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Música

Louis Moreau Gottschalk

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.05.2019
1829 Estados Unidos / Louisiana / New Orleans
1869 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Louis Moreau Gottschalk (New Orleans, Estados Unidos 1829 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1869). Compositor e pianista. Primeiro dos oito filhos de um mercador londrino de origem germânica e mãe francesa, mostra aptidão para a música pouco antes dos quatro anos de idade, sendo levado pelo pai para a França, para aperfeiçoamento, aos 12. Estuda...

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Biografia

Louis Moreau Gottschalk (New Orleans, Estados Unidos 1829 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1869). Compositor e pianista. Primeiro dos oito filhos de um mercador londrino de origem germânica e mãe francesa, mostra aptidão para a música pouco antes dos quatro anos de idade, sendo levado pelo pai para a França, para aperfeiçoamento, aos 12. Estuda com Charles Halle (1819-1895) e Camille Marie-Stamaty (1811-1870). Pouco antes do 16. aniversário, em 1845, dá aclamado recital na Sala Pleyel, em Paris, com seu talento sendo reconhecido por Frédéric Chopin (1810-1849). A partir de 1849, sua obra torna-se conhecida, graças a peças de forte sonoridade caribenha, como Bamboula, La Savane, Le Bananier e Le Mancenillier. Depois de bem-sucedidas turnês europeias, volta para seu país natal, em 1853. Em 1857, realiza concertos pelo Caribe, ao lado da jovem soprano espanhola Adelina Patti - então, com apenas 14 anos de idade. Posteriormente, faz uma  turnê que começa no Panamá, em 1865, e percorre a América do Sul, passando por Peru, Chile, Uruguai e Argentina, até chegar, em maio de 1869, ao Rio de Janeiro, onde promove concertos gigantescos, envolvendo cerca de 650 intérpretes. Infectado pela malária, morre na capital brasileira em dezembro do mesmo ano - aparentemente, devido a overdose de quinino. Em 1870, seus restos mortais são desenterrados do cemitério São João Batista e sepultados no Greenwood Cemetery, em Nova York.

Análise

Nas palavras de Harold C. Schonberg, Gottschalk emprega "ritmos picantes de tango e rumba" em sua música1, e o musicólogo Gerard Béhague aponta que o exemplo de Gottschalk "deve ter impressionado profundamente os compositores jovens, já que a introdução de elementos populares na música erudita certamente não era comum naquela época"2. Béhague assinala que 1869, ano da vinda do pianista norte-americano ao Brasil, é também a data de publicação de A Sertaneja, de Brasílio Itiberê da Cunha, para piano solo, primeira composição nacionalista brasileira.

Tido como pai-fundador do choro, o flautista Joaquim Callado atua, em 1869, em um dos concertos de Gottschalk no Teatro Gymnasio Dramático, no Rio de Janeiro3. A influência do norte-americano na música brasileira parece anteceder sua chegada ao Brasil: a suíte para piano solo Quilombo - quadrilha brasileira sobre os motivos dos negros (1857), de Antonio Carlos Gomes, tem um quarto movimento intitulado Bamboula, que soa como uma versão simplificada (pois os recursos pianísticos do jovem campineiro são, ao que tudo indica, inferiores aos de seu colega de New Orleans) da peça homônima do compositor norte-americano4. Gottschalk é autor de Grande Fantasia Triunfal Sobre o Hino Nacional Brasileiro, executada por ele em dois grandes concertos no Brasil, e que posteriormente torna-se presente no repertório de vários pianista brasileiros como Arthur Moreira Lima (1940) e Guiomar Novaes (1894-1979).

Notas

1 SCHONBERG, Harold C. The Great Pianists: from Mozart to the present. New York: Simon&Schuster/Fireside Books, 1987.

2 BÉHAGUE, Gerard. Music in Latin America: An Introduction. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1979.

3 APPLEBY, David P. La Música de Brasil. México: Fondo de Cultura Económica, 2001.

4 GOMES, Carlos. O Piano Brazileiro. Rio de Janeiro, Funarte, 1986.

Fontes de pesquisa 6

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  • APPLEBY, David P. La Música de Brasil. México: Fondo de Cultura Económica, 2001.
  • BÉHAGUE, Gerard. Music in Latin America: an introduction. New Jersey: Prentice Hall, 1979.
  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998.
  • GOMES, Carlos. O Piano Brazileiro. Rio de Janeiro, Funarte, 1986.
  • SADIE, Stanley (Ed.). The New Grove dictionary of music and musicians. London: Macmillan Publishers, 1995.
  • SCHONBERG, Harold C. The Great Pianists: from Mozart to the present. New York: Simon&Schuster/Fireside Books, 1987.

Como citar

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