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Música

Walter Silva

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.05.2018
07.03.1933 Brasil / São Paulo / São Paulo
27.02.2009 Brasil / São Paulo / São Paulo
Walter Silva (São Paulo, São Paulo, 1933 - Idem, 2009). Jornalista, radialista e produtor musical. Inicia carreira radiofônica em 1952, como locutor comercial da emissora paulistana Piratininga. Nos anos seguintes, trabalha nas rádios Marabá (Mogi das Cruzes, SP), Cultura (São Paulo), Mayrink Veiga, Mundial e Nacional (Rio de Janeiro). Nelas, de...

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Biografia

Walter Silva (São Paulo, São Paulo, 1933 - Idem, 2009). Jornalista, radialista e produtor musical. Inicia carreira radiofônica em 1952, como locutor comercial da emissora paulistana Piratininga. Nos anos seguintes, trabalha nas rádios Marabá (Mogi das Cruzes, SP), Cultura (São Paulo), Mayrink Veiga, Mundial e Nacional (Rio de Janeiro). Nelas, desempenha diversas funções: locutor, apresentador, repórter, divulgador e redator. Em 1956, torna-se diretor de divulgação da gravadora RGE em São Paulo. Lança, na Rádio Record, o primeiro programa de disc jockey (DJ) no Brasil, o Toca do Disco.

De 1958 a 1962, comanda o programa musical O Pickup do Pica-Pau na Rádio Bandeirantes e, depois, na Excelsior. O nome faz referência ao desenho animado norte-americano Woody Woodpecker, com o efeito sonoro característico do personagem usado como vinheta de passagem entre as músicas veiculadas. Devido ao nariz proeminente e ao sucesso do programa, Walter é apelidado de Pica-Pau pelo narrador Aurélio Campos (1914-1981), da TV Tupi.

A partir de 1956, atua na indústria do disco e na área de espetáculos. Nas gravadoras RGE, Continental, Chantecler e RCA produz gravações de artistas como o compacto simples Pedro Pedreiro (1965), de Chico Buarque (1944) e o  LP Walter Franco ou Não, (1973), de Walter Franco (1945). Além deles, o LP Maria Alcina (1973), de Maria Alcina (1949) e o LP  O Romance do Pavão Mysteriozo (1974) de Ednardo (1945).

Entre os shows que levam sua assinatura, estão Mens Sana in Corpore Samba (1964) com Chico Buarque, Taiguara (1945-1996) e Toquinho (1946), e Dois na Bossa (1964) com Elis Regina (1945-1982), Jair Rodrigues (1939-2014) e o conjunto Jongo Trio, ambos realizados com sucesso no Teatro Paramount, em São Paulo.

Na televisão, produz e dirige musicais na Record (Mixturação, 1973), Bandeirantes (Mambembe, 1974) e Globo (Fantástico, 1975).

Nos anos 1980, antes de se aposentar como locutor em 1987, atua na  Rádio Cultura, produzindo e apresentando os programas Quais as Músicas que Fizeram sua Cabeça, Música Popular Walter Silva e Musicultura. Como jornalista, escreve coluna sobre música no jornal Folha de S.Paulo, de 1971 a 1981, e, depois de se aposentar, para o Diário do Grande ABC e Jornal da Tarde, entre outros.

Análise

A passagem de 1950 para 1960 marca a transformação da música brasileira com a bossa nova, a jovem guarda e a tropicália, com cantores, instrumentistas e compositores ligados a essas novas estéticas. O período revela, também, uma geração de radialistas especializados em música popular. Entre os profissionais do momento, destacam-se Henrique Lobo, Humberto Marçal (1936-1992), Fausto Canova (1930-2009) e Walter “Pica-Pau” Silva.

“Eles formavam uma elite de apresentadores e programadores musicais nunca antes igualada nas rádios paulistas, mantendo um compromisso com o que anunciavam, mostrando discernimento e independência no que escolhiam para seus programas”, explica o jornalista Zuza Homem de Mello (1933).

Silva é um dos responsáveis por renovar a função de disc jockey. Entrevistando artistas com habilidade e demonstrando conhecimento ao falar de música, transforma O Pickup do Pica-Pau no programa de maior audiência do gênero. O programa começa na Rádio Bandeirantes, de 1958 a 1962,  e passa pelas emissoras Excelsior, Piratininga, Record, Tupi e Nacional.

O apresentador é pioneiro na divulgação da bossa nova em São Paulo e, como formador de opinião, contribui para o sucesso do compacto Desafinado, de João Gilberto (1931). “O Pica-Pau parecia estar empenhado numa campanha política, de tanto que repetia e elogia o disco”, lembra Homem de Mello. Em 1962, Silva é o único radialista a transmitir o concerto bossanovista do Carnegie Hall, em Nova York, pela Rádio Bandeirantes.

Como produtor de discos e de espetáculos, demonstra a mesma capacidade para a descoberta do novo, apostando em artistas como Ednardo, Maria Alcina e Walter Franco.

Obras 2

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Exposições 1

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Fontes de pesquisa 5

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  • INSTITUTO MEMÓRIA MUSICAL BRASILEIRA. Disponível em: < http://www.memoriamusical.com.br >. Acesso em: 20 fev. 2014.
  • MELLO, Zuza Homem de. A era dos festivais: uma parábola. São Paulo: Editora 34, 2003.
  • SILVA, Walter. Vou te contar: Histórias da música popular brasileira. São Paulo: Códex, 2002.
  • VIANNA, Luiz Fernando. Walter Silva popularizou a bossa nova. In: Folha de S.Paulo, São Paulo, 2 mar. 2009. Ilustrada.
  • WALTER SILVA. Site oficial. Disponível em: < http://www.waltersilvapicapau.com.br >. Acesso em: 19 mar. 2014.

Como citar

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