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Sérgio Toledo Segall

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 21.03.2017
1956 Brasil / São Paulo / São Paulo
Sérgio Toledo Segall (São Paulo, São Paulo, 1956). Diretor, roteirista, montador. Filho do museólogo e dramaturgo Maurício Segall (1926) e da atriz Beatriz Segall (1933), e neto do pintor Lasar Segall (1891-1957) e da tradutora Jenny Klabin Segall (1901-1967). Desde a infância, tem contato com as artes cênicas e o filme em super 8. Cursa Sociolo...

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Biografia

Sérgio Toledo Segall (São Paulo, São Paulo, 1956). Diretor, roteirista, montador. Filho do museólogo e dramaturgo Maurício Segall (1926) e da atriz Beatriz Segall (1933), e neto do pintor Lasar Segall (1891-1957) e da tradutora Jenny Klabin Segall (1901-1967). Desde a infância, tem contato com as artes cênicas e o filme em super 8. Cursa Sociologia na Universidade de São Paulo (USP), onde realiza seu primeira curta-metragem, o documentário Parada Geral (1975), codirigido pelo cineasta e amigo de infância Roberto Gervitz (1957). Em 1977, a dupla realiza o curta A História dos Ganha-Pouco e, dois anos depois, o longa documental Braços Cruzados, Máquinas Paradas. Em 1977, Toledo trabalha como assistente de montagem de Maurício Wilke, em O Jogo da Vida, e como montador em Paixão e Sombras. Em 1982, exerce a mesma função em Das Tripas o Coração e em filmes publicitários. Nesse ano, funda a produtora Nexus Cinema e Vídeo com Rita Buzzar (1961). Em 1986, produz, dirige e escreve o longa de ficção Vera, ganhador do Urso de Prata para a atriz Ana Beatriz Nogueira (1967) no Festival de Berlim, em 1987, e de vários prêmios no Festival de Brasília de 1986. Trabalha como diretor nos canais televisivos HBO, TVS, Channel 4 e TV1. Em 1991, realiza o telefilme britânico One Man’s War (A Guerra de um Homem). Pouco depois, abandona o cinema. Funda, com o primo Oscar Segall (1964), a construtora Klabin Segall S.A., incorporada em 2009 pelas empresas Agra e Veremonte, como forma de saldar as dívidas.

Análise

Formado em Sociologia e filho de pais socialmente engajados, Sérgio Toledo produz um cinema político. Acompanha os grevistas na USP em Parada Geral; dois candidatos a vereador e moradores da periferia de Osasco em A História dos Ganha-Pouco; o processo eleitoral do sindicato dos metalúrgicos em São Paulo e a eclosão da primeira greve sindical em 14 anos na cidade, em Braços Cruzados, Máquinas Paradas. O filme, rodado com pouco dinheiro, em preto e branco e em 16 mm, segue a linha do cinema verité (cinema verdade): um documentário, com construção narrativa de tipo ficcional, criada a partir da montagem aliada a encenações para efeito dramático (caso do momento em que os operários efetivamente param).

Em Vera, Toledo ainda confere cunho político e social ao enredo: uma trama existencial sobre a identidade de uma garota que cresce num orfanato para mulheres e desenvolve personalidade masculina. A personagem rejeita a noção de feminilidade e deseja trocar de sexo – única maneira pela qual, acredita, poderá resolver seus problemas. O enredo é uma reação contra a sociedade que rejeita a mulher que se sente homem. Toledo concebe Vera com competência técnica acima da média em sua época, com fotografia cheia de recortes de luz e de closes e trilha sonora dissonante.

O diretor volta ao tema político em A Guerra de um Homem, filme baseado em fatos reais, que mostra a luta do médico paraguaio Joel Filártiga (1932) contra o regime militar do país.

Nota

1. Sérgio Toledo não assina o nome Segall a partir Vera, por conta de um Sérgio Segall diretor e produtor da Boca do Lixo com quem não quer ser confundido. Cf. STYCER, Maurício. Um cineasta de carne e osso. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 2 nov. 1986. Caderno 2, p. 3.

Obras 2

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Fontes de pesquisa 11

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  • AB’SABER, Tales Afonso Muxfeldt. A imagem fria: cinema e crise do sujeito no Brasil dos anos 80. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. p. 61-108.
  • BERNARDES, Marcelo. Ator ensina que atuar é ser verdadeiro. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 jan. 1997. Caderno 2, p. D-9.
  • BERNARDES, Marcelo. Fernanda Torres e Hopkins na TV. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 24 out. 1993. Telejornal, p. T-15.
  • BERNARDET, Jean-Claude. Os Jovens Paulistas. In. XAVIER, Ismail.; BERNARDET, Jean-Claude.; PEREIRA, Miguel. O desafio do cinema: a política do Estado e a política dos autores. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985.
  • BILHARINHO, Guido. Vera: espaço e tempo. O Cinema Brasileiro nos Anos 80. Uberaba: Instituto Triangulino de Cultura, 2002. p.151-153.
  • CANÇADO, Patrícia. Agra e empresário espanhol assumem a Klabin Segall. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 28 abr. 2009. Negócios, p. B-16.
  • FERNANDES, Carminha. A porção homem de uma menina-moça. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 30 abr. 1987., Caderno 2, p. 1.
  • FUTEMMA, Olga. Os trabalhadores e a estrutura sindical. Filme Cultura, Rio de Janeiro, n. 46, abr. 1986. p. 8-17.
  • MIRANDA, Luiz Fernando. Dicionário de cineastas Brasileiros. São Paulo: Art: Secretaria de Estado de São Paulo, 1990.
  • RAMOS, Fernão (Org.). História do cinema brasileiro. São Paulo: Art, 1987.
  • RAMOS, Fernão Pessoa; MIRANDA, Luiz Felipe (Orgs). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2000.

Como citar

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