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Música

Henrique Cazes

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 28.01.2020
02.02.1959 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Henrique Leal Cazes (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1959). Instrumentista, compositor, arranjador, pesquisador e escritor. Filho de pai compositor e violonista e mãe cantora, aos 6 anos aprende a tocar violão. Em 1976, atua como profissional no Conjunto Coisas Nossas, com o qual realiza pesquisas de repertório das décadas de 1920 e 1930, especi...

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Henrique Leal Cazes (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1959). Instrumentista, compositor, arranjador, pesquisador e escritor. Filho de pai compositor e violonista e mãe cantora, aos 6 anos aprende a tocar violão. Em 1976, atua como profissional no Conjunto Coisas Nossas, com o qual realiza pesquisas de repertório das décadas de 1920 e 1930, especialmente o de Noel Rosa (1910-1937).

Estuda música de maneira informal até os 21 anos. Torna-se aluno do húngaro Ian Guest (1940), com quem aprende harmonia funcional e percepção. Tem aulas de instrumentação e regência com o maestro, arranjador e pianista Alceu Bocchino (1918). Entre os músicos determinantes para sua formação estão o arranjador e maestro Radamés Gnattali (1906-1988), o bandolinista e compositor Joel do Nascimento (1937) e os compositores Jacob do Bandolim (1918-1969) e Waldir Azevedo (1923-1980). Ainda jovem, além de cavaquinho e violão, aprende a tocar banjo, violão tenor, guitarra elétrica e viola caipira. Em sua carreira, destaca-se como instrumentista e atua como compositor, escrevendo cerca de 50 temas, os primeiros deles aos 14 anos. A composição de maior sucesso é “Mitsuru do Cavaco”, gravada no álbum Henrique Cazes, de 1988.

Com o Conjunto Coisas Nossas, lança Coisas Nossas (1980), Noel Rosa – Inédito e Desconhecido (1983) e A Noiva do Condutor (1985), com participação de Grande Otelo (1915-1993)Marília Pêra (1943-2015). A  partir de 1980, integra a Camerata Carioca ao lado de Radamés Gnattali, Joel Nascimento e do irmão, o percusionista Beto Cazes (1955). Com eles, lança os álbuns Radamés Gnattali & Camerata Carioca – Vivaldi & Pixinguinha (1982), Uma Rosa para Pixinguinha (1983), com participação de Elizeth Cardoso (1920-1990), e Tocar (1983). Inicia carreira como solista em 1986. Dois anos depois, lança o disco Henrique Cazes, pelo próprio selo, Musicazes, no qual interpreta “Vê se Gostas” (Waldir Azevedo e Otaviano Pitanga), “Eu Quero É Sossego” [K-Ximbinho (1917-1980)], “Vocês me Deixam Ali e Seguem no Carro” [Hermeto Pascoal (1936)] e composições autorais, como “Mitsuru do Cavaco”, “Coisas de Garoto”, “Desengomando”, “Estudo n. 1 em Mi Menor” e “Estudo n. 2”.

Em 1990, lança o segundo álbum solo, Tocando Waldir Azevedo, e recebe o Prêmio Sharp de melhor disco instrumental, pelo álbum Retratos, com participações de Chiquinho do Acordeom (1928-1993), Raphael Rabello (1962-1995) e Orquestra de Cordas Brasileiras. Em 1995, lança Desde que o Choro É Choro, Henrique Cazes e a Família Violão. Com Marcello Gonçalves, registra os álbuns Pixinguinha de Bolso (2000) e Vamos Acabar com o Baile – A Música de Garoto por Henrique Cazes e Marcello Gonçalves (2007). Como pesquisador, publica o livro Choro: do quintal ao municipal (1998), além do método para cavaquinho Escola Moderna do Cavaquinho (1988).

Análise

Em mais de 35 anos de carreira, Henrique Cazes destaca-se como um dos cavaquinistas mais requisitados do país. Pelo estilo preciso de tocar, pela excelente leitura de partituras e por acrescentar ideias de arranjos, é convidado a participar de projetos ao vivo e em gravações de estúdio em discos de outros músicos. Na década de 1980, participa de álbuns de artistas como Nara Leão (1942-1989), Nelson Sargento (1924) e Dorival Caymmi (1914-2008). Não se restringe ao choro e envolve-se em álbuns de samba: participa em alguns álbuns de Zeca Pagodinho (1959) e no disco de estreia de Dudu Nobre (1973), e produz um disco do sambista Monarco (1933).

Em seus discos, observam-se muitas mudanças, sobretudo na escolha de repertório. No modo de tocar e nos arranjos, mantém certa linearidade, com uma linguagem sólida e tradicional de interpretar. Henrique Cazes é um cultor da tradição, mas acrescenta novas ideias aos arranjos. Como acompanhante – ao fazer a base harmônica, ou o centro, como diriam os chorões mais antigos –, diferencia-se pelo tempo preciso, sem perder o suingue do choro e do samba. Como solista, é conhecido pela precisão, somada à limpidez com que executa as notas, mesmo em temas com andamento acelerado. Seu estilo é uma ponte entre o choro e o jazz, principalmente pelos improvisos. As modificações introduzidas pelo intérprete respeitam a ideia melódica do compositor, mas seu virtuosismo explora as regiões do braço do cavaquinho, sobretudo a terceira oitava – nas notas mais agudas. Exemplos disso estão nas gravações de “Segura Ele” e “Gente Humilde”, gravadas, respectivamente, nos discos Pixinguinha de Bolso e Vamos Acabar com o Baile – A Música de Garoto, ambos registrados em dueto com o violonista Marcello Gonçalves (1972).

Outra atuação importante na trajetória de Cazes é a pesquisa. Estudioso contumaz, publica o livro Choro: do Quintal ao Municipal e o método para cavaquinho Escola Moderna do Cavaquinho (1988), relevantes para a formação de novas gerações. As pesquisas históricas resultam em projetos de resgate da memória da música brasileira. Em 1982, ao lado da Camerata Carioca, registra o antológico Radamés Gnattali & Camerata Carioca – Vivaldi & Pixinguinha. Considerado um marco na história do choro, ao lado de Joel Nascimento e Radamés Gnattali, o conjunto vai além da maneira tradicional de interpretar o gênero, com arranjos camerísticos em temas clássicos, como “Vou Vivendo”, “Um a Zero” e “Carinhoso”. No ano seguinte, com o Conjunto Coisas Nossas, lança Noel Rosa – Inédito e Desconhecido, álbum de extensa pesquisa sobre a obra do compositor de Vila Isabel. Em 1989, realiza trabalho de recuperação de partituras originais e inéditas da obra de Pixinguinha, datadas de 1948, e reconstitui o álbum Orquestra Brasília: O Maior Legado Escrito por Pixinguinha. Em 2000, acompanhado do violonista Marcello Gonçalves e o Trio Madeira Brasil, lança Pixinguinha de Bolso, com uma abordagem mais minimalista. A obra Eletro Pixinguinha XXI (2002), aventura-se nos teclados e samples de Fernando Moura (1959).

Ainda como musicólogo e historiador musical, destacam-se projetos sobre as obras de artitas como Zé Kéti (1921-1999), Cartola (1908-1980), Custódio Mesquita (1910-1945), Jacob do Bandolim e Heitor Villa-Lobos (1887-1959). Em 2010, o músico faz um projeto ousado sobre Carmen Miranda (1909-1955) e lança Carmen Miranda Hoje, reconstituindo a parte instrumental de gravações originais da Pequena Notável. No disco, destaque para as versões de “Uva de Caminhão”, “O que É que a Baiana Tem” e “...E o Mundo Não se Acabou”, um resgate da história do cancioneiro popular nacional na década de 1930.

Outro projeto de relevância histórica é a série Beatles n’ Choro, no qual o cavaquinista interpreta, ao lado de Hamilton de Holanda (1976), Rildo Hora (1939), Carlos Malta (1960), Paulo Sérgio Santos (1958) e Marcello Gonçalves, temas da banda inglesa com linguagem de choro e de outros gêneros brasileiros. A iniciativa, louvável pelo didatismo, rende quatro discos e utiliza a popularidade de famosas canções do grupo inglês para apresentar o gênero brasileiro às novas gerações. 

Em 2005, participa do documentário Brasileirinho – Grandes Encontros do Choro Contemporâneo, do cineasta finlandês Mika Kaurismäki (1955), ao lado de músicos de diferentes escolas e gerações do choro. Nos anos 2000, destaque para o disco Vamos Acabar com o Baile – A Música de Garoto. Ao lado do violonista Marcello Gonçalves, regrava temas do multi-instrumentista paulistano Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto (1915-1955). No repertório, com arranjos para duo, temas como “Benny Goodman no Choro”, “Desvairada”, “Lamentos do Morro”, “Jorge do Fusa” e “Amoroso”.

A versatilidade de Cazes também se manifesta pelo humor, em dois discos gravados com Cristina Buarque (1950), Sem Tostão... A Crise Não É Boato (1995) e Sem Tostão 2... A Crise Continua... (2001). Em 2009, sob o pseudônimo Jota Canalha, lança o CD A Voz do Botequim, com composições próprias. O músico se apresenta mais satírico que Noel Rosa nas faixa “Chatos em Desfile”, “Lero, Lero, Blá-Blá-Blá ou Papo de ONG”, “Baranga das Dez”, “Broto das Duas” e “Malas Madrinhas”.

Obras 36

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Exposições 1

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Fontes de pesquisa 5

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  • BARBOSA, Valdinha; DEVOS, Anne Marie. Radamés Gnattali: o eterno experimentador. Rio de Janeiro: Editora Funarte, 1984.
  • CAZES, Henrique. Choro: do quintal ao municipal. 3ª ed., São Paulo: Editora 34, 2005.
  • MARQUES, Mario. Guinga: Os mais belos acordes do subúrbio. Rio de Janeiro: Gryphus, 2002.
  • PUGLIESI, Maria Vicencia; PRATA, Sergio. Tributo a Jacob do Bandolim: discografia completa. Rio de Janeiro: Cecac, 2002.
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras (vol. 2: 1958-1985). São Paulo: Editora 34, 1998. (Coleção Ouvido Musical).

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