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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Henrique Cavalleiro

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.02.2018
1892 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
26.08.1975 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Antonio Caetano

O Vestido Rosa, 1921
Henrique Cavalleiro
Óleo sobre tela, c.i.e.

Henrique Campos Cavalleiro (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1892 – Idem,  1975). Pintor, desenhista, caricaturista, ilustrador e professor. Começa estudando desenho e, cedo, faz ilustrações para a revista O Malho. A partir de 1910, na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), é aluno de Zeferino da Costa (1840-1915) e Eliseu Visconti (1866-1944) qu...

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Biografia

Henrique Campos Cavalleiro (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1892 – Idem,  1975). Pintor, desenhista, caricaturista, ilustrador e professor. Começa estudando desenho e, cedo, faz ilustrações para a revista O Malho. A partir de 1910, na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), é aluno de Zeferino da Costa (1840-1915) e Eliseu Visconti (1866-1944) que se torna seu sogro. Ganha o prêmio de viagem ao exterior em 1918, ano em que se matricula na Académie Julian, em Paris, na qual estuda por seis meses. Em seguida, monta ateliê próprio, onde trabalha até o final da estada. Em 1923 e 1924, expõe na Société Nationale des Beaux-Arts e no Salon des Artistes Français. Volta em 1925 e faz uma individual no Rio de Janeiro e outra em São Paulo. As atividades de ilustrador e caricaturista continuam, e ele colabora com os periódicos Fon-Fon, A Manhã, O Teatro, O Jornal, Ilustração Brasileira e O Cruzeiro. Em 1930, retorna a Paris para estudar artes decorativas. A partir de 1938, ocupa, interinamente, a cadeira de arte decorativa na Enba e, mais tarde, torna-se professor de pintura por concurso. Participa da Bienal de São Paulo, em 1951, e, no ano seguinte, da mostra Um Século de Pintura Brasileira, no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), Rio de Janeiro. Em 1965, recebe o título de professor emérito da Enba. Abre uma retrospectiva no MNBA em 1975, pouco antes de sua morte.

Análise

Henrique Cavalleiro é relacionado a diversos movimentos. Segundo o crítico Clarival do Prado Valladares (1918-1983) no texto de apresentação da retrospectiva do MNBA (1975), é preciso demonstrar sua identificação estilística a cada obra1. De fato, o artista produz trabalhos díspares. Em O Vestido Rosa (1921), por exemplo, os tons são róseos e azuis, e a pincelada, impressionista. No projeto de cartaz para o Carnaval do Rio de Janeiro (1935), exposto na retrospectiva, um arlequim com toda a estilização do art déco reina sobre foliões, emoldurados pelos prédios da cidade. Já nas paisagens de Teresópolis, elaboradas desde os anos 1940, ocorre um empastado da tinta em pinceladas tortuosas, próximas do expressionismo e do fauvismo. 

O pintor divide sua trajetória em duas fases. Diz que, no início, pesquisa o pontilhismo do pintor francês Georges Seurat (1859-1891), como em Balões Venezianos (1912), e o impressionismo2. Em seguida, é influenciado pelo também francês Paul Cézanne (1839-1906), destacando a solidez dos volumes. Mas é nos anos 1940, que empreende “[...] verdadeiramente, a conquista da pintura [...]”3. Nas vistas de Teresópolis, procura, seguindo o preceito do artista francês Georges Rouault (1871-1958), partir da realidade para chegar à expressão pessoal4.

Os comentadores concordam que busca dar cunho pessoal a sua arte5, arriscando-se ao abandonar o naturalismo e adotar formas de difícil recepção no Rio de Janeiro. Cavalleiro conta que é mais bem acolhido em São Paulo, “[...] mais avançada nas teorias modernas, que soube dar melhor aceitação à minha maneira de sentir e pintar [...]”6.

Sua maneira de pesquisar e pensar a arte é importante para a renovação do gosto da época, especialmente do de seus alunos7. As práticas de caricaturista e ilustrador, assim como os estudos e cursos que ministra em artes decorativas, também merecem destaque como elementos de modernização. Nisso, segue seu mentor e sogro, Eliseu Visconti. Por isso, é natural encontramos ecos de Visconti8 em Cavalleiro quando este diz que a arte brasileira: “[...] não é pintar ou esculpir motivos nacionais [...] é estilizar, tirar da natureza pátria elementos de composição para aos poucos formar uma arte própria”9.

Notas

1 VALADARES, Clarival do Prado. In: CAVALLEIRO, Henrique. Henrique Cavalleiro. Rio de Janeiro: Museu Nacional de Belas Artes, 1975, s. p.

2 CAVALLEIRO, Henrique. Henrique Cavalleiro. Rio de Janeiro: Museu Nacional de Belas Artes, 1975, s. p.

3 Idem.

4 Idem.

5 Por exemplo, LIMA, Herman. História da caricatura no Brasil. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1963. v. 5, p. 1438-1440.

6 CAVALLEIRO, Henrique, apud LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. p. 115-116. e ZANINI, Walter (Coord.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Moreira Salles: Fundação Djalma Guimarães, 1983. v. 1, p. 546.

7 ZANINI, Walter (Coord.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Moreira Salles: Fundação Djalma Guimarães, 1983. v. 1, p. 446.

8 “A natureza é um dicionário para ser consultado, um índice apenas. Tudo quanto o artista põe na sua obra deve estar mais dentro dele do que simplesmente naquilo que a visão descortina”. In: VISCONTI, Eliseu. Eliseu Visconti: arte e design. São Paulo: Projeto Eliseu Visconti, 2008. p. 13.

9 COSTA, Angyone. A inquietação das abelhas. Rio de Janeiro: Pimenta de Mello & Cia, 1927. p 119.

Obras 5

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Nu

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica Antonio Caetano

O Vestido Rosa

Óleo sobre tela

Exposições 55

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 23

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  • A Inquietação das abelhas: o que pensam e o que dizem os nossos pintores, esculptores, architectos e gravadores, sobre as artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Pimenta de Mello, 1927. 300 p., il. p&b., foto. LR 709.81 C837i
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