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Enciclopédia Itaú Cultural

Pitty

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 16.05.2019
1977 Brasil / Bahia / Salvador
Priscilla Novaes Leone (Salvador, Bahia, 1977). Cantora, compositora, instrumentista, apresentadora, atriz e escritora. Ficção científica, relações amorosas, sexo, conflitos internos, críticas ao consumismo, à alienação social e à dependência à tecnologia são inspirações de suas letras. 

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Priscilla Novaes Leone (Salvador, Bahia, 1977). Cantora, compositora, instrumentista, apresentadora, atriz e escritora. Ficção científica, relações amorosas, sexo, conflitos internos, críticas ao consumismo, à alienação social e à dependência à tecnologia são inspirações de suas letras. 

Nasce e cresce em Salvador. Na adolescência, muda-se com a família para Porto Seguro e lá começa a cantar ao lado do pai em bares da cidade. O repertório inclui composições de artistas brasileiros como Raul Seixas (1945-1989), Geraldo Azevedo (1945) e Alceu Valença (1946). Os pais se separam, e ela volta com a mãe e o irmão mais novo para Salvador, em 1996. 

No ano seguinte, integra a banda Shes, formada só por mulheres, em que toca bateria. Com o fim da banda, em 1998, consegue um emprego de recepcionista em um estúdio de gravação de jingles e slogans, o Studio Zero. Torna-se vocalista da banda Inkoma, que toca algumas de suas primeiras composições, e lança o disco Influir (2000) pela extinta gravadora carioca Tamborete Entertainment. A banda encerra as atividade em 2001, e Pitty ingressa no curso de música na Universidade Federal da Bahia. É influenciada por bandas estrangeiras como Nirvana, Metallica e Faith No More, sobretudo no começo de carreira. O som apresenta referências dos estilos punk, grunge e hard rock.

Em 2002, Rafael Ramos, produtor musical e diretor artístico da gravadora Deckdisc, procura a artista. Após a gravação de uma demo no estúdio da gravadora, ele a convida para lançar um álbum. Admirável Chip Novo sai em 2003 com boa repercussão. Pitty grava acompanhada de Peu Souza (1978-2013) na guitarra, Joe Gomes no baixo e seu então namorado Duda Machado (1976) bateria. O título do álbum faz referência a um clássico da ficção científica, Admirável Mundo Novo (1932), do inglês Aldous Huxley (1894-1963), e a literatura serve de inspiração para algumas das faixas do trabalho. O filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679) e o escritor norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1849) inspiram “Lobo” e “Temporal”, respectivamente. Músicas como “Teto de Vidro”, “Máscara”, “Temporal” e “Equalize” tornam-se sucessos, e Admirável Chip Novo é o disco de rock brasileiro mais vendido em 2003, com 800 mil cópias comercializadas.

Dois anos depois, Pitty lança o segundo disco, Anacrônico. O trabalho é gravado com a mesma banda e o mesmo produtor e enfatiza a influência de gêneros como punk rock e hard rock. O disco é masterizado em Los Angeles (EUA), por Brian Gardner, profissional conhecido por trabalhar com grandes nomes internacionais como o inglês David Bowie (1947-2016) e a banda norte-americana Foo Fighters. Logo após o lançamento, Peu Souza é substituído por Martin Mendonça (1976). Pitty é compositora de todas as faixas do disco e participa ativamente como instrumentista, tocando guitarra e piano em algumas faixas.

Chiaroscuro, o disco seguinte, é lançado em 2009. O título é escolhido entre os fãs da artista por meio de enquete virtual que oferece outras duas opções (Siga o Coelho Branco e Entre o Preto e o Branco). Trata-se de uma expressão em italiano que significa “claro e escuro”. Pitty justifica a escolha pelo fato de o disco mesclar momentos densos e sutis. A faixa “Me Adora” é a primeira divulgada e mostra a artista influenciada pela música pop dos anos 60, com referências a grupos vocais de soul e rock do período. A letra é direcionada aos críticos: “não importa se eu não sou o que você quer / não é minha culpa a sua projeção”. A faixa é um exemplo da transformação da artista no novo trabalho, mais dançante e com maior ênfase nas melodias das canções.

Em 2011, lança Agridoce ao lado de Martin Mendonça. O trabalho é acústico, com Pitty ao piano e nos vocais. Martin toca violão e bandolim. Traz um repertório mais melódico, influenciado pelo folk rock de artistas como o canadense Leonard Cohen (1934-2016) e o inglês Nick Drake (1948-1974), distante do hard rock que caracteriza os três discos anteriores. O disco é gravado na Serra da Cantareira, em São Paulo, na mesma casa onde a banda Mutantes grava Jardim Elétrico, nos anos 1970. Além de composições autorais, o repertório inclui uma versão de “Please, Please, Please Let Me Get What I Want”, da banda norte-americana The Smiths. A dupla apresenta o projeto no renomado festival South By Southwest, em Austin, Texas (EUA), em 2012.

Pitty retorna a influência rock e punk após três anos de dedicação ao Agridoce e lança o disco Setevidas em 2014. O trabalho traz Guilherme Almeida no baixo, no lugar de Joe Gomes. As composições refletem três experiências traumáticas em 2013: uma semana de internação na UTI por conta de uma crise grave de hipotireoidismo; a morte de Peu Souza, ex-integrante de sua banda; e o processo trabalhista movido por Joe Gomes após ser desligado da banda. “Só nos últimos cinco meses / eu já morri umas quatro vezes / ainda me restam três vidas / pra gastar”, diz a letra da faixa-título. “Lado de Lá” é inspirada na morte de Peu.

Paralelamente à carreira musical, a artista trabalha com televisão e cinema. Faz uma participação especial no longa-metragem É Proibido Fumar (2009), de Anna Muylaert (1964). Desde 2017, é uma das apresentadoras do programa Saia Justa do canal GNT. Tem três indicações ao Grammy latino. Acumula parcerias com artistas como Emicida (1985), Tássia Reis (1989), Elza Soares (1937), Nação Zumbi e Rita Lee (1947).

Com Matriz, lançado em 2019, Pitty retorna às origens baianas através de parcerias como com a banda BaianaSystem e da regravação de “Motor” da banda, também baiana, Maglore, assim como no resgate de sua vida em Salvador durante a adolescência e início da carreira em composições, como “Bahia Blues” que repete o refrão “Nunca é tarde demais pra voltar pro azul que só tem lá”.

Pitty transita entre o underground e o acústico para contar, através das composições, suas próprias histórias e processos de construção de sua carreira e de sua relação com o mundo e suas origens.

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