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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Tiago Gualberto

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 31.08.2021
1983 Brasil / Minas Gerais / Igarapé
Tiago Gualberto Morais (Igarapé, Minas Gerais, 1983). Artista visual, gravurista e designer. A violência contra a população afrodescendente é tema recorrente em suas obras, tanto nos títulos de seus primeiros trabalhos, com menções a procedimentos utilizados em escravizados, quanto no uso de elementos visuais que demonstram essa mesma violência ...

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Tiago Gualberto Morais (Igarapé, Minas Gerais, 1983). Artista visual, gravurista e designer. A violência contra a população afrodescendente é tema recorrente em suas obras, tanto nos títulos de seus primeiros trabalhos, com menções a procedimentos utilizados em escravizados, quanto no uso de elementos visuais que demonstram essa mesma violência colonial no presente.

Licencia-se em desenho e plástica na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2005. Neste período, realiza sua primeira mostra individual durante o 1º Seminário de Consciência Negra do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (DCE-UFMG), em Belo Horizonte, em parceria com o núcleo de Ações Afirmativas da Faculdade de Educação (FAE/UFMG).

Entre 2006 e 2008, compõe a equipe do núcleo de Cultura Digital, ação integrada ao Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura. Seu envolvimento consiste na realização de oficinas de artes visuais em diversas cidades brasileiras por meio dos Pontos de Cultura, em mapeamentos culturais, na produção de materiais de referência para incentivar ações colaborativas e no uso de equipamentos multimídia para publicação de conteúdos culturais nas comunidades. Ainda em 2006, tem sua primeira participação no Museu Afro Brasil na mostra coletiva Um Olhar sobre a Arte Contemporânea Brasileira.

Realiza a exposição Negra É a Cor do Meu Coração (2010), no Sesc São Caetano, em São Paulo, com mais de 30 trabalhos produzidos desde 2005, nos quais aborda as tensões étnico-raciais, as heranças das culturas africanas nas camadas populares e sua trajetória enquanto artista afro-brasileiro.

Um desses trabalhos é Navio Negreiro (2007), apresentado também na Bienal de Valência. Trata-se de cerca de 2,7 mil caixas de fósforo fixadas uma ao lado da outra, cada uma exibindo, além de palitos queimados, um retrato 3x4 obtido por fotocópias de documentos de identidade encontrados em espaços públicos e locais como “achados e perdidos”. As características técnicas da imagem fotográfica acentuam contrastes entre branco e preto, fazendo com que a maioria das pessoas de pele parda ou escura fique irreconhecível.

O artista aplica efeito parecido na série Árvore do Esquecimento, no espaço expositivo do Centro Universitário Maria Antônia-USP, em São Paulo. Neste trabalho, Tiago utiliza-se de um procedimento artesanal de produção de vasinhos, de inspiração popular, para revelar a imagem fotográfica. O artista enche centenas de lâmpadas incandescentes com água e fotocópias de retratos 3x4, e prende cada bulbo em galhos pendurados no teto. 

Participa do Concurso de Criação de Padronagem, promovido pela Fundação Japão/Tóquio e pelo Ministério das Relações Exteriores do Japão em 2009, para produção de furoshiki, um tecido de embrulho tradicional japonês. Tiago é um dos finalistas do concurso, com Iemanjá e Carpa ao Amanhecer, em que reúne elementos de culturas diferentes, como o candomblé de origem iorubá (Nigéria e Benim), e, por meio da xilogravura, mescla-os com a carpa, peixe da cultura tradicional japonesa.

Em 2012, é convidado para palestrar no evento Brazil Initiative, no Watson Institute, da Brown University, em Rhode Island, Estados Unidos, e compor a exposição coletiva OSSO – Exposição-apelo ao Amplo Direito de Defesa de Rafael Braga. No mesmo ano, é selecionado pela Obama Foundation para um encontro presencial com Barack Obama e dez jovens lideranças atuantes em projetos comunitários, com o objetivo de apresentar pautas para possíveis ações conjuntas.

Forma-se em têxtil e moda pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP), em 2014, e torna-se mestre em poéticas visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), em 2018.

No mesmo ano, conclui o trabalho Lembrança de Nhô Tim, resultado de sua pesquisa de mestrado e um dos projetos artísticos mais relevantes de sua trajetória. Publicada em formato de jornal impresso, a dissertação aborda as relações entre a exploração da terra pela prática da mineração e a produção de memória e valor por meio da arte. Tiago apresenta de forma física suas memórias, voltando-se para a comunidade do bairro Resplendor1, em Igarapé, Minas Gerais, onde cresce, e apropriando-se de saberes populares que vivencia, como o uso da terra.

As intervenções realizadas pelo artista constituem elementos que fortalecem a ideia de transformar o objeto Lembrança de Nhô Tim em diálogos e questionamentos para entender como a imaginação sobre um objeto, uma paisagem, ou narrativas oficiais é capaz de compor estratégias essenciais para a compreensão de fatores como o racismo institucional, a injustiça social, e formas de atuação política, resistência cultural e cidadania. 

Os trabalhos artísticos desenvolvidos por Tiago Gualberto são articulados ao contexto de intensificação e institucionalização do debate em torno das questões raciais na sociedade brasileira, em especial por meio de ações de movimentos da sociedade civil organizada, de reivindicação de direitos e visibilidade de suas pautas.

Nota

1. Localizada às margens da BR-381, a região recebe destaque internacional devido à presença do Instituto Inhotim. O nome dessa instituição artística deriva da forma como a população afrodescendente local aparentemente nomeava o Senhor Tim, um geólogo inglês, conhecido por Timothy ou Tim, proprietário de minas de onde extraía minerais preciosos durante o período colonial. 

Exposições 8

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