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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Almir Mavignier

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.09.2019
01.05.1925 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
03.08.2018 Alemanha / Hamburgo / Hamburgo
Reprodução fotográfica Paulo Scheuenstuhl

Retrato de Arpad Szenes, 1947
Almir Mavignier
Óleo sobre tela
33,00 cm x 41,00 cm
Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM/RJ

Almir da Silva Mavignier (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1925 - Hamburgo, Alemanha, 2018). Pintor e artista gráfico. Reconhecido como um dos primeiros brasileiros a produzir arte concreta, é também estimado por ter proposto, com a médica Nise da Silveira (1905 - 1999), o uso de atividades artísticas como método de terapia ocupacional.

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Almir da Silva Mavignier (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1925 - Hamburgo, Alemanha, 2018). Pintor e artista gráfico. Reconhecido como um dos primeiros brasileiros a produzir arte concreta, é também estimado por ter proposto, com a médica Nise da Silveira (1905 - 1999), o uso de atividades artísticas como método de terapia ocupacional.

Mavignier inicia seu aprendizado artístico nos cursos da Associação Brasileira de Desenho, em 1946. No mesmo ano, frequenta o ateliê do artista húngaro Arpad Szenes (1897-1985), de quem recebe influência. Também participa, nessa época, da fundação do Ateliê de Pintura e Modelagem, que integra a Seção de Terapêutica Ocupacional do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro (atual Museu de Imagens do Inconsciente), criado pela psiquiatra Nise da Silveira. Lá, orienta internos como Raphael (1912-1979), Emygdio de Barros (1895-1986) e Isaac (1906-1966).

No ateliê de Szenes, um ano mais tarde, Mavignier acompanha as aulas do artista Axl Leskoschek (1889-1975) e do pintor alemão Henrique Boese (1897-1982); pinta cenas de interiores e naturezas-mortas. Nessa época, sua pintura é figurativa e lírica, guardando semelhanças com o trabalho de artistas franceses como Pierre Bonnard (1867-1947) e Édouard Vuillard (1869 - 1940).

Após conhecer as teorias do crítico de arte Mário Pedrosa (1900- 981), Mavignier inicia pesquisas na área da abstração: "A tese de Pedrosa, A influência da teoria da Gestalt sobre a obra de arte, me informou que o conteúdo de uma forma não se encontra na sua associação com formas da natureza. Esse conhecimento me permitiu abandonar uma pintura naturalista e iniciar uma pintura de pesquisas concretas de formas livres de associações".1 A partir dessas pesquisas, o artista inicia uma progressiva produção artística voltada à pintura não figurativa.

Mavignier faz, em 1949, sua primeira aquarela abstrata: Estudo. Na sequência, produz pinturas com formas orgânicas geometrizadas, em que reduz o número de cores, mas mantém os meios-tons e a pincelada expressiva de seu trabalho figurativo. No mesmo ano, integra o primeiro grupo de arte abstrata do Rio de Janeiro, com os artistas Ivan Serpa (1923-1973), Abraham Palatnik (1928) e o crítico Mário Pedrosa.

Em 1950, Mavignier viaja para São Paulo com Pedrosa, Palatnik e Mary Vieira (1927-2001) e visita a exposição do artista concreto suíço Max Bill (1908-1994), no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). Essa mostra é decisiva para a formação de Mavignier: ele entra em contato direto com a produção construtiva, que se torna sua influência central. Ainda em 1950, produz sua primeira exposição individual, exibindo pinturas abstratas e figurativas no Instituto dos Arquitetos do Brasil do Rio de Janeiro (IAB/RJ). Também organiza naquele ano, com Léon Dégand e Lourival Gomes Machado, a exposição 9 Artistas do Engenho de Dentro, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP).

No ano seguinte, 1951, o artista monta outra exposição individual no MAM/SP, com trabalhos abstratos, e muda-se para Paris, com bolsa do governo francês. Durante sua permanência na França, frequenta as oficinas da Académie de La Grande Chaumière. Faz suas primeiras telas concretas no ateliê do pintor abstrato Jean Dewasne (1921-1999), trabalhando com esmalte sobre superfície de madeira. Os quadros são mostrados no Salão de Maio de 1952 e no Salão das Realités Nouvelles, ambos em Paris.

Em 1954, Mavignier começa seu curso de comunicação visual na Hochschule für Gestaltung [Escola Superior da Forma], em Ulm, Alemanha. Sua obra incorpora a estética e os procedimentos do concretismo de maneira sistemática. Nesse período de estudos, é influenciado pelo artista e professor Josef Albers (1888 - 1976) e mantém contato com Max Bill. Suas telas, assim como as de Albers, se organizam por formas quadradas: Mavignier faz quadriláteros fragmentados por pontos de cor que compõem variações tonais ou de relevo.

O artista produz, em 1957, seu primeiro cartaz, iniciando importante trajetória nas artes gráficas. Um ano depois, conclui o curso na Escola de Ulm e continua residindo na cidade, onde atua como pintor e artista gráfico. Participa do Grupo Zero, entre 1958 e 1964, com os artistas Heinz Mack (1931), Otto Piene (1928), Yves Klein (1928 - 1962) e Jean Tinguely (1925 - 1991). Em meados desse período, projeta e organiza a exposição Novas Tendências, primeira mostra internacional de op art na Iugoslávia, realizada em 1960.

Sua pintura nessa década mantém uma relação com a op art. Os trabalhos, como os da série Côncavo e Convexo, de 1962, são mostrados na Documenta de Kassel e na Bienal de Veneza em 1964. Em 1965, o artista participa da mostra Op Art, the responsive Eye, dedicada ao movimento, no Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York. No mesmo ano, muda-se para Hamburgo, onde começa sua carreira de professor de pintura na Hochschule für Bildende Künste [Escola de Artes Visuais], papel que exerce até 1990.

A primeira mostra retrospectiva do artista é organizada em 1967; montada em Munique e Hanover. Mavignier se naturaliza alemão em 1981, mas sua importância como artista brasileiro cresce em seu país de origem. Entre o final do século XX e início do século XXI, são organizados no Brasil diversos eventos dedicados a sua obra: em 1989, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP) monta uma exposição com seu trabalho gráfico; cinco anos depois ele tem parte de sua obra exibida na mostra Bienal Brasil Século XX; em 2000, a pesquisadora Aracy Amaral monta uma exposição em homenagem aos 75 anos do artista, no MAM/SP.

É possível identificar na trajetória de Mavignier, entre o artista figurativo e o concreto, um percurso de mudança e consolidação artística que resulta de estudo e pesquisa sistemáticos nas áreas de pintura e artes gráficas. É dessas escolhas que resulta o prestígio que tem constantemente colocado seu trabalho em evidência.

Notas

1. MAVIGNIER, Almir. Depoimento. In: AMARAL, Aracy (org.). Projeto construtivo brasileiro na arte: 1950-1962. Rio de Janeiro: MAM, 1977. p.177

Obras 8

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Reprodução Fotográfica Autoria Desconhecida

Crossing

Óleo sobre tela

Exposições 208

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Feiras de arte 2

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Fontes de pesquisa 15

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  • AMARAL, Aracy (org.). Projeto Construtivo Brasileiro na arte (1950-1962). Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna; São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1977.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • BRITO, Ronaldo. Neoconcretismo: vértice e ruptura do projeto construtivo brasileiro. 2. ed. São Paulo: Cosac & Naify, 1999. (Espaço da arte brasileira).
  • CHIARELLI, Tadeu (org). Alegoria. São Paulo: MAM, [2002].
  • COLEÇÃO Theon Spanudis: doação para o acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. São Paulo: MAC/USP, 1980.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • KLINTOWITZ, Jacob. O ofício da arte: a pintura. São Paulo: SESC, 1987. 265 p.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MAVIGNIER, Almir. Almir Mavignier: cartazes São Paulo. São Paulo: MAC/USP, 1989.
  • MAVIGNIER, Almir. Mavignier 75. Tradução Andréa Fairman; apresentação Milú Villela; introdução Aracy Amaral. São Paulo: MAM, 2000. 108 p., il. color.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • TEMPOS de guerra: Hotel Internacional / Pensão Mauá. Curadoria Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1986. (Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro).
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

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