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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Marcelo D'Salete

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 28.09.2021
1979 Brasil / São Paulo / São Bernardo do Campo
Registro fotográfico Rafael Roncato

Marcelo D'Salete, 2012

Marcelo de Salete Souza (São Bernardo do Campo, São Paulo, 1979). Quadrinista, professor e pesquisador. Seus desenhos e histórias dão destaque à cultura afro-brasileira e abordam questões raciais e sociais, como a escravidão, o racismo, a vida nos centros urbanos e a periferia. Do ponto de vista de personagens negros, retrata acontecimentos do p...

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Marcelo de Salete Souza (São Bernardo do Campo, São Paulo, 1979). Quadrinista, professor e pesquisador. Seus desenhos e histórias dão destaque à cultura afro-brasileira e abordam questões raciais e sociais, como a escravidão, o racismo, a vida nos centros urbanos e a periferia. Do ponto de vista de personagens negros, retrata acontecimentos do passado e do presente no Brasil, apresentando ao público perspectivas e interpretações comumente invisibilizadas.

Durante a infância, Marcelo vive no bairro de São Mateus, zona leste de São Paulo, e lá tem contato com grupos de rap cujas músicas contribuem para sua formação política e consciência das questões raciais. Esse contato torna-se, mais tarde, uma das principais influências para as escolhas temáticas e estéticas de seus quadrinhos.

Aprende a desenhar em casa, com o irmão, desenhando personagens de histórias em quadrinhos em uma lousa. Essa atividade o incentiva, mais tarde, a criar suas próprias histórias e desenhos e a estudar a construção de roteiros para quadrinhos e para o cinema.

Na adolescência, estuda no colégio Carlos de Campos, uma escola pública no bairro do Brás, São Paulo. A instituição, que oferece cursos de arte, design, ilustração e quadrinhos, contribui para a formação de artistas com intensa produção associada à arte urbana, entre os quais, além de Marcelo, estão o compositor Kiko Dinucci (1977), os grafiteiros Onesto (1972) e osgemeos. Com Kiko Dinucci, Marcelo tinha, desde a adolescência, uma parceria – Kiko escrevia roteiros de curtas-metragens e cedia alguns deles a Marcelo, que os transformava em histórias em quadrinhos.

A profissionalização de Marcelo como quadrinista se inicia nos anos 2000, quando trabalha para revistas de quadrinhos que reúnem projetos de vários autores; entre elas, estão a Quadreca e a Front. Nesses trabalhos, o contato com profissionais da área e a troca de críticas e experiências com outros artistas contribuem para a construção gradativa de seu estilo.

Marcelo forma-se em artes plásticas pela Universidade de São Paulo (USP), em 2006, e torna-se mestre em estética e história da arte em 2009, na mesma universidade. Sua dissertação de mestrado versa sobre a arte afro-brasileira nas exposições do artista Emanoel Araújo (1940).

A primeira publicação independente de Marcelo ocorre com Noite Luz (2008). Este livro reúne seis histórias que se passam em um bairro urbano de classe baixa. Lá fica a boate que dá nome ao livro. As histórias retratam problemas do cotidiano urbano, como o desemprego, as relações interpessoais e o medo. Os desenhos apresentam traços um pouco distintos de história para história, mas uma característica comum entre eles é o uso de signos da cidade grande, como prédios e o movimento intenso de pessoas.

As histórias urbanas voltam a aparecer no segundo livro, Encruzilhada (2011). Nele, o quadrinista desenha o cotidiano da periferia por meio de personagens comuns no dia a dia dos grandes centros, como vendedores ambulantes, prostitutas e crianças em situação de rua, invisibilizados por quem transita pela cidade. D’Salete utiliza poucos diálogos e a narrativa se sustenta nas imagens, que muitas vezes trazem apenas closes – detalhes das cenas retratadas nos quadros anteriores.

Encruzilhada trata das adversidades vividas por jovens da periferia, que, ao lutarem por sobrevivência e pela possibilidade de consumo, enfrentam discriminações, sendo por vezes acusados de crimes que não cometeram. As histórias se passam em becos, vielas e condomínios de periferia. Veículos, prédios, fachadas de lojas e logotipos de produtos famosos são recorrentes nos quadrinhos, cujo traço, agora relativamente homogêneo, acentua o sentido de opressão da metrópole, valorizando continuamente as imagens de escuridão.

Marcelo D’Salete mistura elementos ficcionais com extensa pesquisa documental ao criar suas histórias. A partir de 2006, estuda com afinco o período colonial do Brasil, e sua pesquisa dá origem a Cumbe (2014), primeiro livro do autor a retratar a escravidão do ponto de vista dos negros. A vida nas senzalas e a resistência dos escravos é o tema principal dos quadrinhos.

Em Angola Janga: Uma história de Palmares (2017), o artista traz uma nova perspectiva sobre o Quilombo dos Palmares, a partir de uma pesquisa de cerca de 11 anos em documentos textuais e imagens de acervos, como os do Museu Afro Brasil, em São Paulo, e do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, em Alagoas.

Marcelo se baseia em documentos históricos oficiais, constituídos em sua maioria pela oposição à existência do Quilombo (como soldados e representantes do governo), mas usa a ficção para dar voz aos quilombolas e tentar reconstruir a organização social e o cotidiano da comunidade, chamada internamente de Angola Janga, “pequena Angola”.

Ao tratar do cotidiano da cidade grande, destacando seus moradores marginalizados e discriminados, e ao dar voz a personagens negros para desenvolver narrativas sobre a escravidão no Brasil, Marcelo D’Salete fornece ao público novas possibilidades de acesso e compreensão da realidade social do Brasil, do passado à atualidade.

Exposições 3

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Mídias (1)

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Marcelo D’Salete - Série Encontra - Arte 1 (2019)
O quadrinista Marcelo D’Salete recebe Gisele Kato em sua casa e ateliê, onde abriga seus livros, desenhos e comenta sobre sua produção.

Marcelo fala das referências de infância: o interesse por quadrinhos, compartilhado com o irmão, e o rap, que escuta enquanto desenha. Comenta sobre uma inquietação que surge ao realizar uma pesquisa acerca do período colonial brasileiro e se deparar com ilustrações feitas por viajantes europeus. Por meio de seu trabalho Angola Janga, ele ressignifica e reescreve a história oficial, oferecendo voz aos escravos e abordando outra perspectiva do período.

Também apresenta detalhes de seu processo de produção e materiais utilizados em seu trabalho.

A Enciclopédia Itaú Cultural apresenta a série Encontra, produzida pelo canal Arte 1. Em um bate-papo com Gisele Kato, o público é convidado a entrar nas casas e ateliês dos artistas, conhecendo um pouco mais sobre os bastidores de sua produção.

Créditos
Presidente: Milú Villela
Diretor-superintendente: Eduardo Saron
Superintendente administrativo: Sérgio Miyazaki
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Arte 1
Direção: Gisele Kato/ Ricardo Sêco
Produção: Yuri Teixeira
Edição: Tauana Carlier

Fontes de pesquisa 5

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