Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Renata Felinto

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 19.01.2021
1978 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico Marcus Leoni

Renata Felinto, 2020

Renata Aparecida Felinto dos Santos (São Paulo, São Paulo, 1978). Artista visual, pesquisadora, educadora, escritora, performer e ilustradora. Suas obras se fundamentam na questão da identidade negra feminina e, por meio de diferentes linguagens, questionam construções estéticas e culturais. A artista também se destaca pelo exercício da arte-edu...

Texto

Abrir módulo

Renata Aparecida Felinto dos Santos (São Paulo, São Paulo, 1978). Artista visual, pesquisadora, educadora, escritora, performer e ilustradora. Suas obras se fundamentam na questão da identidade negra feminina e, por meio de diferentes linguagens, questionam construções estéticas e culturais. A artista também se destaca pelo exercício da arte-educação em universidades e instituições de cultura.

Felinto inicia sua formação no Sigbol Fashion Institute, em São Paulo, onde estuda desenho de moda, de 1994 a 1996. Em 2001, forma-se no bacharelado em artes visuais do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (IA/UNESP). Desde então, seus trabalhos vinculam-se à arte-educação.

Ainda em 2001, desenvolve a série Re-Existindo (2001-2003), que reúne fotomontagens construídas com álbuns fotográficos de famílias negras paulistanas. O pensamento sobre os ambientes de sociabilidade das famílias é uma questão central na elaboração do trabalho, que confere à artista sua primeira exposição individual, no Centro Permanente de Exposições de Arte Prof. José Ismael, em Guarulhos, São Paulo.

Felinto torna-se mestra em artes visuais pelo IA/UNESP em 2004, ano em que ingressa no Museu Afro Brasil como educadora. Mais tarde, passa a coordenar o setor educativo da instituição, onde permanece até 2011. A experiência lhe permite revisar sua biografia e aprofundar-se na pesquisa sobre questões étnico-raciais. Em 2005, licencia-se em artes pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo; no ano seguinte, idealiza sua empresa independente Cubo Preto, com o objetivo de difundir conhecimentos sobre história da arte geral e brasileira, especialmente a que provém da matriz africana no Brasil. Torna-se especialista em curadoria e educação em museus de arte contemporânea pela Universidade de São Paulo. Mais tarde, integra o conselho editorial da revista de afro-brasilidades O Menelick 2º Ato, idealizada pelo jornalista José Nabor Júnior (1982), em 2010.

Entre 2010 e 2018, desenvolve a série Afro Retratos, na qual, ao pintar sua própria imagem, representa mulheres de outros povos e culturas, vestindo identidades que extrapolam os estereótipos impostos às pessoas negras. Na obra, estabelece ligações entre sua autoimagem e outros entendimentos do que é ser mulher e recusa a tradição da pintura tradicional, fundindo técnicas de desenho, pintura e colagem.

Ao lidar com características e adornos femininos de cada cultura representada, cria reflexões sobre os fatores que influenciaram a construção de sua história e identidade como mulher negra brasileira. O trabalho alude a um mundo globalizado, onde a pluralidade de saberes e modos de ser constroem uma experiência singular do indivíduo contemporâneo: este, com sua ancestralidade, é reconfigurado por influências externas. A obra lhe confere grande visibilidade e quatro exposições individuais.

Como educadora, Felinto trabalha em 2015 no curso de pós-graduação em história da arte do Centro Belas Artes de São Paulo, lecionando arte e cultura africana. Em 2016, torna-se doutora em artes visuais pelo IA/UNESP. Em seguida, muda-se para Crato, na região do Cariri Cearense, onde ingressa na Universidade Regional do Cariri como professora adjunta. Lá, torna-se líder do grupo de pesquisa NZINGA – Novos Ziriguiduns (Inter)Nacionais Gerados na Arte – e conduz o projeto de pesquisa YABARTE – Processos Gestacionais na Arte Contemporânea a Partir dos Fazeres e Pensares Negros Femininos. O projeto tem o objetivo de visibilizar a produção de mulheres nos diversos setores artísticos, por meio de narrativas não hegemônicas.

Em seu trabalho Também Quero Ser Sexy (2012), composto por pinturas, fotografias e performances, propõe uma discussão sobre os padrões de beleza impostos pela sociedade ocidental contemporânea, fortalecidos por ícones da cultura de massa que influenciam negativamente a autoestima e a autoimagem de mulheres não brancas.

Faz parte desse projeto a performance White Face and Blonde Hair, na qual a artista usa o travestismo corporal para criar uma representação de si oposta ao seu fenótipo negro. Na ação, utiliza peruca loira, maquiagem mais clara que seu tom de pele e anda ostensivamente pela rua Oscar Freire, em São Paulo, subvertendo as noções de raça e classe. Há no trabalho uma reflexão sobre a presença do corpo negro nos espaços públicos elitizados e uma crítica ao blackface, recurso amplamente utilizado por atores e atrizes brancos, desde o início do século XX, para representar e, por vezes, satirizar personagens negros.

Em Axexê de A Negra ou o Descanso das Mulheres que Mereciam Serem Amadas (2017), uma ação performática representa o enterro de mulheres negras que serviram de amas de leite durante a escravidão. Criticando a exploração e a discriminação de pessoas negras por famílias tradicionais brasileiras, a artista lança fotografias à terra, devolvendo a ela a vida dessas mulheres, em um gesto simbólico. O trabalho é apresentado na 44ª Feira Internacional de Arte Contemporânea – FIAC (2017) e na exposição Histórias Afro-Atlânticas (2018).

Pelo trinômio artes visuais, feminino e arte negra/afrodescendente/afro-brasileira, Felinto reescreve uma história da arte que diverge da historiografia existente, tornando-se um nome expressivo entre artistas e pesquisadores brasileiros.

Exposições 7

Abrir módulo

Mídias (1)

Abrir módulo
Renata Felinto – Série Cada Voz (2020)
Renata Felinto fala sobre a presença de suas obras fora das galerias de arte, permitindo que as pessoas criem conexões entre seu trabalho e o cotidiano, suas trajetórias e suas vivências. O interesse pelo universo artístico desde a infância, incentivado pela família, foi alimentado por meio de oficinas de arte.

Renata critica a expectativa sobre o "fazer certo" da arte oferecido no ensino formal e com o qual se deparou diversas vezes em sua formação. Recusando a representação clássica das formas humanas e da cor da pele em suas obras, ela reflete sobre a influência que a rigidez formal pode gerar no desenvolvimento de novos artistas.

ITAÚ CULTURAL
Presidente Alfredo Setubal
Diretor Eduardo Saron
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Produção de conteúdo: Camila Nader
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Produção audiovisual: Letícia Santos
Edição de conteúdo acessível: Richner Allan
Direção, edição e fotografia: Marcus Leoni
Assistência e montagem: Renata Willig
Assistência de fotografia: Martha Salomão
Intérprete de Libras: Thalita Passos (terceirizada)

O Itaú Cultural (IC), em 2019, passou a integrar a Fundação Itaú para Educação e Cultura com o objetivo de garantir ainda mais perenidade e o legado de suas ações no mundo da cultura, ampliando e fortalecendo seu propósito de inspirar o poder criativo para a transformação das pessoas.

Fontes de pesquisa 8

Abrir módulo
  • ARAÚJO, Emanoel (Org.). A mão afro-brasileira. 2. ed., rev. e ampl. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo: Museu Afrobrasil, 2010, v. 2.
  • BISPO, Alexandre Araújo; LOPES, Fabiana. Presenças: a performance negra como corpo político. Haarper’s Bazaar Art. São Paulo, abr. 2015.
  • BISPO, Alexandre Araújo; SANTOS, Renata. A. F. Arte afro-brasileira para quê. O Menelick 2º Ato, São Paulo, 1 mar. 2014.
  • CUBO PRETO. Site oficial da empresa. Disponível em: http://cubo-preto.blogspot.com/p/o-que-e-cubo-preto.html. Acesso em: 15 dez. 2018.
  • FELINTO, Renata. Afro Retratos. Blog da artista. Disponível em: < https://afroretratos.wordpress.com/ >. Acesso em: 9 out. 2016.
  • FELINTO, Renata. White face, blonde hair. Videoperformance. São Paulo, 2012. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=r1WqvnAhE6Q >. Acesso em: 9 out. 2016.
  • ITAÚ CULTURAL. Renata Felinto – Diálogos ausentes. Depoimento da artista. Entrevista a Gabriel Carneiro. Produção de Camila Fink. São Paulo, 2016. Vídeo (10 min 45 seg). Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=wUJtYSrpAV8 >. Acesso em: 9 out. 2016.
  • SANTOS, Renata Aparecida Felinto dos. Mulheres negras e a arte: poéticas da resistência. (No prelo).

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: