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Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

Marcos Faria

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.02.2017
1935 Brasil / Santa Catarina / Campos Novos
1985 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Fogo Morto [cartaz], 1976
Desenho
61,00 cm x 90,00 cm

Marcos Ney Silveira de Farias (Campos Novos, Santa Catarina, 1935 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1985). Produtor, diretor, roteirista. Muda-se para Florianópolis, escreve para a Revista Sul e integra o livro Contistas Novos de Santa Catarina (1954). No Rio de Janeiro, estuda na Faculdade Nacional de Filosofia, onde frequenta o cineclube, conh...

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Biografia

Marcos Ney Silveira de Farias (Campos Novos, Santa Catarina, 1935 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1985). Produtor, diretor, roteirista. Muda-se para Florianópolis, escreve para a Revista Sul e integra o livro Contistas Novos de Santa Catarina (1954). No Rio de Janeiro, estuda na Faculdade Nacional de Filosofia, onde frequenta o cineclube, conhecendo a geração que forma o cinema novo. É um dos primeiros a filmar, com o curta documental: O Maquinista (1962). Associa-se ao cineasta Leon Hirszman (1937-1987) e adquire a produtora Saga Filmes. Integrado ao Centro Popular de Cultura (CPC), vinculado à União Nacional de Estudantes (UNE), produz o longa Cinco Vezes Favela (1962) em episódios. Escreve e dirige o primeiro, “Um Favelado”. Produz Canalha em Crise (1963) e a primeira versão de Cabra Marcado para Morrer (1964), de Eduardo Coutinho (1933-2014), interditada pela censura. Retoma, em 1966, a Saga Filmes, produzindo o episódio brasileiro de ABC do Amor (1966) e os longas Garota de Ipanema (1967), Perpétuo Contra o Esquadrão da Morte (1973), que também roteiriza. Produz, ainda, Todas as Mulheres do Mundo (1966), Bebel, Garota Propaganda (1967), Capitu (1968), A Vida Provisória (1968), O Bravo Guerreiro (1969), Faustão (1971) e São Bernardo (1972), entre outros. Volta a dirigir com o curta documental Sexto Páreo (1968). Estreia em longas com A Vingança dos Doze (1970). Realiza ainda os longas A Cartomante (1974), Fogo Morto (1976), selecionado para a competição do Festival de Berlim, e Bububu no Bobobó (1980). Em 1978, ajuda a fundar a Cooperativa Brasileira de Cinema, da qual assume a direção.

Análise

Marcos Farias torna-se um dos principais produtores do cinema carioca dos anos 1960, especialmente pela contribuição ao cinema novo, ainda que, como diretor, não tenha nenhum filme de prestígio de crítica ou público. O crítico aponta: “Por importante que tenha sido nos bastidores, Farias não deixou o legado de uma grande obra”1. Seu filme mais famoso talvez seja o episódio de Cinco Vezes Favela, um trabalho que mostra, apelando para emoção do espectador, as agruras de um favelado que não consegue emprego e, para conseguir o sustento da família, entra para o crime.

Sem a necessidade de fazer um filme determinista sobre a miséria, por conta do CPC, trabalha com mais liberdade nos longas seguintes. Trata da questão da terra e do poder em A Vingança dos Doze, um filme de vingança contra o coronelismo, inspirado no cordel sobre a história de Carlos Magno (742-814) e dos 12 pares da França. A saga sobre a construção do poder na Paraíba é tratada na obra Fogo Morto, adaptada do romance homônimo do escritor José Lins do Rego (1901-1957). Mesmo não tendo a desenvoltura formal de outros cinemanovistas, usa técnicas como a câmera na mão e iluminação natural. Com A Cartomante, mostra a evolução do casamento e do sexo na sociedade com base em histórias similares, encenadas com cem anos de diferença. Seu último longa, Bububu no Bobobó constata o fim do teatro e do cinema populares, ao mostrar a falência de um lendário produtor devido às dificuldades de ter sucesso com um espetáculo de revista.

Nota

1 MERTEN, Luiz Carlos. Cine-PE termina amanhã sem favoritismos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 03 maio 2008. Caderno 2, p. D5.

Obras 1

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Fontes de pesquisa 5

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  • CINEMATECA BRASILEIRA. São Paulo. Disponível em: <http://www.cinemateca.gov.br/>. Acesso em: 2 abr. 2012.
  • RAMOS, Fernão (Org.). História do cinema brasileiro. São Paulo: Art, 1987.
  • SILVA NETO, Antonio Leão da. Dicionário de filmes brasileiros: curta e média metragem. São Bernardo do Campo: Edição do Autor, 2011.
  • SILVA NETO, Antonio Leão da. Dicionário de filmes brasileiros: longa metragem. São Bernardo do Campo: Edição do Autor, 2009.
  • VIANY, Alex. O processo do cinema novo. Rio de Janeiro: Aeroplano, 1999.

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