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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Gê Viana

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 05.09.2022
1986 Brasil / Maranhão / Santa Luzia
Geane Viana de Sousa (Santa Luzia, Maranhão, 1986). Fotógrafa, performer, pesquisadora. Suas obras são marcadas pela crítica à cultura hegemônica e pelo uso de diversas técnicas artísticas, como a fotografia, a colagem e o "pixo"1

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Geane Viana de Sousa (Santa Luzia, Maranhão, 1986). Fotógrafa, performer, pesquisadora. Suas obras são marcadas pela crítica à cultura hegemônica e pelo uso de diversas técnicas artísticas, como a fotografia, a colagem e o "pixo"1

Nascida no povoado Centro de Dede, em Santa Luzia (Maranhão), cresce na divisa entre as regiões Norte e Nordeste, rodeada por territórios e culturas indígenas: o Caru e o Alto Turiaçu, habitado pelas etnias Awa Guajá, Ka'apor e Tembé. Caçula de dois irmãos, filha de agricultor e empregada doméstica, aos 12 anos migra com a família para a capital maranhense. 

Forma-se no Centro de Artes Cênicas do Maranhão e começa a ministrar oficinas e a participar de espetáculos como intérprete, criadora e produtora. Desde jovem, transita pelo mundo da pichação. Sua relação com essa expressão artística se mostra ora na tentativa de ocupar diretamente as ruas da cidade, ora incorporando a técnica na produção de obras destinadas a espaços expositivos tradicionais. 

Entre 2009 e 2011, participa da peça O escravocrata, premiada no Festival Maranhense de Teatro Estudantil; realiza a residência "Projeto Vivências Artivismo, Corpo&Anticorpo", no Teatro de Operações, no Rio de Janeiro; integra o elenco de O fingidor em experimentações, em cartaz no Festival Fringe de Teatro de Curitiba, no X Encontro Humanístico e na IV Feira do Livro, esses dois últimos em São Luís. 

Em 2010, cria a mostra fotográfica Um Olhar – Novas Perspectivas, para a pré-Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE). Ao retratar casarões abandonados, suas obras abordam as mudanças do espaço urbano. A partir desse projeto, inicia seu primeiro espetáculo solo, Abre e fecha – Uma alegoria 3x3, pelo qual ganha o prêmio do Júri Técnico do Salão de Artes Plásticas de São Luís em 2012. 

Em 2014,desenvolve o projeto editorial "Assim fica claro: roubo, colo e pixo!", para a revista Insight Photo. Nesse trabalho, conjuga retratos antigos e fotografias de casas localizadas em bairros pobres e periféricos. As imagens têm por objetivo explicitar a complexidade de visões sobre a miséria, pois, apesar do contexto habitacional precário, os retratados se divertem. Em 2015, o projeto ganha o Prêmio do Júri Técnico do Salão de Artes Plásticas de São Luís e é exposto na Galeria Trapiche, equipamento cultural da prefeitura da capital maranhense. 

A residência com o coreógrafo Marcelo Evelin (1962) e a relação mais intensa com o “pixo” marcam esse período. Em 2016, a residência resulta na obra Batucada, contemplada com o Prêmio Funarte de Dança Klauss Viana, com estreia nacional em Teresina, Piauí. O projeto possibilita que a artista mescle dança e pichação como modalidade de expressão corporal. No ano seguinte, cria a performance Corpografias do pixo, exibida no Junta – Festival Internacional de Dança, também na capital piauense. Com colaboração da coreógrafa e bailarina Márcia de Aquino, ambas reescrevem as narrativas e caligrafias urbanas, para demonstrar a possibilidade de mulheres se sentirem livres no espaço público.

Ainda em 2017, trabalha na série Paridade, utilizando a técnica de fotomontagem para abordar o reencontro com a cultura indígena. No projeto, busca traçar semelhanças entre indivíduos indígenas do passado e do presente. A série também denuncia os estereótipos e o genocídio dos povos originários. As obras consistem de lambe-lambes colados em muros de centros urbanos. O projeto é exposto de forma individual na Galeria de Arte Sesc, em São Luís, em 2017; e nas coletivas Valongo Festival Internacional de Fotografia de Santos (São Paulo), em 2017, e Festival de Fotografia de Tiradentes (Minas Gerais), em 2018.

Contemplada com o prêmio de residência artística do Programa Bolsa Pampulha, desenvolve, entre 2018 e 2019, pesquisas sobre a cultura da cana-de-açúcar e do canavial e sobre as possibilidades de ressignificação sócio-histórica desses elementos: a artista propõe construção de objetos nos quais a cana-de-açúcar e o cristal selenita se transformam em adereços utilizados por mulheres periféricas, como símbolo de poder e transformação social. A performer Eliza Afrofuturista é convidada para posar em um canavial e representar o poder de cura de tais ornamentos.

Em 2019, ano de sua graduação em Artes Visuais pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Corpografias do pixo é selecionada para a mostra coletiva À Nordeste, no Sesc 24 de Maio, em São Paulo, com obras de mais de 160 artistas. Também são incluídos seis lambe-lambes de Paridade na exposição. No mesmo ano, participa do 36º Panorama da Arte Brasileira, intitulado Sertão, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), com o trabalho Retiro de caça ou um outro capelobo. Nessa obra, seu corpo nu, rodeado de cães de caça em uma mata, denuncia a violência de homens brancos ao laçarem, raptarem e estuprarem mulheres indígenas. Na mitologia maranhense, o capelobo é um lobo com corpo de homem e focinho de tamanduá, um ser que habita esse lugar de caça. A artista constrói seu próprio capelobo para evocar a história de violências contra mulheres nativas e gerar uma nova mitologia de proteção às vítimas.

Em Sapatona, de 2020, intensifica a pesquisa sobre a sexualidade, conferindo um tom de felicidade e amor às colagens para combater a lesbofobia e a transfobia. No mesmo ano, é vencedora do Prêmio Pipa, coroando uma trajetória que articula outras narrativas protagonizadas por mulheres para abarcar toda sua complexidade social, cultural e subjetiva. 

A artista maranhense Gê Viana articula as linguagens do teatro, da performance, da fotografia, da fotocolagem e da pichação para abordar sua experiência de mulher periférica de ascendência indígena, tematizando os marcos identitários de gênero, raça e orientação sexual para oferecer narrativas contra-hegemônicas da arte e da história brasileiras.

Notas

1. Pixo, termo equivalente à pichação e forma como a própria artista denomina seu trabalho.

 

Exposições 3

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