Artigo da seção pessoas Frieda Gutmann

Frieda Gutmann

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deFrieda Gutmann: 1950 Local de nascimento: (Brasil / Bahia / Salvador)

Biografia
Frieda Gutmann (Salvador, BA, 1950). Atriz. Inicia a carreira nas artes cênicas aos 16 anos, operando a luz do Teatro Vila Velha (TVV), em Salvador. Aos 19 anos, em 1969, entra no curso Preparatório de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA). No mesmo ano, é convidada pelo diretor João Augusto Azevedo (1928-1979) para atuar em As Três Marrecas (1969), de Miguel Calombreiro. Por sua atuação no espetáculo, recebe o prêmio de atriz revelação do  jornal Diário de Notícias. No ano seguinte, repete a parceria com João Augusto Azevedo em Orin Orixá e Um Lobo na Cartola, de Oscar Von Pfhul.

Trabalha por oito anos na TV Aratu, afiliada baiana da Rede Globo: de 1970 a 1973, participa do programa infantil Tvlândia; em 1977, apresenta o noticiário local Jornal Hoje; e em 1980, faz sucesso com a personagem Espoleta no programa infantil Parquinho. No cinema, integra o elenco de Joana Angélica (1978), de Walter Lima Jr. (1938). Recebe por dois anos consecutivos o Troféu Martim Gonçalves como atriz coadjuvante, por Bocas do Inferno (1979), de Cleise Mendes e C. Sarno; e Desmemórias (1980), de Cleise Mendes, Aninha Franco e Guido Guerra.

Em 1981, muda-se para São Paulo e participa da peça Velório à Brasileira (1981), de Aziz Bajur. No mesmo ano, cursa o Teatro para Atores de Televisão na TV Cultura e é selecionada para o elenco da emissora. Problemas familiares, no entanto, a levam de volta a Salvador, onde é novamente premiada com o Troféu Martim Gonçalves, como atriz coadjuvante, pelas peças O Cavalo Transparente (1983), de Sylvia Orthof; e Quinze Anos Depois (1984), de Bráulio Tavares. Com Apenas Bons Amigos (1984), de Miguel Falabella e Geraldo Carneiro, recebe o Troféu Bahia em Cena. Também em 1984, é dirigida por Eduardo Navarro no filme O Super Outro, parceria que se repete em Eu me Lembro (2003) e O Homem que Não Dormia (2011).

Nas décadas de 1990 e 2000, atua em diversas peças sob a direção de Deolindo Checcucci, como A Lenda do Piuí (1989), de Sérvulo Augusto e José Rubens Chasseraux; e Irmã Dulce (2006), de Deolindo Checcucci. De volta ao cinema, atua em O Jardim das Folhas Sagradas (2011), de Pola Ribeiro; e A Bicicleta Nova do Vovô (2012), de Henrique Dantas.

Comentário crítico
Frieda Gutmann estreia no teatro com reconhecido êxito: sua iniciação se dá pelas mãos do diretor João Augusto Azevedo, um dos responsáveis pela construção do TVV, onde se estabelece a Sociedade dos Novos, primeiro grupo teatral da Bahia com trabalho independente, desvinculado da academia. Em seu primeiro papel, em 1969, é premiada como atriz revelação e seu espetáculo As Três Marrecas (1969), ganha os melhores do ano pelo jornal Diário de Notícias. A estreia e a opção pela carreira no teatro, em pleno governo militar, demandam coragem, como observa a atriz: "Era um tempo de perseguição muito grande. Para chegar ao Vila, era preciso passar pelo Passeio Público e não nos permitiam. João foi várias vezes preso ao tentar entrar no teatro e a gente também ia preso de vez em quando".1 Desde então, Gutmann não para de atuar: ao longo de sua carreira, integra 57 espetáculos, entre peças, filmes e programas de TV.

A atriz, que se intitula uma operária do teatro, não gosta de trabalhar vinculada a grupos ou companhias. Explica que não é uma postura ideológica, mas de sobrevivência: "Aprendi a fazer teatro assim, inclusive eu trabalho com todo mundo que me convida. Eu só preciso sobreviver. Para mim foi muito bom porque eu adquiri muita experiência de profissionais com diferentes concepções, métodos".2

Entre 1969 e 2012, é dirigida por 22 diretores, mas desenvolve um trabalho especial com o diretor baiano Deolindo Checcucci. A parceria tem início com o espetáculo O Pique dos Índios (1974) e se estende em outras onze produções. Para Gutmann, "trabalhar com Deolindo Checcucci, é prazeroso, divertido, e o diretor, com habilidade e respeito, consegue tirar do ator o que ele tem de melhor".3

Embora seja identificada como atriz cômica, sempre questiona esse rótulo. Pensa ser uma forma de classificar um gênero que, muitas vezes, pode levar a uma conotação pejorativa e excludente. A atriz explica que opta pela espontaneidade como método de trabalho, pois acredita que uma postura muito cerebral em comédias faz com que a graça se perca. É preciso "haver 90% de espontaneidade, certa dose de ingenuidade e não forçar a barra para que a graça aconteça. Ela acontece naturalmente, o engraçado é isso".4

Sua notoriedade como atriz cômica dificulta sua recepção em outros trabalhos, dado que é assinalado pela crítica de Clodoaldo Lobo sobre a Comédia do Fim - Quatro Peças e Uma Catástrofe (2004), de Samuel Beckett, que destaca a volta da atriz "ao melhor de si mesma [...] (como em Tem Antrax no meu Sax, 2003, pelas mãos de Luiz Sérgio Ramos e Apenas Bons Amigos, bom momento de Deolindo Checcucci, 1988)".5 São importantes para a carreira de Frieda Gutmann papéis dramáticos como estes, em que está em cena com personagens duros, amargos, difíceis de ser construídos.

Seja por meio da comédia ou do drama, a atriz afirma que seu grande prazer é estar no palco, pois é um meio de se tornar plena. Seu maior prazer ocorre durante o processo criativo voltado à construção do personagem. Elaborado de forma artesanal, resulta em uma maneira diferente de andar, falar e agir, possibilitando à atriz vivenciar novas histórias.

Notas
1 GUTMANN, Frieda. Entrevista concedida pela atriz a Nadja Magalhães Miranda. Salvador, 22 nov. 2012.

2 Idem.

3 Ibdem.

4 Ibdem.

5 LOBO, Clodoaldo. O início da luz, comédia do fim: quatro peças e uma catástrofe. A Tarde, 27 nov. 2003. Caderno 2, p. 4.

Outras informações de Frieda Gutmann:

  • Habilidades
    • Ator

Espetáculos (1)

Fontes de pesquisa (4)

  • GUTMANN, Frieda. Entrevista concedida pela atriz a Nadja Magalhães Miranda. Salvador, 22 nov. 2012.
  • GUTMANN, Frieda. [Currículo]
  • LOBO, Clodoaldo. O início da luz, comédia do fim: quatro peças e uma catástrofe. A Tarde, 27 nov. 2003. Caderno 2, p. 4.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Marcos Uzel Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • FRIEDA Gutmann. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa601526/frieda-gutmann>. Acesso em: 17 de Jan. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7