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Cinema

Gentil Roiz

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 21.02.2017
1899 Brasil / Rio Grande do Norte / Canguaretama
1975 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Gentil Rodrigues dos Santos (Canguaretama, Rio Grande do Norte, 1899 – Rio de Janeiro,  Rio de Janeiro, 1975). Diretor, produtor, roteirista, ator, ourives e gravador. Começa a trabalhar como ourives aos 15 anos e, aos 18, exerce a função de gravador. Entra em contato com o cinema na infância, quando monta um projetor improvisado com figuras rec...

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Biografia

Gentil Rodrigues dos Santos (Canguaretama, Rio Grande do Norte, 1899 – Rio de Janeiro,  Rio de Janeiro, 1975). Diretor, produtor, roteirista, ator, ourives e gravador. Começa a trabalhar como ourives aos 15 anos e, aos 18, exerce a função de gravador. Entra em contato com o cinema na infância, quando monta um projetor improvisado com figuras recortadas de revistas infantis, uma caixa de papelão e uma vela.

Faz teatro amador e estuda rádio e cinema em um curso por correspondência oferecido por uma universidade de Los Angeles. Em 1929, compra um projetor que transforma em câmera e com ela faz letreiros para os anúncios das atrações do Cine Olinda – à época, não exsitem trailers.

Em 1923, associa-se a Edson Chagas (1901-1958) para criar a Aurora Filme, primeira companhia produtora de filmes em Pernambuco. Estreia como diretor em Retribuição (1924), com fotografia de Chagas. Rodada nos finais de semana, a fita leva um ano para ser finalizada e estreia em 1925. A película é a primeira produção do Ciclo Regional do Recife.

Realiza dois filmes em Recife antes de se mudar para o Rio de Janeiro: o curta Um Ato de Humanidade (1925) e Aitaré da Praia (1925). No Rio tenta fundar outra Aurora Filme e, com a colaboração do cineasta Adhemar Gonzaga (1901-1978), inicia as filmagens de Paralelos da Vida (1930) que não chega a terminar. Abandona o cinema e passa o resto da vida trabalhando como gravador.

Análise

Ao lado de Edson Chagas e Ary Severo (1903-1994), Gentil Roiz é uma das principais figuras do Ciclo Regional do Recife. As fitas raramente ultrapassam os limites de suas cidades de origem.

Retribuição, filme de estreia de Roiz e restaurado pela Cinemateca Brasileira, é obra influenciada pelo cinema norte-americano de aventuras, segundo declarações do próprio realizador1. Uma das qualidades de Retribuição, segundo Alex Viany (1918-1992), está nas belezas naturais de Pernambuco, como as minas de giz de Olinda e o Parque de Dois Irmãos 2.

Aitaré da Praia é um drama romântico que acrescenta a beleza natural a cenas da vida local dos jangadeiros da praia de Tatiá. Se em Retribuição Roiz utiliza um duplo flashback, em Aitaré há seis. Segundo Paulo Cunha Filho, o filme é, talvez, o melhor exemplo do uso diversificado desse recurso no cinema mudo brasileiro dos anos 203.

O curta-metragem Um Ato de Humanidade (1925) é um melodrama que narra a história de um jovem e sifilítico mendigo. O rapaz é curado com ajuda de um generoso repórter, que o leva para ser tratado por um farmacêutico.

Gentil Roiz, como um dos percursores do Ciclo de Recife, abre espaço para temas regionais e para a criação de produtoras locais, o que coloca a capital pernambucana no centro da produção cinematográfica, até então dominada pela região sudeste. A iniciativa abre espaço para diretores como Jota Soares, com o filme A Filha do Advogado (1926), grande sucesso em âmbito nacional.

Notas

1 BERNADET, Lucilla Ribeiro. O cinema pernambucano de 1922 a 1931: primeira abordagem. São Paulo: Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), mimeo, 1970. p. 88.

2 VIANY, Alex. Outro surto regional. In: VIANY, Alex. Introdução ao cinema brasileiro. Rio de Janeiro: Alhambra-Embrafilme, 1987. p. 70.

3 CUNHA FILHO, Paulo C. Tempo, filme, memória: a invenção do passado em Aitaré da praia. Revista Famecos, Porto Alegre, n 36, p. 105-110, ago. 2008.

Obras 1

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Fontes de pesquisa 6

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  • BERNARDET, Lucilla Ribeiro. O Cinema Pernambucano de 1922 a 1931: primeira abordagem. São Paulo: Mimeo, 1970.
  • CICLO do Recife (1923-1931). Ciclo do Recife. Disponível em: < https://ciclodorecife.wordpress.com/ciclo-do-recife/ >. Acesso em: 23 mar. 2016.
  • CUNHA FILHO, Paulo C. Tempo, filme, memória: a invenção do passado em Airaté da Praia. Revista Famecos, n. 36, p. 105-110, ago. 2008.
  • GOMES, Paulo Emilio Salles. Cinema: trajetória no subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
  • RAMOS, Fernão (Org.). História do cinema brasileiro. São Paulo: Art, 1987.
  • VIANY, Alex. Introdução ao Cinema Brasileiro. Rio de Janeiro, Alhambra, 1987.

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