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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Kiki Mazzucchelli

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 22.09.2020
1972 Brasil / São Paulo / São Paulo
Cristiana Miranda Mazzucchelli (São Paulo, São Paulo, 1972). Curadora e crítica de arte independente. É um dos nomes atuantes na internacionalização de artistas latinos, com interesse em produções capazes de ampliar o cânone, dando visibilidade a artistas ainda não inseridos no circuito internacional.

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Cristiana Miranda Mazzucchelli (São Paulo, São Paulo, 1972). Curadora e crítica de arte independente. É um dos nomes atuantes na internacionalização de artistas latinos, com interesse em produções capazes de ampliar o cânone, dando visibilidade a artistas ainda não inseridos no circuito internacional.

Gradua-se em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em 1997. Em 2002, conclui o mestrado em história da arte do século XX pela Goldsmiths College, na Universidade de Londres. Sua formação é ligada ao pensamento filosófico, o que contribui para a prática como crítica de arte, que resulta em uma vasta produção de ensaios e livros sobre artistas como Carla Zaccagnini (1973), Maxwell Alexandre (1990) e Jonathas de Andrade (1982).

Inicia trajetória profissional em 1997 com a produção de exposições do Paço das Artes, em São Paulo. Participa como assistente de curadoria da exposição Por que Duchamp (1999), que faz leituras duchampianas com artistas e críticos brasileiros e envolve diferentes nomes da cena da época, como Carmela Gross (1946), Cildo Meireles (1948), Regina Silveira (1939), entre outros.

Em 2008, seu projeto de exposição OIDARADIO é selecionado para participar da Temporada de Projetos do Paço das Artes. Sua proposta é desafiadora e inédita no Brasil, por só expor arte sonora. Em parceria com o pesquisador inglês Nick Graham-Smith (1970), a mostra conta com trabalhos de músicos, DJs e sound artists brasileiros e estrangeiros. A exposição traz obras exclusivamente sonoras e é transmitida por uma rádio on-line que permanece ao vivo por 24 dias. 

Em parceria com a crítica e curadora Cristiana Tejo (1976), é curadora da Residência Belojardim (2018), projeto que incentiva discussões em torno do significado sociocultural do termo Nordeste e do legado da arte popular da região, com base em experiência no município pernambucano de Belo Jardim. A residência pensa a arte popular no contexto brasileiro e convida artistas para residirem na cidade e desenvolverem seus projetos. 

É diretora do espaço independente Kupfer, em Londres, um lugar de experimentação e troca de laços culturais entre artistas estrangeiros. Para ocupar esse espaço, convida os artistas brasileiros Sérgio Sister (1948), Ana Prata (1980), Thiago Barbalho (1984), entre outros, focando artistas contemporâneos que ainda não têm visibilidade no circuito londrino.

Entre suas exposições, destacam-se a Bienal do Site Santa Fé (2016-2017), em Novo México, Estados Unidos, e Conjuro de Ríos / Selva Cosmopolítica (2018), do Museo de Arte da Universidad Nacional de Colombia. Esta última reúne artistas do Brasil, da Colômbia e da Venezuela, e convida a ver o rio como um ser com linguagem, inteligência e direitos.

Em 2019, é curadora da exposição Flávio de Carvalho: o antropófago ideal, na Galeria Almeida & Dale, em São Paulo. A mostra é originalmente apresentada na Sotheby’s S|2 Gallery, em Londres, e é a primeira exposição individual dedicada ao artista no Reino Unido. Uma das mais importantes referências da vanguarda brasileira do século XX, Flávio de Carvalho (1899-1973) tem exposição panorâmica de sua trajetória com catálogo publicado em inglês e português, contribuindo para a internacionalização do artista.

Kiki Mazzucchelli vê na escrita de textos críticos sobre artistas uma forma de produzir conhecimento e tem como interesse a publicação de livros, para que a circulação desses trabalhos também possam se dar em maior escala. Organiza livros como 4.000 Disparos (2013), de Jonathas de Andrade, e também contribui com artigos e resenhas para diversas publicações especializadas, como Art Review (Londres), Artforum (Estados Unido), Mousse (Itália) e Terremoto (México).

Entre suas produções, destaca-se a monografia produzida sobre o artista Tonico Lemos Auad (1968), que abrange mais de duas décadas de produção do artista e é publicado pela editora alemã Buchhandlung Walther König em 2018.

O livro Empena Cega (2016), sobre o artista Marcelo Cidade (1979), também é um dos marcos de suas produções bibliográficas. Kiki organiza o volume bilíngue que traz mais dez anos da produção do artista cujo objeto de estudo são as ruas de São Paulo, fazendo de seu trabalho uma vivência do espaço urbano e também questionando noções de espaço público e privado.

Com o auxílio de um grupo de patronos brasileiros, em 2017 Kiki funda o Gasworks Brazilian Residency Patron’s Circle, para apoiar artistas brasileiros a ficarem uma temporada desenvolvendo seus projetos nesse espaço. Uma iniciativa relevante para auxiliar a internacionalização de artistas contemporâneos brasileiros. Já participaram os artistas Rafael RG (1986) e Ana Mazzei (1979).

Com intenso acesso internacional a diversas instituições, Kiki Mazzucchelli procura expor artistas brasileiros e latinos em outros circuitos e contribui para a internacionalização de suas produções. Por ter um trabalho independente, Kiki transita em diferentes galerias e museus, propondo exposições de artistas sem visibilidade, latino-americanos, mulheres, que produzem fora dos grandes centros. A escrita de inúmeros textos sobre artistas brasileiros endossa seu trabalho como crítica e auxilia na produção de conhecimento sobre arte contemporânea.

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