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Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Domingos Olímpio

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 18.02.2021
18.09.1851 Brasil / Ceará / Sobral
07.10.1906 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
No que se refere à atuação na imprensa, torna-se redator do Diário do Grão Pará, ao lado de José Veríssimo (1857-1916). Em 1879, ainda no Pará, atua como parlamentar Provincial, eleito pelo Partido Conservador, cultivando ideias abolicionistas e republicanas. A partir de 1890, fixa-se no Rio de Janeiro e não retorna mais a sua terra natal. Nessa...

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Domingos Olímpio Braga Cavalcanti (Sobral, Ceará, 1850 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1906). Romancista, advogado e jornalista. Entre 1860 e 1865, faz os estudos primários em Sobral, e os preparatórios em Fortaleza e Recife, oportunidade em que estuda retórica, álgebra e geometria. Aos 16 anos, muda-se para o Recife, para cursar Direito, graduando-se em 1873 pela Faculdade de Direito do Recife. Após o término da graduação, retorna ao Ceará, recebendo a nomeação de Promotor Público, cargo que exerce até 1878. Em seguida, é transferido para o Pará, onde fica até 1890, conciliando o exercício do jornalismo, do direito e da política. 

No que se refere à atuação na imprensa, torna-se redator do Diário do Grão Pará, ao lado de José Veríssimo (1857-1916). Em 1879, ainda no Pará, atua como parlamentar Provincial, eleito pelo Partido Conservador, cultivando ideias abolicionistas e republicanas. A partir de 1890, fixa-se no Rio de Janeiro e não retorna mais a sua terra natal. Nessa época, escreve para vários jornais, entre eles, o Correio Mercantil e o Correio do Povo, assinando seus textos com os pseudônimos Pojucan e Jaibara. 

Em 1892, integra a Missão Especial de Washington, que versa sobre questões de fronteira com a Argentina, resultando no relato a História da Missão Especial de Washington. Em 1903, publica Luzia-Homen, considerada sua melhor obra, um dos primeiros romances a explorar a seca nordestina. Na imprensa carioca, dirige e edita Os Annaes, periódico em que publica o romance folhetinesco O Almirante (1904-1906) e deixa inacabado O Uirapuru (1906). 

Paralelamente ao trabalho jornalístico, mantém a carreira jurídica, notabilizando-se ao vencer a ação que determina os limites geográficos entre o Estado do Amazonas e o Estado do Mato Grosso, representando os interesses amazonenses. 
Também produz diversas peças teatrais, a maioria inédita em livro. Entre elas, os dramas Túnica de NessusJúliaTântaloRochedos que ChoramA Perdição, e as comédias Um Par de Galhetas e Os Maçons e o Bispo. As peças são representadas em Fortaleza, no Recife e no Rio de Janeiro. 

Domingos Olímpio falece no Rio de Janeiro em 1906, ocasião em que Olavo Bilac (1865-1918) faz um necrológio que louva a produção do escritor cearense. Luzia-Homem recebe adaptação para o cinema, com roteiro de Cacá Diegues (1940) e direção de Fábio Barreto (1957), estrelado por Cláudia Ohana (1963) no papel da protagonista.

A obra de Domingos Olímpio circula por vários gêneros, entre o romance, a peça teatral, o relato, a biografia, a crônica e o conto. O conjunto distribui-se em livros, revistas e jornais, além de obras inéditas, dada a sua morte prematura.

O romance Luzia-Homem desenvolve a problemática da seca e suas implicações correlatas: as migrações dos sertanejos nordestinos para as regiões do norte e sudeste do Brasil, a denúncia do trabalho de semiescravidão, o assédio sexual e moral, o abuso de poder, a desagregação e o desamparo familiar. Esses temas antecedem a voga do regionalismo nordestino de 1930. Pode-se relacionar o romance de Olímpio como próximo do “poema épico, dado o seu grande lirismo em fixar o drama da seca e vazar um sabor telúrico de rara expressão: o maior de todos os romances da literatura ligada à terra e à gente cearense”1. Essa temática telúrica, também presente em Euclides da Cunha (1866-1909), faz com que ambos autores influenciem o romance da década de 1930, inaugurando uma literatura social e crítica.

Por meio de um narrador onisciente, em terceira pessoa, a ação do romance dá-se em Sobral, cidade natal do autor, à época da grande seca de 1877, estiagem que afeta sobremaneira a cidade cearense, uma das mais prósperas da região. A base literária é realista, porém com substrato naturalista, submetendo as personagens ao determinismo ocasionado pela seca, além de certa retórica, por vezes exagerada. A técnica realista também se destaca por meio de descrições detalhadas e atentas da região cearense, conferindo à narrativa profundidade humana e documental com agudo senso de observação. O vocabulário reflete o gosto regionalista e capta os costumes da região ao fixar a variante linguística daquela comunidade, valendo-se da descrição do sertanejo, aliada à cor local.

A cidade de Sobral, localizada entre a região sertaneja e a litorânea, sofre uma das maiores estiagens de todos os tempos. A submissão às intempéries do sertão faz com que a comunidade sobralense se desorganize e se convulsione, gerando a necessidade de migração. Caracteriza-se, então, o retirante, e sua condição.  

O maior destaque é a protagonista Luzia-Homem, elevada a símbolo na narrativa. Com um delineamento verossímil, destaca-se sua conduta de mulher forte que, por meio de um perfil masculinizado, já delineado em seu nome. A protagonista luta contra a miséria e a prostituição, tematizando a bravura da mulher cearense. A obra recebe várias edições.

É por meio do romance Luzia-Homem - originalmente publicado em capítulos, no jornal carioca O Comércio - que Olímpio se torna um narrador destacado.

Nota

1. ATAÍDE, Austregésilo. In: OLÍMPIO, Domingos. Romance (Antologia). Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora, 1961. p. 109.

Fontes de pesquisa 3

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  • LUFT, Celso Pedro. Dicionário de literatura portuguesa e brasileira. Porto Alegre: Editora Globo, 1973.
  • OLÍMPIO, Domingos. Luzia-Homem. São Paulo: Editora Três, 1973.
  • OLÍMPIO, Domingos. Romance (Antologia). Rio de Janeiro: Livraria Agir Editora, 1961.

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