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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Mundano

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.07.2021
1979 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico Marcus Leoni

Mundano, 2020

Thiago T. L. A. (São Paulo, São Paulo, 1979). Grafiteiro, empreendedor social e ativista. Reconhecido internacionalmente por seu grafite e ativismo socioambiental, Mundano busca inspiração na voz das ruas, nos problemas e nas virtudes das cidades. Ganha projeção ao conceber e desenvolver o projeto Pimp My Carroça, que traz visibilidade ao trabal...

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Thiago T. L. A. (São Paulo, São Paulo, 1979). Grafiteiro, empreendedor social e ativista. Reconhecido internacionalmente por seu grafite e ativismo socioambiental, Mundano busca inspiração na voz das ruas, nos problemas e nas virtudes das cidades. Ganha projeção ao conceber e desenvolver o projeto Pimp My Carroça, que traz visibilidade ao trabalho dos agentes de reciclagem, conhecidos como catadores. Suas frases grafitadas em carroças e em outras de suas obras têm como objetivo conscientizar a população sobre as desigualdades sociais e questões ambientais. 
 
O interesse pelo grafite emerge na adolescência pela possibilidade de comunicação com o público. Em 1999, integra crews (coletivos) de grafite onde assina DMENT (demente) e SJS (sujos). O impacto de ver dois colegas se acidentarem enquanto grafitam, em 2002, faz com que pare a atividade e só retorne em 2006, assinando Mundano.
 
Seus “seres mundanos”, com expressões duras como as de carrancas, caracterizam inicialmente seus grafites: imagens com olhos grandes, ora replicados no lugar das narinas, com lábios grossos e cores intensas. Outro traço distintivo é o uso de texto, como frases comentando problemas observados no entorno, ou balões de diálogo, em interferências em imagens preexistentes. O uso desse artifício faz com que batize seu trabalho de grafite paporreto, uma comunicação direta e clara com o espectador.
 
Em 2007, Mundano pede autorização para intervir com um graffiti em um ambiente ocupado por um catador de rua. O trabalhador sugere que ele pinte também seu veículo, e, durante cinco anos, o artista realiza sozinho intervenções – pinturas e frases – nas carroças. Também são realizadas outras benfeitorias para os trabalhadores, suas carroças e rotas de circulação na cidade. A visibilidade para esses trabalhadores marginalizados também faz com que o grafite ocupe o espaço público como uma nova arte ambulante, em contínua exposição, que é oferecida para a população que não tem por hábito frequentar museus e galerias.
            
Amplia esse projeto em 2012, ao realizar um financiamento coletivo para captar fundos para a reforma de mais carroças. Com base em um programa de TV americano chamado Pimp my ride, em que carros em péssimo estado de conservação recebem melhorias, o Pimp My Carroça consegue em dois meses retorno financeiro maior que o esperado e grande interesse dos meios de comunicação. Na primeira edição do evento, mais de 50 carroças recebem itens de segurança, faixas refletivas, espelhos retrovisores e frases como “Não buzine! Agente ambiental trabalhando”. Chega-se ao texto em conversa com os próprios trabalhadores, que também passam por consultas médicas, recebem corte de cabelo, massagem e uma refeição. O evento com a “carroceata” acontece no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, em junho de 2012. Edições acontecem em anos seguintes no Rio de Janeiro, em Santiago e Valparaíso, no Chile, e em Nova York. Essa ampliação do projeto é batizada de Cidades Recicláveis.
 
Mundano trabalha com o que denomina ARTivismo: o processo artístico como instrumento para chamar a atenção para questões sociais e ambientais, que pretende, com a ocupação da cidade e da mídia, gerar transformações de impacto no tecido social. O tema de suas obras abarcam graves crises ambientais, como a crise hídrica de São Paulo, em 2014, e da Califórnia, em 2015. Nesta última, leva uma obra em forma de cacto, feita com canos reutilizados com torneiras, a uma instalação itinerante com paisagens alteradas pela falta de água na costa oeste dos Estados Unidos. Outra linha de sua pesquisa são as releituras de obras de arte famosas, como sua versão da xilogravura A Grande Onda de Kanagawa (1830-1833), do mestre japonês Hokusai (1760-1849), criada com óleo do vazamento de um navio que afeta praias em diversos estados do nordeste brasileiro, em 2019.
 
A pintura na empena de um edifício ao lado do Mercado Municipal de São Paulo é seu maior trabalho, com 800 m2. A obra de 2020 é uma releitura da pintura Operários (1933), de Tarsila do Amaral (1886-1973). Para homenagear a memória das vítimas mortas no maior crime ambiental do país pelo rompimento da barragem de uma mineradora em Brumadinho, Minas Gerais, Mundano busca no Rio Paraopeba 14 quilos de lama adulterada por causa do acidente com minério de ferro para pintar 72 rostos com 16 tonalidades diferentes. 

Sua obra é apresentada em intervenções e mostras na Bélgica, nos Estados Unidos, na Áustria, na África do Sul, em Istambul, no Japão e em Israel. É frequentemente convidado para apresentar palestras sobre seu trabalho, reconhecido com o Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos, no Brasil, o Grand Prize Digital Innovation Award, na França, o Third International Public Art Award, na China, entre outros. Faz parte de organizações internacionais para liderança em inovação em empreendedorismo social como TED, Amaphiko e Ashoka.

Ao ampliar seu ativismo pessoal para o colaborativo, Mundano tem seu trabalho de ARTivista reconhecido na promoção de engajamento para causas sociais, e os desdobramentos de seu engajamento local são reproduzidos em escala global. As desigualdades econômicas e o descaso da sociedade e de autoridades em relação ao meio ambiente são seus temas escolhidos para transformações sociais relevantes.

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Mundano – Série Cada Voz (2020)
Mundano apresenta seu ateliê e seu trabalho. Ele questiona em suas obras a elitização do acesso à arte e seus meios, como exposições e galerias de arte.

A convivência com o espaço público, em meio a críticas contra o graffiti, potencializa seu trabalho, por exemplo, com o trabalho feito com as carroças, no Projeto Pimp My Carroça. Mundano explica que, para ele, o projeto é um mecanismo de ação social e política que retira os catadores da invisibilidade, amplifica suas vozes e colabora na construção da autoestima deles já que, além de elaborar os desenhos e as frases, há uma troca de experiências e um espaço de escuta de suas histórias e visões sobre a própria realidade.

Mundano também apresenta o termo "artivismo”, um neologismo para definir seu trabalho e o de outros artistas que entendem a necessidade de implementar um viés de transformação e ativismo social em seus trabalhos.

ITAÚ CULTURAL
Presidente Alfredo Setubal
Diretor Eduardo Saron
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Produção de conteúdo: Camila Nader
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Produção audiovisual: Letícia Santos
Edição de conteúdo acessível: Richner Allan
Direção, edição e fotografia: Marcus Leoni
Montagem: Renata Willig
Interpretação de Libras: Florio & Fomin (terceirizada)

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