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Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

Viviane Ferreira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.03.2022
1985 Brasil / Bahia
Viviane Ferreira da Cruz (Salvador, 1985). Diretora, roteirista e produtora. Segunda mulher negra a dirigir um longa-metragem de ficção no Brasil, Viviane Ferreira se dedica a fazer cinema para contribuir com as lutas de combate ao racismo.

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Viviane Ferreira da Cruz (Salvador, 1985). Diretora, roteirista e produtora. Segunda mulher negra a dirigir um longa-metragem de ficção no Brasil, Viviane Ferreira se dedica a fazer cinema para contribuir com as lutas de combate ao racismo.

Nascida no bairro de Coqueiro Grande, periferia de Salvador, Bahia, desde a infância é incentivada a experimentar várias formas e linguagens artísticas e a circular por ambientes diversos. Inicia a carreira nas artes plásticas, das quais desiste para montar um grupo de teatro com os amigos do bairro e se apresentar em terreiros, igrejas e bares. Assistindo a filmes na televisão aberta e nas fitas de VHS locadas, se interessa pelo processo de produção das obras cinematográficas. Sua mãe sugere a inscrição no curso de Cinema, TV e Vídeo da Cipó – Comunicação Interativa, organização não governamental que promove o desenvolvimento e a participação cultural de crianças e jovens em Salvador. Ao mesmo tempo, a mãe manicure lhe ensina a fazer unhas para garantir que a filha saiba realizar um trabalho manual que lhe garanta a sobrevivência em caso necessidade.

Ainda adolescente, Viviane frequenta aulas de cavaquinho e inicia o curso de teatro no Programa de Educação para Igualdade Racial e de Gênero (Ceafro), no centro de Salvador. Nesse local de formação voltada para jovens negras, o cineclubista Luiz Orlando da Silva (1945-2006) lha apresenta filmes de cineastas negros, como os brasileiros Zózimo Bulbul (1937-2013) e Joel Zito Araújo (1954) e o senegalês Ousmane Sembène (1923-2007). 

Aos 19 anos, muda-se para São Paulo e frequenta o curso de Cinema na Escola de Cinema e Instituto Stanislavsky e de Direito na Universidade Paulista (Unip), este último para cumprir uma promessa que faz à mãe. Bolsista do Programa Universidade para Todos (Prouni), apresenta como monografia de conclusão do curso de Direito o trabalho A aplicabilidade dos princípios constitucionais de igualdade e razoabilidade pelo Estado brasileiro, à luz da diversidade étnico racial: uma análise do edital Curta Afirmativo na garantia do direito à cultura. Especializa-se em Direito Público, com foco em Direito Autoral e Cultural, e obtém o título de mestre em Políticas de Comunicação e Cultura com a pesquisa intitulada Cinemas negros: jornadas em busca de modelos de negócios viáveis às mulheres negras, pela Universidade de Brasília (UnB).

Em 2008, funda a Odun Filmes, produtora sediada em São Paulo e Salvador e focada na produção audiovisual atenta aos pertencimentos raciais e de gênero das pessoas colaboradoras e das personagens dos seus conteúdos. Pela Odun, dirige, entre outros, os documentários de curta-metragem Dê sua ideia, debata! (2008) e Peregrinação (2014) e o curta de ficção O Dia de Jerusa (2014).

O tempo e a oralidade marcam a estética de suas produções, sobretudo pela figura do griot ou da griotte – representante mais velho que transmite os valores da comunidade pela tradição oral –, que compõe o campo do imagético vinculado à ancestralidade no cinema de Viviane Ferreira e marca a resistência das culturas africanas na diáspora.

O curta O Dia de Jerusa tem destaque na produção da cineasta, exibido no Festival de Cannes em 2014. Composto por um elenco integralmente negro, o filme trata dos valores das relações intergeracionais e da memória dessa população. Seu enredo surge das observações do cotidiano da diretora ao circular pelas ruas de São Paulo e conhecer uma senhora que reclama da ausência dos filhos em sua vida. A narrativa trata do encontro entre a idosa Jerusa, interpretada por Lea Garcia (1933), moradora solitária do Bixiga, e Sílvia, representada por Débora Marçal, jovem que circula pelo tradicional bairro paulistano fazendo pesquisa de opinião sobre sabão em pó. 

Em 2016, dando continuidade a sua ação política no cinema e na cultura, participa da fundação Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), instituição de fomento, valorização e divulgação de realizações audiovisuais protagonizadas por negras e negros bem como de promoção desses profissionais no setor audiovisual. Segundo Viviane: “a gente entendeu que não fazia sentido ser uma organização de roteiristas, de diretores ou de produtores, porque a questão identitária, ela era, do ponto de vista racial, era o que nos unia. Quando você fala da manifestação do racismo, ele se manifesta em todos os elos da cadeia”1. Em 2020, baseado no curta O dia de Jerusa, Viviane dirige o longa Um dia com Jerusa, tornando-se a segunda mulher negra a dirigir um longa-metragem de ficção no Brasil – a primeira é Adélia Sampaio (1944) com Amor maldito (1984).

A obra de Viviane Ferreira articula o cinema negro como a atuação compromissada politicamente em desconstruir estereótipos racistas por meio da coletividade e da multiplicidade de narrativas.

Notas

1. Fala de Viviane Ferreira em entrevista concedida a Lygia Pereira dos Santos Costa. “O lugar onde eu aprendi a pensar audiovisualmente foi  um terreiro: entrevista com Viviane Ferreira”. Verberenas, v. 7, n. 7, 2021. Disponível em: https://www.verberenas.com/article/o-lugar-que-eu-aprendi-a-pensar-audiovisualmente-foi-num-terreiro-entrevista-com-viviane-ferreira/. Acesso em: 1 out. 2021.

Exposições 1

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