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Emílio Santiago

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.04.2021
06.12.1946 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
20.03.2013 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Emílio Vitalino Santiago (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1946 - Idem, 2013). Cantor. Começa a trabalhar aos 13 anos de idade como ofiice-boy. Ingressa na Faculdade Nacional de Direito em 1970, onde estuda para se tornar diplomata. Lá, inicia a atividade de cantor. Os amigos, percebendo sua voz privilegiada, inscrevem-no em um concurso da faculd...

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Emílio Vitalino Santiago (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1946 - Idem, 2013). Cantor. Começa a trabalhar aos 13 anos de idade como ofiice-boy. Ingressa na Faculdade Nacional de Direito em 1970, onde estuda para se tornar diplomata. Lá, inicia a atividade de cantor. Os amigos, percebendo sua voz privilegiada, inscrevem-no em um concurso da faculdade. As músicas que defende alcançam o segundo e terceiro lugares e o cantor recebe o prêmio de melhor intérprete.

O pianista Anselmo Mazzoni (1939) incentiva-o a cantar na noite para adquirir experiência. Assim, tem início a carreira como crooner em boates cariocas. Em 1973, ao saber da seleção para participação no programa de Flávio Cavalcanti (1923-1986), Emílio faz o teste e chega às finais. Durval Ferreira (1935-2007), então diretor artístico da gravadora CID, contrata-o para o seu elenco de artistas. O primeiro compacto vem na sequência, sob o nome artístico de Ted, onde registra as canções “Summer Holiday” e “Too Beautiful to Last”.

Em 1973, é lançado o primeiro compacto com seu nome. Apresenta as canções “Transas de Amor” e “Saravá, Nega”. O primeiro álbum vem em 1975, sob direção artística de Durval Ferreira e arranjos de João Donato (1934), Azymuth, Modo Livre e Dori Caymmi (1943). Durval Ferreira incentiva Emílio a pedir uma música para João Donato: “Bananeira”, uma das primeiras parcerias com Gilberto Gil (1942), abre o álbum. Em 1976, convidado por Roberto Menescal (1937), estreia com o álbum Brasileiríssimas na gravadora Philips, em que grava 11 discos. 

Em 1982, Emílio vence o festival MPB Shell, realizado no estádio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, com exibição da TV Globo. Interpreta “Pelo Amor de Deus” [Paulo Debétio (1946), Paulinho Rezende (1949)], arranjada por Lincoln Olivetti (1954-2015). Em 1985, participa do Festival dos Festivais com a canção “Elis, Elis” (Estevan Natolo Jr., Marcelo Simões) e ganha o prêmio de melhor intérprete. 

Desligado da Philips/Polygram em 1984, fica sem gravadora até integrar o quadro da Som Livre. No novo projeto, interpreta clássicos da música brasileira. O primeiro álbum, Aquarela Brasileira (1988) vende 800 mil cópias, primeiro sucesso comercial de Emílio Santiago. O resultado impulsiona a criação de uma série que resulta em sete álbuns até 1994. 

Com o conjunto de discos, o cantor chega à consagração popular e registra alguns de seus maiores sucessos, como “Saigon” [Cláudio Cartier (1950), Paulo César Feital (1951), Carlão], que integra o disco Aquarela Brasileira 2 (1989), e “Verdade Chinesa” [(Gilson, Carlos Colla (1944)], do Aquarela Brasileira 3 (1990). 

Emílio Santiago é um dos grandes cantores da música popular brasileira. Com sua voz de barítono, de tom grave, aveludado, o cantor impressiona pelas interpretações marcantes, demonstrando controle técnico de voz e suingue. A formação como crooner da orquestra de Ed Lincoln e a convivência com grandes músicos como Laércio de Freitas (1941) em boates do Rio de Janeiro fazem com que o cantor acumule experiência e capacidade de improvisação nas apresentações ao vivo.

Entre os anos 1975 e 1984, nos 12 primeiros discos lançados entre as gravadoras CID e Philips/Polygram, é possível verificar uma escolha de repertório cuidadosa, com canções de compositores renomados como Chico Buarque (1944), Gonzaguinha (1945-1991), Jorge Ben Jor (1942), Johnny Alf (1929-2010) e Tom Jobim (1927-1994). No entanto, o alto nível de seu repertório não se reflete em vendas. O músico não ultrapassa as 15 mil cópias vendidas em cada lançamento nesse período. Emilio ganha notoriedade, mas se afasta do público mais popular, taxado como cantor sofisticado. 

Mesmo sem vender, os acertos estão lá registrados. O primeiro disco, de 1975, tem destaque pela escolha do repertório e pelos arranjos executados por um time de primeira linha. Destacam-se “Bananeira” (Gilberto Gil, João Donato), “Brother” (Jorge Ben Jor) e “Batendo a Porta” [João Nogueira (1941-2000) e Paulo César Pinheiro (1949)]. 

No segundo álbum, entra em campo um dos personagens que marcam sua carreira: Roberto Menescal. Um dos jurados do programa de Flávio Cavalcanti, Menescal encanta-se com o talento de Santiago e convida-o a integrar o quadro da Philips no ano seguinte à sua estreia em disco. Sob a tutela do novo diretor artístico, Brasileiríssimas (1976), apresenta a fórmula que Menescal repete nas Aquarelas no final da década de 1980. Em 12 faixas, Emílio e Menescal condensam 31 canções em um longo pot-pourri de 39 minutos. 

A grande virada de sua carreira acontece em 1988, quando Roberto Menescal convida-o a entrar para a gravadora Som Livre e cantar no projeto Aquarela Brasileira. Sem gravadora desde 1984, o cantor vem de uma temporada em casas de menor prestígio no Rio de Janeiro. O projeto, que inicialmente prevê apenas um disco, desdobra-se em sete aquarelas, lançadas até o ano de 1994. Juntas, elas vendem mais de 6 milhões de cópias. A fórmula dos discos inclui a interpretação de clássicos da música brasileira já adormecidos e uma ou outra canção inédita. 

Alguns dos sucessos associados à imagem do artista são dessa safra de discos. Não se encontram entre os clássicos revisitados e, sim, nas canções inéditas. É o caso de “Verdade Chinesa” e “É Demais Pra Mim”, que integra a trilha sonora da novela Mapa da Mina em 1993.

Em 1994, Emílio Santiago resolve encerrar o projeto. O disco seguinte é uma homenagem ao compositor e intérprete Dick Farney (1921-1987). Em Perdido de Amor (1995), lançado com arranjos de César Camargo Mariano (1943), Santiago demonstra sua capacidade de interpretação, alcançando também boas vendas e críticas da mídia especializada.

Com o álbum Preciso Dizer Que Te Amo (1998), o cantor chega ao 11o disco de ouro. O prêmio soma-se aos seus outros sete discos de platina então conquistados. Já consagrado, nos anos 2000, os trabalhos de maior destaque são as obras em que revisita a própria história, como Emílio Santiago Encontra João Donato (2003), O Melhor das Aquarelas (2005), e Só Danço Samba (2010). Nesse último, o cantor homenageia Ed Lincoln, um de seus mestres na noite carioca, criador do sambalanço, que tanto influencia sua carreira. Em 2012, vem o último registro, CD e DVD do show Só Danço Samba.

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