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Cinema

Mario Fiorani

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.05.2017
1922 Áustria / a definir / Innsbruck
1996 Itália / Vêneto / Veneza
Mario Fiorani (Innsbruck, Áustria, 1922 – Veneza, Itália, 1996). Cineasta, roteirista, produtor, jornalista e professor. Ainda jovem muda-se para a Itália, terra da família paterna. Durante a 2ª Guerra Mundial, honrando sua origem judaica por parte de mãe, participa da resistência ao fascismo, sobre o qual publica, em 1963, o livro Breve Históri...

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Biografia

Mario Fiorani (Innsbruck, Áustria, 1922 – Veneza, Itália, 1996). Cineasta, roteirista, produtor, jornalista e professor. Ainda jovem muda-se para a Itália, terra da família paterna. Durante a 2ª Guerra Mundial, honrando sua origem judaica por parte de mãe, participa da resistência ao fascismo, sobre o qual publica, em 1963, o livro Breve História do Fascismo.

Em 1946, chega ao Brasil onde trabalha como bibliotecário, tradutor e professor de cinema na Escola Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro. Entre 1956 e 1957, é crítico de cinema da revista Paratodos. Na década seguinte,  como diversos jornalistas do período, passa da crítica para a prática cinematográfica.

Produz alguns filmes, como Amor e Desamor (1966), de Gerson Tavares (1926), e O Desafio (1964), de Paulo César Saraceni (1933-2012). Depois disso, escreve e dirige seu primeiro filme, A Derrota (1966), sobre um homem que é preso, torturado e morto por uma organização misteriosa. Lançado em 1966, e contando no elenco com Glauce Rocha (1933-1971), Ítalo Rossi (1931-2011) e Luiz Linhares (1926-1995), o longa é bem recebido pela crítica. É eleito o melhor filme pelo Júri Popular da 2a Semana do Cinema Brasileiro.

Em O Engano (1967), Fiorani aposta numa temática mais existencialista. O fracasso de público e crítica interrompe sua carreira de cineasta.

Fiorani atua, ainda, na produção de filmes como Copacabana Me Engana (1968), de Antonio Carlos da Fontoura (1939), e Pontal da Solidão (1974), de Alberto Ruschel (1918-1996), antes de deixar o Brasil. Passa por Santiago, onde trabalha como diretor de produção da TV da Universidade do Chile. Foge do país em 1973, após o golpe militar, retornando à Itália. Já debilitado pelo Mal de Parkinson, produz alguns documentários para o Partido Comunista Italiano.

Análise

Professor de cinema e dono de vasta cultura humanística, Mario Fiorani estreia como diretor com A Derrota, um filme de forte impacto político e social e repleto de referências cinematográficas, que vão do cinema noir à nouvelle vague.  

A jornalista Mirian Fávaro alinha A Derrota a obras do cinema novo que se dispõem  “a refletir sobre o fim do sonho de um país moderno e livre, sobre a nova situação política e a repressão”.  

Alex Viany (1918-1992), crítico do Jornal do Brasil, é um dos maiores entusiastas do filme, cujo impacto considera assustador e apaixonante: “A atmosfera combina elementos de Kafka e Bresson: claustrofóbica, opressiva, angustiante. Tais influências estendem-se ao tema e à narrativa, sendo mesmo sublinhadas pela fotografia inclemente de Mário Carneiro e pela música azucrinante de Esther Scliar”. A trilha dodecafônica de Esther Scliar (1926-1978) foi premiada na 2a Semana do Cinema Brasileiro.

Em O Engano, Fiorani busca outros rumos, criando uma narrativa fragmentada, distante da temática política, embora ousada ao apresentar um negro como um dos amantes da protagonista. Lançado pouco após O Corpo Ardente (1966), de Walter Hugo Khouri (1929-2003), com o qual compartilha a estrutura não-linear e elementos temáticos, como as dúvidas e desejos de uma protagonista de classe média alta, sem medo de abordar tabus sexuais. O Engano sofre com a comparação e com as críticas à atriz principal, Marisa Urban (1938). Ainda assim, o filme recebe o prêmio de melhor música, composta por Alberto Ruschel Filho, no Festival de Locarno.

Obras 1

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Fontes de pesquisa 7

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  • BARBOZA, Nelson Alves. O golpe no Brasil e a revolução no cinema. Rio de Janeiro: edição independente, 2008.
  • BILHARINHO, Guido. Cem anos de cinema brasileiro. Uberaba: Instituto Triangulino de Cultura, 1997.
  • BILHARINHO, Guido. Cem anos de cinema brasileiro. Uberaba: Instituto Triangulino de Cultura, 1997.
  • FÁVARO, Mirian. O cinema nos anos 60. Como Tudo Funciona (HowStuffWorks). Disponível em: <http://pessoas.hsw.uol.com.br/anos-602.htm >. Acesso em: 23 jun. 2012.
  • GATTI, André Piero (Org.). O novo cinema paulista. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 2008.
  • RAMOS, Fernão Pessoa; MIRANDA, Luiz Felipe (Orgs). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2000.
  • SILVA NETO, Antônio Leão da. Dicionário de filmes brasileiros. São Paulo: Edição do Autor, 2002.

Como citar

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