Artigo da seção pessoas Pavla Lidmilová

Pavla Lidmilová

Artigo da seção pessoas
Literatura  
Data de nascimento dePavla Lidmilová: 02-02-1932 | Data de morte 25-01-2019

Pavla Lidmilová (Zlín, Tchecoslováquia, 1932 - Praga, República Tcheca, 2019). Tradutora, pesquisadora e escritora. Responsável por traduzir para o tcheco diversas obras da moderna literatura brasileira, é reconhecida por traçar, pela primeira vez na cultura tcheca, o panorama das literaturas lusófonas.

Através de artigos publicados na imprensa, além de traduções de livros, trechos de romances e contos comentados e publicados em revistas literárias, introduz aos tchecos importantes nomes da literatura brasileira, portuguesa e angolana. É autora em obras coletivas sobre literaturas latino-americanas, como dicionários e enciclopédias, e de trabalhos acadêmicos sobre escritores brasileiros.

Forma-se em filologia tcheca e espanhola pela Faculdade de Letras da Univerzita Karlova [Universidade Carolina], Praga. Em 1959, começa a trabalhar na Radiodifusão Internacional Tchecoslovaca. Lá, aprende português com colegas brasileiros. Sua única formação lusitanista ocorre em 1966, num curso de verão da Universidade de Coimbra.

Na Tchecoslováquia, que havia conhecido a primeira obra de literatura brasileira em 1934, Pavla torna-se fundadora da moderna tradução tcheca das literaturas de língua portuguesa. Traduz, em 1968, a poesia de Fernando Pessoa (1888-1935) e, em 1971, aventura-se na literatura brasileira, com a tradução de Grande Sertão: Veredas (1956), de Guimarães Rosa (1908-1967). Prossegue com Clarice Lispector (1920-1977), ao traduzir, em 1973, Perto do Coração Selvagem (1943).

Durante o regime fechado de um país do bloco socialista, numa época de relações diplomáticas cortadas e difícil acesso a produções literárias estrangeiras, Pavla consegue manter contato com o mundo lusófono por meio de correspondências com dezenas de autores. Forma laços de amizade e obtém obras inacessíveis, de escritores como Lygia Fagundes Telles (1923), Guimarães Rosa, Rubem Fonseca (1925) e Sérgio SantʼAnna (1941).

Com sensibilidade no reconhecimento do valor literário, traduz autores ainda pouco estimados na época, como Murilo Rubião (1916-1991). Numa obra de tradução vasta, transpõe a realidade brasileira para a cultura tcheca por meio de cautelosas adaptações linguísticas. Progressivamente descobre maneiras de incluir palavras brasileiras numa língua de declinações, sem comprometer a fluência das frases e a compreensibilidade do texto (assim, “Campos Gerais”, por exemplo, torna-se “Geraisy”, palavra em plural declinável). Pavla também tem papel decisivo na recusa majoritária da grafia “boemizada” de palavras intraduzíveis (“jagunço” em vez de “žagunso”).

De 1963 a 1992, ela atua na Academia Tchecoslovaca das Ciências como pesquisadora de literaturas de língua portuguesa. Além de artigos em revistas especializadas, publica textos em manuais enciclopédicos, contribuindo para a divulgação das literaturas de língua portuguesa. Em 1972, doutora-se pela Faculdade de Letras da Univerzita Karlova, com a tese A evolução da ficção regionalista brasileira e a contribuição de João Guimarães Rosa.

O trabalho consta de duas partes. A primeira, descritiva, faz um panorama da história da literatura regionalista, de José de Alencar (1829-1877) a Graciliano Ramos (1892-1953). A segunda, interpretativa, tem seu ponto mais original na comparação entre os meios expressivos de Guimarães Rosa e Vladimír Holan (1905-1980), poeta tcheco com fama de hermético.

Pavla viaja pela primeira vez ao Brasil em 1984. Na ocasião, publica Alguns temas da literatura brasileira (1984), uma coletânea de estudos publicados entre 1967 e 1978 em revistas tchecoslovacas especializadas. Além de estudos sobre indianismo brasileiro e sobre as transformações da ficção regionalista no Brasil, parte substancial da sua tese doutoral, o livro focaliza a literatura contemporânea, seu tema de interesse mais profundo e duradouro.

Depois do afastamento por doença e da morte de Zdeněk Hampl (1929-1986), tradutor e fundador de estudos luso-brasileiros na Faculdade de Letras da Univerzita Karlova, Pavla torna-se e permanece por alguns anos como única pesquisadora tcheca profissional das literaturas de língua portuguesa. Traduz 34 livros da literatura brasileira, publica dezenas de traduções de narrativas curtas e partes de livros em revistas literárias tchecas. É autora de inúmeros posfácios e artigos sobre autores portugueses e brasileiros publicados na imprensa.

Em 1992, sua tradução de Água viva (1973), de Clarice Lispector, rende-lhe o Prêmio da Associação de Tradutores Tchecos. Em 1994, é eleita Personalidade Cultural Internacional da União Brasileira de Escritores e recebe, de Portugal, a Ordem do Infante D. Henrique de grau Comendador. Em 2001, recebe a Ordem de Rio Branco de grau Cavaleiro e, em 2005, o Prêmio de Tradução do Estado Tcheco, pela obra de toda a vida.

Outras informações de Pavla Lidmilová:

  • Habilidades
    • Tradutora

Obras de Pavla Lidmilová: (1) obras disponíveis:

Fontes de pesquisa (4)

  • GRAUOVÁ, Šárka. Překladatelka Pavla Lidmilová. Plav (Praga), n. 8, 2012. Disponível em: http://www.svetovka.cz/archiv/2012/07-2012-portret.htm. Acesso em: 30 mar. 2019.
  • GRAUOVÁ, Šárka. Traduzindo a literatura brasileira para o tcheco: entrevista com Pavla Lidmilová. Revista do IEB, São Paulo, n. 43, p. 177-183, set. 2006.
  • MAURÍCIO, José. Esta é Pavla Lidmilová, intérprete da literatura brasileira no país de Kafka. Estado de Minas, Belo Horizonte, 13 out. 1987.
  • PAVLA LIDMILOVÁ. Disponível em: https://www.databaze-prekladu.cz/prekladatel/_000001600. Acesso em: 30 mar. 2019.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • PAVLA Lidmilová. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa637288/pavla-lidmilova>. Acesso em: 21 de Jan. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7