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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Gustavo Penna

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.06.2016
04.1950 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
Gustavo de Araújo Penna (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1950). Arquiteto e urbanista. Filho da soprano Mirian Penna com o engenheiro civil Roberto Penna, que colabora nas obras do Grande Hotel Araxá (1937-1944) e do Catetinho (1956), projeto do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) para a estadia temporária da Presidência da República durante a co...

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Biografia
Gustavo de Araújo Penna (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1950). Arquiteto e urbanista. Filho da soprano Mirian Penna com o engenheiro civil Roberto Penna, que colabora nas obras do Grande Hotel Araxá (1937-1944) e do Catetinho (1956), projeto do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) para a estadia temporária da Presidência da República durante a construção de Brasília (1956-1960).

Gustavo Penna gradua-se na Universidade Federal de Minas Gerais em 1973. No mesmo ano, funda seu escritório Gustavo Penna Arquiteto & Associados. Professor da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (EA/UFMG) entre os anos de 1977 e 2009, torna-se Membro da Congregação desta escola em 2004. Desde 2010, é membro da Academia de Escolas de Arquitetura e Urbanismo de Língua Portuguesa (AEAULP).

Ao longo de sua trajetória tem atividades ligadas à politica: Secretário de Planejamento (1983-1984) do Município de Contagem, Minas Gerais; Assessor Especial do Ministério da Cultura para Projetos de Espaços Culturais (1985); e Assessor de Projetos Especiais do Estado de Minas Gerais (1987-1989). Em 1990, torna-se sócio honorário da Associação Brasileira da Construção Metálica (1990). Participa do Fórum Municipal de Assuntos Estratégicos de Belo Horizonte em 2013.

Desde a década de 1980, destaca-se nacionalmente ao vencer concursos públicos de projeto, como a Sede da Federação do Comércio (1982), Belo Horizonte; a Sede da Casa do Jornalista (1982), Belo Horizonte; o Museu de Congonhas (2005), Congonhas do Campo, Minas Gerais; a Sede da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (2007), São Paulo; a Sede da Forluz (2007), Belo Horizonte. Em 2010, Gustavo Penna recebe a medalha e o diploma da Ordem do Mérito Juscelino Kubitschek. Em 2014, é primeiro lugar na categoria Projetos Culturais Futuros do World Architectural Festival, em Cingapura, com o Monumento à Liberdade de Imprensa (1996). Em 2015, vence o Architizer A+Awards na categoria Transportes com as estações Move de BRT (2012-2014), Belo Horizonte .

O escritório de Penna é o representante no Brasil de escritórios internacionais como GMP, Alemanha, e do arquiteto Richard Meier (1934), Estados Unidos.

Análise da Trajetória
A arquitetura de Gustavo Penna é intrinsecamente relacionada ao contexto específico de Minas Gerais, em sua história, seu relevo, sua paisagem e conjuntura cultural.

O nome do arquiteto ganha destaque pela primeira vez em 1979, na edição de lançamento da Revista Pampulha1, com uma seleção de projetos de arquitetos mineiros escolhidos por um corpo editorial composto pelos que implantaram as ideias pós-modernistas no Brasil. Dos arquitetos publicados, Gustavo Penna já destoa com projetos análogos às megaestruturas do grupo inglês Archigram e dos Metabolistas japoneses. Esta propensão logo se dilui nas obras de Penna, porém permanece a independência de seu modo de projetar perante o meio arquitetônico local.

Penna vence o concurso para a Sede da Casa do Jornalista de Belo Horizonte, em 1982, e torna-se alvo da atenção do poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), que escreve em uma crônica para o Jornal do Brasil: “No local escolhido para a construção estava plantada uma das casas antigas de BH, que seria grato preservar do esquecimento. Engenhosos, Penna e sua equipe inseriram no conjunto o arco de entrada da velha construção. Criaram assim um elo visível entre o passado e o tempo presente. [...] O excelente trabalho dá a gente a alegria de sentir que nem tudo está perdido em Belo Horizonte. Os moços apontam o caminho”2.

Neste período, leciona o curso de projeto na EAUFMG com o arquiteto Humberto Serpa3 (1943), o qual, no projeto da residência Van Damme (1983), Belo Horizonte, estabelece um uso da curva na implantação linear do edifício. Esse uso da curva é apropriado por Penna na Escola Guignard (1989-2004), no Centro de Convenções da Expominas (2003-2006), ambos em Belo Horizonte, e no Museu de Congonhas, Congonhas do Campo.

Na Secretaria da Prefeitura de Contagem, Penna conhece o escultor Amílcar de Castro (1920-2002), que faz os estudos cromáticos do projeto do Núcleo de Ensino e Extensão Comunitária, Belo Horizonte. Com estrutura de aço em forma triangular, a parede da fachada tem seu contraventamento triangular aparente preenchido com alvenaria pintada de vermelha, materializando a imagem da bandeira de Minas Gerais. Como esclarece o crítico de arte Fernando Serapião, “na mão de Penna, um elemento técnico virou simbólico. Este elemento é chave para a compreensão da obra dele”4.

Além de desenhar a logomarca do escritório de Penna, Amílcar de Castro também indica o arquiteto para projetar a Escola Guignard, “uma escola de aço em cima da montanha de aço”5. O minério de ferro extraído do solo mineiro torna-se a expressão da estrutura do edifício, cuja implantação em forma de arco é uma explicita consequência da condição topográfica da Serra do Curral.

Demonstrando interesse na obra do arquiteto português Álvaro Sisa (1933), realiza o Anexo da Academia Mineira de Letras (1990-1993), Belo Horizonte, e, em seguida, as residências geometrias abstratas que ganham unidade pela alvura das superfícies. A Casa Borges (1999-2001), Brumadinho; a Casa Serra do Curral (1999-2002), Belo Horizonte; a Casa em Lagoa Santa (2001-2003) e a Casa na Lagoa dos Ingleses (2004-2006), Nova Lima, seguem um mesmo tipo de projeto. Como nota o crítico Roberto Segre (1934-2003), “não existe o elemento ‘porta’ no muro que estabelece o limite entre o interior e o exterior, mas aparece uma grande abertura, quase uma moldura que induz a entrar na moradia, olhando para a visão distante das montanhas ou da cidade"6.

O valor do percurso ganha outra dimensão no Memorial da Imigração Japonesa (2007-2009), Belo Horizonte. A homenagem não é feita de modo literal, mas em uma delicada promenade para a compreensão espacial e sensorial da arquitetura e do jardim.

Exposições 1

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Fontes de pesquisa 12

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  • 50 anos depois de Brasília. Curadoria Ricardo Ohtake; apresentação Heitor Martins, Juca Ferreira, Celso Amorim, Ricardo Ohtake; tradução Izabel Murat Burbridge, Silvio Levy, Maria Lucia Cumo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2010. 135 p., il. SPfc 2010
  • BORGES, Celina. Gustavo Penna: arquiteto. Belo Horizonte: Celacanto, 2001.
  • GPA&A – Gustavo Penna Arquiteto e Associados. Disponível em: < www.gustavopenna.com.br >. Acesso em: 15 ago. 2015.
  • GROSSI, Nara. O legado de Humberto Serpa em Belo Horizonte. AU: Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, n. 240, fev. 2014. Disponível em: < http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/240/artigo308166-1.aspx >.
  • Gustavo Araújo Penna. Revista Pampulha. Belo Horizonte, Caminho Novo, n.1, p.40, nov./dez. 1979. Disponível em: < http://issuu.com/mamamao/docs/pampulha_01/7?e=0 >.
  • MAGALHÃES, Beatriz; PENNA, Gustavo; SEARA, Guili. Arquitetura Gustavo Penna Impressões. São Paulo: BEĨ Editora, 2014.
  • MELENDEZ, Adilson. Em todo o Brasil, as cidades estão horrorosas: a dimensão do arquiteto nunca foi tão necessária...[entrevista com Gustavo Penna]. Projeto Design, São Paulo, n. 256, p.10-12, jun. 2001.
  • MONOLITO – GUSTAVO PENNA. São Paulo, Editora Monolito, n.12, 2012.
  • SAGRE, Roberto. Gustavo Penna: Expominas centro de feiras e exposições de Minas Gerais. São Paulo: Editora C4, 2007.
  • SANDER, Marília. Envolvida pelas montanhas. AU: Arquitetura e Urbanismo. São Paulo, n.41, p.90-3, abr./mai. 1992.
  • SEGRE, Roberto. Gustavo Penna: a introspecção geométrica da paisagem mineira. Rio de Janeiro: Viana & Mosley, 2009.
  • SERAPIÃO, Fernando. Ícone do modernismo brasileiro, Pampulha passa por renovação. Projeto Design, São Paulo, n.302, p.72, 2005.

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