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Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Martinho Lutero Galati de Oliveira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 31.08.2020
29.09.1953 Brasil / Minas Gerais / Alpercata
25.03.2020 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico Rogério Vieira

Martinho Lutero Galati de Oliveira, 2019.

Martinho Lutero Galati de Oliveira (Alpercata, Minas Gerais, 1953 - São Paulo, São Paulo, 2020). Maestro, compositor e professor. Reconhecido como um dos principais regentes de coros do Brasil, destaca-se por ter contribuído para a valorização de culturas não hegemônicas na música coral. É regente-fundador do Coro Luther King e do Cantosospeso, ...

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Martinho Lutero Galati de Oliveira (Alpercata, Minas Gerais, 1953 - São Paulo, São Paulo, 2020). Maestro, compositor e professor. Reconhecido como um dos principais regentes de coros do Brasil, destaca-se por ter contribuído para a valorização de culturas não hegemônicas na música coral. É regente-fundador do Coro Luther King e do Cantosospeso, conhecidos pela qualidade técnica na execução do canto conjunto.

Lutero chega a São Paulo em 1960, onde completa a educação básica e a formação em música, iniciada na infância. Tem aulas com maestros reconhecidos, como Jonas Christensen (1943-1992), Hans Joachim Koellheutter (1915-2005) e Eleazar de Carvalho (1912-1996). Durante a adolescência, numa carreira adiantada, rege o Coro da Juventude Musical de São Paulo, dirige musicalmente a peça teatral Hair (1969) e participa de concertos no Teatro Municipal.

Aos 16 anos (1970), cria em São Paulo o Coro Luther King. Para formá-lo, reúne pessoas de diferentes classes sociais e religiões, com o objetivo de expressar o canto de modo amplo e diverso. Desde o princípio, as apresentações do grupo evidenciam a cultura brasileira e a de povos que contribuíram para a formação do país.

Com as propostas do regente, o grupo se torna o primeiro coral a realizar concertos de spiritual, gênero musical de origem afro-americana. Influenciadas pela cultura protestante, as apresentações remetem à música de escravizados negros e fazem referência ao sentimento do oprimido em sua expectativa de obter a salvação.  O repertório e a sonoridade das apresentações regidas pelo músico, com elementos da cultura popular brasileira e da cultura afro-americana, influenciam diversos corais no Brasil e levam o Coro Luther King a se apresentar em vários países, como Itália, França, Alemanha, Cuba, Angola e Tunísia.

Depois de passar uma temporada em Buenos Aires, onde complementa seus estudos de regência orquestral no Conservatório Torquato di Tella, Lutero volta para São Paulo, onde dirige e coordena orquestras, concertos e setores de música coral de diversas instituições.

O interesse em valorizar culturas esquecidas, aliado à experiência como regente, levam-no a viver na África de 1978 a 1984. Lá, a serviço da UNESCO, realiza pesquisas sobre música tradicional. No último ano de sua estada no continente, funda com um grupo de intelectuais, alunos universitários e jornalistas a Associação Cultural Tchova Xita Dima, em Maputo, Moçambique. O objetivo da entidade é promover a arte na área da música e do teatro, com uma abordagem cênica e radiofônica. Também em Moçambique, funda a Escola Nacional de Música, na qual ensina regência e composição, produz a primeira série de programas de música tradicional africana na Rádio de Moçambique e publica o Cancioneiro Infantil Moçambicano.

A partir de 1985, aprofunda seus estudos de música na Europa, onde convive com importantes maestros e compositores, como o italiano Luigi Nono (1924-1990).  Em 1987, funda em Milão a Associação Cantosospeso, cujo objetivo é difundir a prática coral como exercício de convivência e como oportunidade de aproximar as pessoas da música. Ao dirigi-lo, faz questão de usar vozes não profissionais para executar com rigor a chamada “música coral alta” – prestigiada por sua qualidade técnica –, a música contemporânea e, sobretudo, a música de povos e culturas historicamente ofuscados pelo colonialismo cultural.

Os estudos e as criações de Lutero, no Brasil e no exterior, consolidam os traços essenciais de sua produção artística, em que se destaca a valorização de culturas fragilizadas pela música imposta pelo mercado. Essa característica se evidencia nos concertos regidos pelo maestro ao redor do mundo, que recuperam músicas indígenas da Amazônia e de aldeias africanas.

Marcante em sua carreira, o primeiro coro fundado por Lutero conta com seu frequente apoio artístico. Em 2012, ele recebe com o grupo o prêmio de melhor conjunto coral, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Em 2015, atua como diretor artístico do Coro Luther King no concerto I Have a Dream, realizado em homenagem ao pastor batista americano Martin Luther King (1929-1968), no Museu Afro Brasil.

De 2013 a 2016, Lutero atua como diretor artístico do Coral Paulistano Mário de Andrade e, nessa década, torna-se presidente da Associação Brasileira de Regentes de Coros. Ao longo da carreira, recebe diversas homenagens, como o título de Cidadão Paulistano, proposto pela Câmara Municipal de São Paulo, o de Cidadão Honorário de Moçambique e de Milão e a Comenda Papal da Ordem de São Luiz Nono do Estado do Vaticano.

Ao valorizar a presença de culturas populares e não hegemônicas nos coros, Martinho Lutero promove a difusão e o desenvolvimento do canto conjunto em uma atitude crítica e política. Suas ações aproximam centenas de pessoas da música, contribuindo para o desenvolvimento e a preservação da arte.

Shows musicais 4

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