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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Denilson Baniwa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.08.2021
18.03.1984 Brasil / Amazonas / Barcelos
Registro fotográfico Agência Ophelia/Itaú Cultural

Denilson Baniwa, 2019

Denilson Monteiro Baniwa (aldeia Darí, Barcelos, Amazonas, 1984). Artista visual e curador. Compõe sua obra trespassando linguagens visuais da tradição ocidental com as de seu povo, utilizando performance, pintura, projeções a laser, imagens digitais. Ativista, aborda a questão dos direitos dos povos originários; o impacto do sistema colonial e ...

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Denilson Monteiro Baniwa (aldeia Darí, Barcelos, Amazonas, 1984). Artista visual e curador. Compõe sua obra trespassando linguagens visuais da tradição ocidental com as de seu povo, utilizando performance, pintura, projeções a laser, imagens digitais. Ativista, aborda a questão dos direitos dos povos originários; o impacto do sistema colonial e a valorização da cultura indígena, propondo também reflexões sobre a condição atual do indígena.

Em 2020 existem mais de 300 povos indígenas brasileiros que abrigam mais de 200 línguas e culturas distintas. Os Baniwa são um conjunto de povos de língua aruak que vivem no noroeste amazônico, entre as fronteiras do Brasil, Colômbia e Venezuela, formando um complexo cultural de 23 povos, estimados em 12 mil pessoas. O nome Baniwa não foi autodesignado, porém é adotado para a representação em contextos não indígenas. O clã Walipere, a que Denilson pertence, significa "os netos das cinco estrelas". Ele vive na região de seu nascimento, a aldeia Darí, na comunidade Baturité/Barreira até os 20 anos, quando se muda para Manaus.

Sua trajetória se inicia em espaços de resistência ligados aos movimentos indígenas na região amazônica, onde conhece várias aldeias e povos. Trabalha na Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e atua como produtor de programas em diversas rádios. Estuda ciência da computação na Universidade do Estado do Amazonas, e seus conhecimentos oferecem apoio a projetos e contribuem para o uso de sistemas de informação geográfica via satélite, um dos primeiros usos tecnológicos para proteção dos Territórios Indígenas, no Centro Acadêmico de Formação Indígena que ajuda a fundar em 2004, em Manaus.

Em 2013, passa a viver em Niterói, no Rio de Janeiro. Em novembro do mesmo ano funda, com a jornalista Renata Tupinambá (1990) e o comunicador Anápuáka Muniz Tupinambá Hãhãhãe (1976),  o que considera um de seus projetos mais importantes na difusão e valorização da cultura indígena, a Rádio Yandê. O nome significa “nós/nossos” na língua Tupi, e é a primeira rádio indígena do Brasil, escutada em 70 países, com milhares de acessos diários na internet, veiculando programas informativos sobre a realidade indígena no Brasil e música de todos os gêneros produzida por indígenas, inclusive as tradicionais de cada etnia.

Entre suas referências estão o artista, escritor e produtor Jaider Esbell (1979) e a artista e educadora Arissana Pataxó (1983). Denilson afirma que existe uma postura colaborativa entre artistas indígenas e que seu propósito maior vai muito além de uma carreira. Considera seu projeto artístico uma causa: a ocupação de espaços na busca de melhores condições para seu povo viver em paz.

Participa da exposição Djá Guatá Porã, Rio de Janeiro indígena, no Museu de Arte do Rio (MAR), em 2017-2018, com curadoria de Sandra Benites (1975). Denilson considera que a arte alcança um lugar mais amplo: enquanto o movimento indígena se faz presente em instituições de poder político para cobrar do Estado suas responsabilidades, a arte propõe impacto sensível e emocional para as mesmas questões.

Como visitante e sem estar na lista de artistas convidados, Denilson realiza uma performance em um dos eventos mais tradicionais das artes no Brasil, a Bienal de São Paulo. Percorrendo a pé um caminho que se inicia no Monumento às Bandeiras, em São Paulo, Denilson recolhe flores e segue até a Bienal, onde circula pelo espaço expositivo com máscara e manto de onça, evocando cantos. Encontra na mostra, sem contextualizações, imagens e objetos de indígenas, apresentados por não indígenas. Compra um livro sobre a história da arte na livraria. Retira o manto e a máscara, e, enquanto rasga o livro comprado, faz um discurso-manifesto declarando que a arte mantém os indígenas presos no passado sem direito a um futuro. Considera que a invocação e presença do pajé-onça – um ser mítico que trafega entre mundos – é a liberação de uma energia ancestral que abre verdades. A divulgação em mídias sociais de Pajé-Onça Hackeando a 33a Bienal de Artes de São Paulo, em 2018, traz maior visibilidade à sua produção.

Como curador, atua entre 2016 e 2019 no Mekukradjá, evento do Itaú Cultural que promove debates sobre culturas indígenas. Na edição de 2019 do Prêmio Pipa, vence na categoria Pipa Online com 1.474 votos, e o valor recebido é doado à Escola Baniwa.

Na exposição Vexoá: Nós Sabemos, na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina), apresenta a obra Nada que É Dourado Permanece (2020), que consiste em um jardim com plantas medicinais, de poder e ornamentais. A instalação-jardim ocupa o estacionamento do museu e, desta maneira, questiona: a condição do objeto de arte e sua aura consagrada em contexto museológico; a demarcação e o uso dos espaços institucionais; e a ideia de elementos invisíveis, como as sementes, tornarem-se visíveis a partir de ciclos naturais.

Ainda em 2020, realiza com o Coletivo Coletores a obra Brasil Terra Indígena, projeção a laser sobre o Monumento às Bandeiras, que, veiculada na internet, obtém alcance mundial. A obra apresenta uma caravela que afunda pelas forças da natureza e dela emergem elementos, entidades espirituais e iconografias indígenas, que se animam sobrepondo uma narrativa alternativa sobre a escultura que enaltece uma história da colonização pela ocupação de terras indígenas.

Denilson Beniwa apresenta complexas questões sobre a arte e a representatividade, usando tecnologias e espaços simbólicos da arte como ferramenta de resistência, além do próprio trânsito entre a cidade e seu lugar de origem, seu repertório e tradições, em suas complementaridades e contrastes.

Exposições 6

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