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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Carlo Hauner

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 04.09.2019
1927 Itália / Lombardia / Brescia
1996 Itália
Carlo Hauner (Brescia, Itália, 1927 – Ilha de Salina, Itália, 1996). Pintor e designer. Integra, nos anos 1950, uma geração pioneira do design brasileiro moderno de móveis. Na empresa Móveis Artesanal, fundada por ele em 1950, trabalha em parceria com os designers/ arquitetos Sergio Rodrigues (1927-2014), Lina Bo Bardi (1914-1992), Martin Eisler...

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Carlo Hauner (Brescia, Itália, 1927 – Ilha de Salina, Itália, 1996). Pintor e designer. Integra, nos anos 1950, uma geração pioneira do design brasileiro moderno de móveis. Na empresa Móveis Artesanal, fundada por ele em 1950, trabalha em parceria com os designers/ arquitetos Sergio Rodrigues (1927-2014), Lina Bo Bardi (1914-1992), Martin Eisler (1913-1977), entre outros.

Hauner estuda desenho técnico e artístico na Academia de Brera, Milão. Muda-se para o Brasil em 1948, para onde seu irmão Ernesto Hauner (1931-2002) e a família vêm pouco depois. Ao se estabelecer em São Paulo, integra o grupo de artistas e intelectuais imigrantes italianos, entre os quais está o casal Pietro Maria Bardi (1900-1999) e Lina Bo Bardi. No mesmo ano, participa da Bienal de Veneza.

Embora tenha trabalhado como artista, consagra-se na área de produção e comercialização de móveis1. Atua no Studio de Arte e Arquitetura Palma – escritório de Giancarlo Palanti (1906-1977), Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, criado para incentivar a produção de móveis modernos. Assume o negócio quando a empresa fecha. A nova marca, em 1950, passa a se chamar Móveis Artesanal, uma "pioneira no país em aliar com sucesso um escritório de projetos com linguagem moderna, um sistema de fabricação com seriação e espaços comerciais inovadores, tendo um papel importante na história do design no Brasil", como define a pesquisadora Mina Warchavchik Hugerth2.

Os desenhos iniciais de peças para a nova empresa são feitos por Lina Bo Bardi para o MASP, mas logo Carlo assume a elaboração dos móveis, revelando diferenças em relação à produção anterior. Enquanto o pensamento em voga entre os arquitetos modernos brasileiros explora materiais locais, a Artesanal alinha-se a uma produção universal, com maior uso de estruturas metálicas, por exemplo3.  

Em 1953, a segunda fase da marca inicia-se com a entrada de dois sócios, o colecionador alemão Ernesto Wolf (1918-2003) e o designer e arquiteto austríaco Martin Eisler. Ambos são imigrantes que, como Carlo, chegam ao Brasil após a Segunda Guerra, estabelecendo-se em São Paulo. Naquele ano, a empresa inaugura uma nova loja na rua Barão de Itapetininga – a Galeria Artesanal, espaço de três andares que funciona também como galeria de arte. A fábrica localiza-se no Itaim Bibi. Também em 1953, é inaugurada a Móveis Artesanal Paranaense, filial da marca em Curitiba, que funciona por seis meses, sob o comando do designer Sérgio Rodrigues, que também havia trabalhado na Galeria. Outro nome importante a despontar nessa época é o de Georgia Morpurgo (1931), que cuida da vitrine e da cenografia da Galeria Artesanal4.

A Artesanal passa por uma transformação em 1954 e dá origem à Forma. Em matéria publicada na revista AD Arquitetura e Decoração daquele ano, a nova marca, atribuída apenas a Carlo Hauner e seu irmão, é apresentada como "uma das mais interessantes realizações comerciais e artísticas levadas a efeito em São Paulo, nesses últimos meses"; com "concepção gráfica que obedece aos princípios essenciais da decoração moderna"5. Na edição seguinte da AD Arquitetura e Decoração, outro artigo destaca a produção da fábrica H. Cerâmica, marca que Carlo Hauner mantém em parceria com Milton Guper: "A nova cerâmica moderna feita em São Paulo é digna das maiores realizações plásticas industriais que justificam plenamente as condições atuais da arquitetura moderna brasileira e a sua repercussão pelo mundo6".

Embora envolvido na criação da Forma, Carlo desliga-se dela, por desentendimentos com os sócios e volta para a Itália em 1958. No país de origem, cria outra loja também com este nome e segue comercializando peças projetadas por ele ou outros designers, além de trabalhar para empresas europeias. Algum tempo depois, entretanto, abandona a carreira e muda-se para a Ilha de Salina, onde volta a pintar e produz vinhos.

Apesar de curta, a trajetória de Carlo Hauner no Brasil é importante para o desenvolvimento do design industrial no país em suas primeiras décadas, marcado por intercâmbios culturais e mistura de influências locais e europeias.

Notas 

1. Um artigo de P. M. Bardi na revista Habitat, em 1953, menciona a qualidade de seu trabalho como pintor, apesar de naquele período dedicar-se mais ao design. BARDI, P. M. O pintor Hauner. Habitat. n. 12, p. 72-73. set. 1953. 

2. HUGERTH, Mina Warchavchik. Mobilinea: design de um estilo de vida (1959-1975). 2015. Dissertação (Mestrado em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. p. 159. 

3. Ibid., p. 164.

4. Georgia Hauner tem papel importante: junto com Ernesto, funda a marca Mobilínea (1959-1965), que se associaria à OCA na produção de móveis para Brasília. In: SANTOS, Maria Cecília Loschiavo dos. Móvel moderno no Brasil. São Paulo: Senac: Olhares, 2015. p. 201

5.  A NOVA Loja Forma: Projeto Carlo Hauner e Ernesto Hauner. AD Arquitetura e Decoração. São Paulo, n. 7, p. 14-15, set./ out. 1954.

6. HAUNER, Carlo. A Nova Cerâmica em São Paulo. AD Arte e Decoração. São Paulo, n. 8, p. 12-13. nov./ dez. 1954.

Fontes de pesquisa 8

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  • A NOVA Loja Forma: Projeto Carlo Hauner e Ernesto Hauner. AD Arquitetura e Decoração. São Paulo, n. 7, p. 14-15, set./ out. 1954.
  • BARDI, P. M. O pintor Hauner. Habitat. São Paulo, n. 12, p. 72-73, set. 1953.
  • CHEN, Aric. Brazil Modern: the rediscovery of twentieth-century brazilian furniture. Nova York: The Monacelli Press, 2016.
  • FORTUNA Crítica Sergio Rodrigues. curadoria de Afonso Luz. Rio de Janeiro: Instituto Sergio Rodrigues, 2018. 344 p., il. color.
  • HAUNER, Carlo. A Nova Cerâmica em São Paulo. AD Arte e Decoração. São Paulo, n. 8, p. 12-13. nov./ dez. 1954.
  • HUGERTH, Mina Warchavchik. Mobilinea design de um estilo de vida (1959-1975). 2015. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo - FAU/USP, São Paulo, 2015.
  • HUGERTH, Mina Warchavchik. Móveis Artesanal: prelúdio à Forma, OCA e Mobilinea. In: BRAGA, Marcos da Costa; DIAS, Dora Souza (Orgs.). Histórias do Design no Brasil II. São Paulo: Annablume, 2014. p. 159-180
  • SANTOS, Maria Cecília Loschiavo dos. Móvel moderno no Brasil. São Paulo: Senac: Olhares, 2015.

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