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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Ana Mazzei

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.01.2021
1979 Brasil / São Paulo / São Paulo
Ana Silvia Mazzei Nogueira (São Paulo, São Paulo, 1979). Artista visual e professora. Transita por diferentes modalidades de produção artística, como vídeo, escultura e performance, explorando a relação do espectador com a obra e da obra com o espaço expositivo. A literatura e o teatro são elementos recorrentes em seu trabalho.

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Ana Silvia Mazzei Nogueira (São Paulo, São Paulo, 1979). Artista visual e professora. Transita por diferentes modalidades de produção artística, como vídeo, escultura e performance, explorando a relação do espectador com a obra e da obra com o espaço expositivo. A literatura e o teatro são elementos recorrentes em seu trabalho.

Gradua-se em artes visuais pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) em 2004. Durante a formação, Ana Mazzei explora uma variedade de técnicas e de linguagens para a produção de imagem e frequenta ateliês de gravura, pintura e escultura. Em seu mestrado em poéticas visuais no Instituto de Artes da Unicamp, em 2010, a artista reflete sobre suas séries de fotografias Paisagem Salgada I, II, III, IV, V e Paisagem Presente I, II, III, IV, que expressam sua inquietude sobre a ação de observar a paisagem. Questionando também o imaginário visual de paisagem, Ana coloca uma pessoa em cenários nada bucólicos. São imagens de terrenos vazios, alguns com ruínas abandonadas, em que a artista fotografa um modelo observando um espaço que pouco está relacionado ao ideal de paisagem. Essa investigação do espaço e da relação das pessoas com ele permeia outros trabalhos da artista.  

Na exposição Ela Caminha em Direção à Fronteira (2012), na galeria Zipper, em São Paulo, Ana apresenta trabalhos que dialogam tanto com a arquitetura do espaço expositivo quanto com a literatura. Na obra sonora que dá nome à mostra, um homem narra a movimentação de uma mulher. O curador Mario Gioia observa que o texto “traz algo da dramaturgia de Beckett, do absurdo de Ionesco, mas também das rupturas espaço-temporais da arriscada autoria cinematográfica de Resnais, Tarkovski e Lynch”1. Para ele, a seleção dos pequenos objetos exibidos faz um elogio às micronarrativas.

A relação de seu trabalho com o teatro e as narrativas está presente na instalação sonora Conversa Paralela: Eles Não (2012), em que a artista parte de um trecho da peça Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006). Em dois alto-falantes, contrapõem-se trechos em que a personagem Romana conversa com o filho e o marido antes de entrarem em greve, misturando falas sobre o momento político e a vida doméstica. 

O teatro também aparece de forma figurativa em suas esculturas, como em Homem Trágico (2012), em que constrói com feltro um anfiteatro ao modelo dos auditórios da Grécia Antiga. Dessa série fazem parte Heavy Metal (2012), que representa uma arena para grandes shows, e Potemkin (2012), que remete à cena da escadaria do filme Encouraçado Potemkin (1925), do diretor russo Sergei Eisenstein (1898-1948). Esses trabalhos de escala diminuta – entre 40 e 100 cm – contrastam com o tamanho imponente das construções reais. Feitos de feltro, material leve e frágil, contrapõem-se com os materiais pesados e robustos da construção civil.

Seus trabalhos começam a ganhar escalas maiores depois de voltar da residência da Cité Internationale des Arts, em Paris, onde fica de 2014 a 2015. É desse período Avistador de Pássaros, realizado no jardim do Centro Cultural São Paulo (CCSP), que mede 2,15 m x 3,20 m x 1,00 m. A participação do espectador também começa a ficar mais presente em sua obra a partir dessa instalação, que convida as pessoas a subirem em uma plataforma para observar os pássaros da região. Segundo a curadora Kiki Mazzucchelli (1972), no centro do trabalho da artista está a noção de espectador. Devido a essa condição, conceitos de exibição e escala fazem parte da construção de suas peças2

Em Espetáculo, apresentado na 32ª Bienal Internacional de São Paulo, em 2016, uma série de esculturas é colocada em um palco com um fundo azul, como se criasse uma pintura por meio de objetos tridimensionais. O título, porém, faz alusão ao teatro, induzindo o espectador a identificar cada peça como um ator imóvel. Ao caminhar em volta da instalação, novas cenas são reveladas. É o espectador quem dá vida ao teatro da artista ao se movimentar em frente à obra. O trabalho ressalta ainda a herança construtiva de Ana, seu interesse pelas formas geométricas e cores puras. 

A história da arte também permeia sua pesquisa. O trabalho Garabandal (2015) e a a série Êxtase, Ascensão e Morte (2015) são inspirados nas pinturas renascentistas. Ana Mazzei cria um mobiliário a fim de propor ao espectador que experimente poses recorrentes de personagens em pinturas sacras. Ao moldar o corpo em seus aparatos, a artista desloca o olhar do visitante e lhe oferece outro ponto de vista do espaço expositivo. 

Com base nessa ideia de criar suportes para acomodar corpos em determinadas poses, Ana produz Corpo Parede, para o Projeto Parede, do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), em 2018. Na obra, o público é convidado a se posicionar encostado na parede, seguindo as linhas desenhadas. Com a participação do espectador, ao assumir as poses, Ana elabora, no corredor do museu, um baixo-relevo vivo. A partir desses trabalhos, a madeira se torna o material mais frequente e presente em sua obra. Suas esculturas revelam um interesse pela arquitetura e pelo design modernista, subvertendo, contudo, os conceitos de funcionalidade.

Com uma pesquisa multidisciplinar, Ana Mazzei explora diversos suportes como texto, vídeo, escultura e desenho para trabalhar suas ideias, criando objetos que se relacionam com o espaço expositivo e permitindo ao espectador experienciar sua obra. 

 

Notas:

1. MAZZEI, Ana. Interrogações Sobre Lugares. Texto de Mario Gioia. São Paulo: Zipper Galeria, 2012.

2. MAZZEI, Ana. Antechamber. Texto de Kiki Mazzucchelli. Londres: Gasworks, 2019.

Exposições 20

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 13

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