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Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

Alberto Traversa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 24.11.2017
1885 Itália / Ligúria / Gênova
1957 Brasil / Rio de Janeiro
Alberto Traversa (Gênova, Itália, ca.1885 – Ilha Grande, Rio de Janeiro, 1957). Cineasta. Pioneiro na cinematografia, inicia carreira no auge do cinema mudo do norte italiano, com La Crociata degli Innocenti (1915), baseado em peça do escritor italiano Gabriele D'Annunzio (1863-1938). Lá, ainda realiza filmes patrióticos da Primeira Guerra Mundi...

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Biografia

Alberto Traversa (Gênova, Itália, ca.1885 – Ilha Grande, Rio de Janeiro, 1957). Cineasta. Pioneiro na cinematografia, inicia carreira no auge do cinema mudo do norte italiano, com La Crociata degli Innocenti (1915), baseado em peça do escritor italiano Gabriele D'Annunzio (1863-1938). Lá, ainda realiza filmes patrióticos da Primeira Guerra Mundial, como Il Soldato d’Italia (1916) e Farulli si Arruola (1916). Muda-se para a Argentina em 1915, época em que o cinema local está no auge, realizando Bajo el Sol de la Pampa (1916), Los Inconscientes (1918), que versa sobre o alcoolismo, En un Dia de Gloria (1918), En Buena Ley (1919), ambos produzidos pelo cineasta italiano Mario Gallo (1878-1945) e La Hija de la Pampa (1919). Com a crise no cinema argentino, Traversa retorna à Itália, fundando a Traversa Film, e realiza Il Biricchino di Trieste (1920). Volta para Argentina, onde realiza La Milonga (1922). Pouco depois, vem ao Brasil. Dirige O Segredo do Corcunda (1924), em São Paulo, produzido e fotografado pelo italiano Gilberto Rossi (1882-1971), e Risos e Lágrimas (1926), em Niterói, peça da campanha de combate à varíola. Retorna à Argentina, rodando Guignol Porteño (1927) e La Mano Negra (1928). Com a chegada do cinema sonoro, Traversa não consegue mais filmar e retira-se em Ilha Grande.

Análise

Alberto Traversa é um dos pioneiros do cinema na Itália, Argentina e no Brasil, ainda que considerado um cineasta menor. Talvez por isso, a pesquisadora Hilda Machado (1952-2007) debruce-se sobre ele. Para ela, por conta da deformação física colocada em O Segredo do Corcunda e pelo retrato dos efeitos de uma epidemia de varíola em Risos e Lágrimas, “a obra de Traversa perseguiu o corpo singular e qualquer desvio: a deformidade da varíola, o corcunda, a monstruosidade do paraíso da Ilha Grande e seus presídios”1.

Sua obra permanece em evidência especialmente pelo sucesso de crítica de O Segredo do Corcunda, êxito comercial, do qual existe cópia. O média-metragem é um melodrama, que retrata uma fazenda cafeeira paulista. Ainda que mostre fluência na encenação, o filme difere em alguns pontos do cinema silencioso dominante. De um lado, pelo excesso de cartelas e intertítulos, necessários à compreensão do conteúdo, e, de outro, pelo uso dos planos fechados. A predominância de planos externos abertos, confere ao filme caráter documental. Em Risos e Lágrimas, Traversa recorre novamente ao melodrama romântico numa história que demonstra os perigos de não se cuidar em relação à varíola, doença fatal.

Traversa também possui uma obra atrelada ao filme histórico, principalmente em sua fase argentina, em que o pampa imaginado na literatura ganha forma.

Nota

1 MACHADO, Hilda. Alberto Traversa: Corpo Singular e Paraíso In: Estudos Socine de Cinema, ano IV. São Paulo: Panorama, 2003. p. 237.

Fontes de pesquisa 7

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  • 4ª JORNADA brasileira do cinema silencioso. Catálogo. São Paulo, Cinemateca Brasileira, 6 a 15 ago. 2010.
  • 5ª JORNADA brasileira do cinema silencioso. Catálogo. São Paulo, Cinemateca Brasileira, 5 a 14 ago. 2011.
  • CINEMATECA Brasileira. Site oficial. Disponível em: http://cinemateca.gov.br. Acesso em: 11 ago. 2014.
  • MACHADO, Hilda. Alberto Traversa: Corpo Singular e Paraíso. In: Estudos Socine de Cinema, ano IV. São Paulo: Panorama, 2003. p. 237-243
  • MACHADO, Hilda. O segredo do corcunda: a cor em Gilberto Rossi. In: Cinemais, Rio de Janeiro, n. 9, p. 90-94, jan./ fev. 1998.
  • RAMOS, Fernão (Org.). História do cinema brasileiro. São Paulo: Art, 1987.
  • SILVA NETO, Antonio Leão da. Dicionário de filmes brasileiros: longa metragem. São Bernardo do Campo: Edição do Autor, 2009.

Como citar

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