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Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Luis Cosme

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.05.2019
1908 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre
1955 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Luís Cosme (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1908 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1955). Compositor, violinista e musicólogo. Irmão de dois músicos, Walter, pianista, e Sotero (1905-1978), violinista e artista plástico, inicia-se no violino aos 8 anos. Tem aulas de harmonia com Assuero Garritano (1899-1955), no Conservatório de Porto Alegre. E...

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Biografia

Luís Cosme (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1908 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1955). Compositor, violinista e musicólogo. Irmão de dois músicos, Walter, pianista, e Sotero (1905-1978), violinista e artista plástico, inicia-se no violino aos 8 anos. Tem aulas de harmonia com Assuero Garritano (1899-1955), no Conservatório de Porto Alegre. Em 1927, com bolsa de estudos, vai para os EUA, onde estuda por dois anos no Conservatório de Cincinnati, Ohio, com Robert Perutz, professor de violino, e Vladimir Bakaleinikov (1885-1953), de composição. Antes de voltar ao Brasil, passa quatro meses em Paris, familiarizando-se com o Impressionismo francês, de Claude Debussy (1862-1918) e Maurice Ravel (1875-1937), e a contra-corrente representada por Erik Satie (1866-1925) e o grupo Les Six. Em Porto Alegre, leciona no Instituto Musical e no Colégio Americano. Apresenta suas primeiras obras como compositor em 1931, “Noite Brasileira”, “Balada para Carreteiros”, “Aquela China” e “Acalanto”, na sala Beethoven, ao lado do também iniciante Radamés Gnattali (1906-1988). No mesmo ano, tem peças tocadas no Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro, onde se radica em 1932. Volta para Porto Alegre em 1935, ano em que compõe o balé Salamanca do Jirau, estreado no ano seguinte pela Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sob regência de Heitor Villa-Lobos (1887-1959). Em 1937, o balé é executado, em São Paulo, com a Orquestra Sinfônica Municipal, sob regência de Francisco Mignone (1897-1986). No mesmo ano, o regente germânico George Wach faz tocar, em Berlim, “Prelúdio” e “Canção do Tio Barnabé”, do próprio Cosme. A partir dos 35 anos de idade (1943), padece de uma doença que lhe paralisa os membros superiores, afetando-lhe a visão e a fala. Membro fundador da Academia Brasileira de Música, publica, no Rio de Janeiro, livros como Introdução à Música (1954) e Dicionário Musical (1957).

Análise

A obra musical de Luís Cosme é pequena. Insatisfeito, o compositor destrói duas de suas peças iniciais (o quinteto para piano e cordas “Vamo, Maruca” e o quarteto de cordas “Sambalelê”), por representarem um “folclorismo” nacionalista direto, incompatível com os rumos independentes de sua produção.

Sua primeira obra importante, o “Quarteto de Cordas n. 1” (1933), aproxima-se mais do Impressionismo francês, pelos efeitos de timbre, que do nacionalismo. Contudo, conforme assinala Gerard Béhague (1937-2005)1, tendências regionalistas são incorporadas a sua partitura orquestral mais significante: o balé Salamanca do Jirau, baseado na canção gaúcha “Boi Barroso”.

Béhague afirma ainda que, embora tenha cultivado um estilo nacionalista subjetivo em suas criações anteriores, Cosme tenta, a partir de 1946, evitar o sistema tonal, em obras como “As Três Manchas” e “Madrugada no Campo”. A ideia do compositor parece ser a adoção, de forma livre, do método dodecafônico, sem ocultar seu interesse por temas regionais – como é evidenciado pelo balé O Lambe-Lambe (1946), regido em 1948 por Hermann Scherchen, em um programa da Rádio Zurique dedicado à jovem música brasileira. Sua última obra, “Novena à Senhora da Graça” (1950), para quarteto de cordas, piano, narrador e dançarina, faz uso pouco ortodoxo de técnicas dodecafônicas.

O musicólogo Luís Heitor Corrêa de Azevedo (1905-1992) destaca a seriedade da obra de Luís Cosme e a despreocupação com o efeito dela sobre o público2. Essas características contribuem para que o nome de Luís Cosme seja conhecido apenas entre os especialistas, com interpretações esporádicas.

Notas

1 BÉHAGUE, Gerard. Music in Latin America: an introduction. New Jersey: Prentice Hall, 1979.

2 AZEVEDO, Luiz Heitor Corrêa de. Música e músicos do Brasil. Rio de Janeiro: Livraria-Editora da Casa do Estudante do Brasil, 1950.

Fontes de pesquisa 6

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  • AZEVEDO, Luiz Heitor Corrêa de. 150 Anos de Música no Brasil (1800-1950). Rio de Janeiro: José Olympio, 1956.
  • AZEVEDO, Luiz Heitor Corrêa de. Música e músicos do Brasil. Rio de Janeiro: Livraria-Editora da Casa do Estudante do Brasil, 1950.
  • BÉHAGUE, Gerard. Music in Latin America: an introduction. New Jersey: Prentice Hall, 1979.
  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998.
  • MARIZ, Vasco. Figuras da música brasileira contemporânea. 2. ed. Brasília: Universidade de Brasília, 1970.
  • SADIE, Stanley (Ed.). The New Grove dictionary of music and musicians. London: Macmillan Publishers, 1995.

Como citar

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Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: