínia de Almeida. A cena musical paulistana: teatro musicado e canção popular na cidade de São Paulo. Tese (Doutorado em História Social). São Paulo, FFLCH-USP, 2012.
  • GUERRINI Jr., Irineu. “Rádio de elite: o papel da Rádio Gazeta no cenário sociocultural de São Paulo dos anos quarenta e cinquenta”. Communicare. São Paulo, vol. 6, nº 1, 1º semestre 2006, p. 25-35.
  • MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da Música Popular Brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo: Art Editora,1977. 2 v.
  • TONI, Flávia Camargo. “Uma Orquestra Sinfônica para São Paulo”. Revista Música. São Paulo, v.6, n° 1/2, maio/nov. 1995, p. 122-149.

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