Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Affonso Ávila

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 01.11.2018
19.06.1928 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
26.09.2012 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
Affonso Celso Ávila (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1928 – Idem, 2012). Poeta, ensaísta e pesquisador. Nascido em Belo Horizonte, interessa-se pela literatura na infância, chegando a publicar poemas em pequenos jornais estudantis. Aos 22 anos, torna-se colaborador do Diário de Minas, dividindo com o amigo Fábio Lucas (1931) uma seção intitulada “...

Texto

Abrir módulo

Biografia

Affonso Celso Ávila (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1928 – Idem, 2012). Poeta, ensaísta e pesquisador. Nascido em Belo Horizonte, interessa-se pela literatura na infância, chegando a publicar poemas em pequenos jornais estudantis. Aos 22 anos, torna-se colaborador do Diário de Minas, dividindo com o amigo Fábio Lucas (1931) uma seção intitulada “Tribuna das Letras”. Em 1951, junta-se a um grupo de intelectuais mineiros, que inclui Rui Mourão (1929) e Fábio Lucas, e funda a revista Vocação. Dois anos depois, publica O Açude e Sonetos da Descoberta (1953). Até 1956, trabalha como assessor na campanha de Juscelino Kubitschek (1902-1976) e acompanha, com outros escritores mineiros, o novo presidente ao Rio de Janeiro.

Volta para Minas Gerais em 1957, e passa a publicar, a convite de Antonio Candido (1918-2017) e Décio de Almeida Prado (1917-2000), no suplemento literário de O Estado de Minas, na seção “Crônica de Belo Horizonte”. No mesmo ano, integra a revista Tendência, de repercussão nacional.

Em 1961, conhece os poetas Augusto de Campos (1931), Décio Pignatari (1927-2012) e Haroldo de Campos (1929-2003), no 2º Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária, que o convidam a colaborar para a revista concretista do grupo de São Paulo, Invenção. Dois anos depois, organiza a Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, que reúne nomes como Paulo Leminski (1944-1989), Benedito Nunes (1929-2011) e Luiz Costa Lima (1937).

Após publicar o livro Frases-Feitas (1963) e ser demitido do jornal O Estado de Minas, dá início a pesquisas sobre o barroco. O primeiro resultado é um ensaio sobre o tema: Resíduos Seiscentistas em Minas, publicado em 1967. Sob influência dos estudos seiscentistas, escreve Código de Minas (1969), publicando-o com sua obra poética anterior, em um mesmo volume.

Outro trabalho literário, lançado depois de mais um volume resultante de suas pesquisas – O Lúdico e as Projeções do Mundo Barro (1971) – não consegue driblar a censura do governo militar. Mesmo assim, consegue imprimir, em edição limitada, o livro Código Nacional de Trânsito (1972), seu conjunto mais político de poemas.

Nas décadas de 1970 e 1980, divide-se entre a pesquisa e a literatura: ao mesmo tempo em que lança Cantoria Barroca (1975) e Barrocolagens (1981), preside e organiza, em Ouro Preto, um congresso sobre barroco e arquitetura. Nos anos 1990, publica O Visto e o Imaginado (1991), livro com o qual é agraciado pelo Prêmio Jabuti. Em 2003, recebe o prêmio Apca, com a Lógica do Erro (2002).

Análise

Affonso Ávila começa o trabalho literário em momento marcado pela Geração de 1945, cuja estética caracteriza-se pelo retorno às formas clássicas, como o soneto, e temas transcendentais. Assim como João Cabral de Melo Neto (1920-1999) e Haroldo de Campos (1929-2003), consegue desvencilhar-se do academicismo dos poetas desse grupo. Seu primeiro livro é constituído por sonetos sem respeitar as leis formais que regem o gênero e faz experimentações que valorizam a espacialidade do poema.

A postura de vanguarda, e o contato com os poetas concretos, define novos vetores para tentativas poéticas: como no livro Carta do solo (1961), no qual se mesclam a experimentação e o engajamento político. Destaca-se, em particular, o poema “Os Híbridos”, que, similar a “Um lance de dados”, do poeta francês Stéphane Mallarmé (1842-1898), pode ser lido de diferentes modos, por conta da distribuição dos versos no branco da página.

Outro fator a influenciar sua literatura é a pesquisa sobre a estética barroca. A leitura dos procedimentos dos poetas seiscentistas, somada à repressão em que o país vive, faz sua poesia valorizar mais os recursos visuais, ao mesmo tempo em que assume importante postura crítica. Por meio de paronomásias, por exemplo, o poeta esfacela frases feitas do discurso conservador mineiro, revelando, nelas, marcas de preconceitos e violência. É o que faz, por exemplo, no poema “Frases-feitas”, publicado em Código de Minas..

[...] o senso grave da ordem
o censo grávido da ordem  
o incenso e o gáudio da ordem  
a infensa greve da ordem 
a imensa grade DA ORDEM [...]

A postura engajada repercute em sua ação como atesta o depoimento dado à coleção “Encontro com Escritores Mineiros”. Nele, relata a dificuldade de publicar Código Nacional de Trânsito, livro que recorre a paronomásias para fazer críticas contundentes à situação política do país, e recusado em diversas editoras, devido à censura. 

Como observa Nogueira Martinho, as pesquisas do período seiscentista são marcadas, sobretudo, por uma erudição que mescla observações estéticas e sociológicas, apresentando ao leitor “todo o homem inserido no estágio cultural do barroquismo”. Seus estudos são importantes para os que buscam informações sobre a literatura do período, e subsidiam pesquisadores de arquitetura e artes plásticas. Essa imersão no universo barroco é tão intensa que o autor elege como livro favorito o volume Cantoria Barroca. Nele, predomina a escrita caligramática e poemas compostos por dísticos, formas que remetem ao emblema e ao epigrama.

O recurso à poesia curta,  que também remete às experimentações de modernistas como Oswald de Andrade (1890-1954), torna-se marca registrada de outros trabalhos do autor. Valoriza, também, o uso do trocadilho, que busca, mediante aproximações sonoras, estabelecer contatos semânticos entre os vocábulos. É o que faz, por exemplo, no pequeno poema “Senilidade/Semilidade”, que faz parte de Delírio dos Cinquent’Anos (1984), obra artesanal em que seus epigramas dividem espaço com gravuras, esboços e desenhos, compondo uma arte que não se restringe à leitura literária. Essa também é característica de outros livros, como Masturbações (1981) e O Visto e o Imaginado, obras que atestam a preocupação em conciliar o experimentalismo de vanguarda e a tradição, provenientes de suas pesquisas históricas e estéticas.

Exposições 1

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 4

Abrir módulo
  • AGUIAR, Melânia Silva de (org.). Fortuna crítica de Affonso Ávila. Belo Horizonte: Secretaria de Estado de Cultura/Arquivo Público Mineiro, 2006.
  • BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 32. ed. rev. e aum. São Paulo: Cultrix, 1994.
  • BUENO, Antonio Sérgio (org.). Affonso Ávila. Belo Horizonte: Centro de Estudos Literários da UFMG, 1993. (Coleção Encontro com Escritores Mineiros, vol. 1).
  • MOISÉS, Massaud. História da literatura brasileira: modernismo. São Paulo: Cultrix, 1989. v.5.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: