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Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Leda Iuqui

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.10.2022
26.10.1922 Brasil / Rio Grande do Sul / Pelotas
01.10.2012 Brasil / São Paulo / São Paulo
Leda Rivas (Pelotas, Rio Grande do Sul, 1922 – São Paulo, São Paulo, 2012). Bailarina, professora de dança. Primeira bailarina do corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, formou gerações de bailarinos em suas escolas.

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Leda Rivas (Pelotas, Rio Grande do Sul, 1922 – São Paulo, São Paulo, 2012). Bailarina, professora de dança. Primeira bailarina do corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, formou gerações de bailarinos em suas escolas.

Começa a frequentar aulas de balé aos 13 anos de idade. Franzina quando criança, o médico lhe recomenda a natação para desenvolver a musculatura. Apoiada pelo padrasto, um diplomata argentino, opta pelo balé e chega ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde estuda com a professora russa naturalizada no Brasil Maria Olenewa (1896-1965).

No começo dos estudos, com dificuldade para executar um passo, é mandada para casa pela mestre Olenewa, sob alegação de que a menina só serve para limpar o palco. A jovem estudante pratica o passo em casa e retorna à aula no dia seguinte para mostrar que é capaz de executar o movimento. Impressionada, a professora confirma para família que Leda tinha talento para dançar.

Desde o primeiro ano de estudos, apresenta-se com o grupo de alunas de Olenewa no Theatro Municipal. Em 1939, passa no exame para solista do corpo de baile do Theatro Municipal e assume o nome artístico de Leda Iuqui. Em 1940, durante a turnê do Ballet Russe de Monte Carlo no Rio de Janeiro, o diretor da companhia, o coreógrafo russo Léonide Massine (1896-1979), seleciona bailarinos brasileiros para compor o elenco de algumas grandes obras. Entre os escolhidos está Leda Iuqui, fato que aumenta sua projeção no mundo da dança.

No mesmo ano, dança dentro da temporada lírica do Theatro Municipal em óperas como La Gioconda (1875). Um dos números de dança dessa peça exige vários solistas, o que abre espaço considerável para as bailarinas brasileiras treinadas por Olenewa. Na ocasião, o jornal Meio-Dia publica a carta de um leitor que acusa Olenewa de prejudicar a carreira dos bailarinos brasileiros por preferir convidar talentos estrangeiros para o elenco. Nominalmente mencionada, Leda é elogiada por seus dotes artísticos e beleza, considerada bem brasileira. 

Este é um momento de amadurecimento da dança no Brasil, quando o público passa a esperar não apenas produção nacional, mas também estrelas brasileiras no palco. Questões como “beleza bem brasileira” e “a mais fina sensibilidade brasileira” em publicações da época são percebidas como elogios a Leda Iuqui.

Em 1942, a bailarina é convidada para integrar o elenco do Original Ballet Russes, dirigido pelo empresário lituano Wassily de Basil (1888-1951), durante as excursões da companhia pelas Américas e Europa.

Com a difícil situação financeira da família, Leda rejeita o convite, dançando com a companhia de Basil apenas na temporada carioca. Após o afastamento de Olenewa do Theatro Municipal para a temporada de 1943, Leda é promovida à primeira bailarina, ao lado de outras colegas, como Madeleine Rosay (1924-1996) e Eros Volúsia (1914-2004).

O reconhecimento de Leda Iuqui se dá também fora do Theatro Municipal. A partir de 1942, a bailarina se apresenta no Golden Room, salão do Copacabana Palace, com sucesso de público e boa recepção crítica da época. A partir de 1947, a artista se dedica às apresentações no Copacabana Palace e se afasta da companhia do Theatro Municipal.

Seu interesse também se desdobra para o ensino. Em 1953, Leda se aproxima da Escola de Dança do Theatro Municipal, onde começa a dar aulas. No ano seguinte, abre sua própria escola, o Curso de Bailados Clássicos Leda Iuqui, bastante comentado pela imprensa da época por sua rápida adesão, passando de dez a 150 alunos em um ano. Em 1958, o curso se transforma em Leda Iuqui Academia de

Ballet, que impressiona não apenas por sua estrutura, mas também pelas aulas práticas e teóricas e pelas provas escritas e orais com examinadores convidados. Seguindo a tradição da mestra Olenewa, a escola também se dedica ao preparo do bailarino para a cena, promovendo apresentações regulares dos alunos. Entre eles, as bailarinas Ana Botafogo (1957) e Gisèle Santoro (1964), que mencionam afetivamente a mestra em suas memórias.

Em 1968, Leda dirige por um ano o corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, ao lado de Dalal Achcar (1937), e trabalha em sua escola, que mantém até 1974. Em 1978, inaugura com sua filha o Centro Educacional de Ballet Leda Iuqui (CEB), que permanece ativo por cinco anos, ao longo dos quais promove dois congressos nacionais para discutir o ensino de dança. Em 1982, publica seu livro Ballet – Termos, passos e sua execução.

Com um legado histórico no ensino de balé, Leda Iuqui forma gerações de bailarinos e é lembrada como um dos expoentes da primeira geração brasileira de dança profissional no país, participando como convidada de companhias internacionais e alcançando a posição de primeira bailarina do corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Espetáculos 1

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Fontes de pesquisa 5

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  • BERTONI, Estêvão. Leda Iuqui, uma mestra do balé. Folha de S.Paulo, São Paulo, Obituário, 5 out. 2012.
  • CERBINO, Beatriz. Leda Iuqui: o bailar da mestra. Rio de Janeiro: Faprerj; Fundação Theatro Municipal, 2003.
  • FARO, Antonio José; SAMPAIO, Luiz Paulo. Dicionário de balé e dança. Rio de Janeiro: Zahar, 1989. R792.8 F237d
  • FONTES, Josélia Vivas. Leda Iuqui Academia de Ballet. Projeto de conclusão de curso. Rio de Janeiro, UniverCidade, 2009. Disponível em: https://youtu.be/acZWhVO4HNU. Acesso em 1 de out. 2021.
  • PEREIRA, Roberto. A formação do balé brasileiro: nacionalismo e estilização. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003.

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