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Fanny Abramovich

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.06.2021
21.09.1940 Brasil / São Paulo / São Paulo
27.11.2017 Brasil / São Paulo / São Paulo
Fanny Abramovich (São Paulo, São Paulo, 1940 - idem, 2017). Escritora de literatura infantil e juvenil, pedagoga e atriz. Aos 14 anos, começa a trabalhar dando aulas particulares de várias matérias. Aos 16, matricula-se no curso normal do Instituto de Educação Padre Anchieta, concluindo-o em 1958, no Colégio Batista Brasileiro. No mesmo ano em q...

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Fanny Abramovich (São Paulo, São Paulo, 1940 - idem, 2017). Escritora de literatura infantil e juvenil, pedagoga e atriz. Aos 14 anos, começa a trabalhar dando aulas particulares de várias matérias. Aos 16, matricula-se no curso normal do Instituto de Educação Padre Anchieta, concluindo-o em 1958, no Colégio Batista Brasileiro. No mesmo ano em que inicia o curso normal, passa a lecionar no Ginásio Israelita Brasileiro Scholem Aleichem, onde atua por 11 anos. 

Em 1957, ingressa no Teatro Escola de São Paulo (Tesp), no qual trabalha até 1962. Ao concluir a formação de normalista, começa o curso de pedagogia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCL/USP), que conclui em 1963. Nesse ano, trabalha como consultora pedagógica da Editora Giroflé e tem contato com a literatura infantil e juvenil. Recebe bolsa de estudo do governo francês, em 1965, e especializa-se em arte e educação em Paris. Permanece na capital francesa até o ano seguinte, ocasião em que vai para Roma estudar tele-educação na rede de comunicação Radiotelevisione Italiana (RAI). 

Ao retornar ao Brasil, funda o Centro de Educação e Arte (CEA), ativo por oito anos. A partir de 1968, leciona e presta assessoria sobre arte e educação em diversos lugares do país. Em 1977, começa a escrever sobre educação infantil para o Jornal da Tarde e outros periódicos. 

A autora tem lecionado em todos os níveis acadêmicos: em faculdades (Belas Artes, Fundação Armando Alvares Penteado e Anhembi), no ensino médio e na educação infantil. Atua como articulista e palestrante na área de pedagogia, explorando os temas da didática e da literatura infantil, sua grande contribuição como pedagoga. Apresenta também quadros sobre o assunto na televisão, como no programa TV Mulher (1980), da TV Globo.  

Em 1979, publica, como coautora, o livro Teatricina. Na área de pedagogia, seu primeiro livro, O Estranho Mundo que se Mostra às Crianças, é publicado em 1983. Estreia na literatura infantil e juvenil em 1986, com Deixa Isso pra Lá e Vamos Brincar, reformulado dez anos depois, sob o título: Brincando de Antigamente. Em 1996, é editado seu livro de memórias Ziguezagues: Andanças de uma Educadora e Escritora.

Fanny Abramovich possui vasta obra dedicada ao público infantil, sendo considerada uma das maiores estudiosas dessa temática no país. Seus interesses são abrangentes: desde a ficção, em que pesquisa a enunciação da criança e produz uma literatura infanto-juvenil verossímil, até a grande contribuição à pedagogia. Nesta última área, pesquisa a influência da leitura na formação do imaginário das crianças, na tentativa de difundir o gosto pela leitura desde a primeira infância, construindo um leitor ativo, amadurecido pelo contato com o universo literário.

Sobre literatura infantil, Abramovich publica Literatura Infantil: Gostosuras e Bobices, espécie de manual para a fruição do texto infanto-juvenil. Nesse livro, observa-se a preocupação didática em organizar as várias possibilidades de interação com a literatura, como a contação de histórias, o conto de fadas, a poesia para crianças e a função informativa da literatura. Nessas indicações, circulam autores infantis consagrados como Monteiro Lobato (1882-1948) e João Carlos Marinho (1935-2019). Acredita que o interesse pela leitura infantil é responsabilidade do adulto, ao propiciar os primeiros contatos com o livro ou com os quadrinhos, cultivando o interesse das crianças. O livro encerra-se com o convite às bibliotecas e auxilia na formação da própria biblioteca do leitor com lista de sugestões de leitura para uso do professor ou dos pais.

No que se refere ao universo infanto-juvenil, Abramovich explora assuntos pertinentes à educação e à superação das passagens de crescimento, como é possível observar na coletânea de contos Espelho, Espelho Meu (1992). No conto “Débora, na Flor da Idade”, por exemplo, a autora constrói uma personagem na transição da infância para a adolescência. Expõe as crises relativas a esse período, como ficar descontente com a autoimagem, sentindo-se insegura e infeliz, até o momento em que se transforma em mulher e passa a compreender os próprios problemas. Essa literatura é fluida, fazendo uso de uma variante linguística a meio do caminho entre a oralidade e o vocabulário juvenil, por meio de gírias que revelam o comportamento e o ambiente infantis com verossimilhança. Alia-se a isso a construção de narradores infantilizados que conseguem captar a ótica da criança. Tais opções estilísticas, marcantes nessas narrativas, favorecem a irreverência do público infantil e geram grande aceitação de seus textos. Já em “Malu, na Meia Idade”, a protagonista Maria Luísa encontra-se às voltas com o envelhecimento e com a descoberta de novas formas de interação com o mundo. Ambos os contos geram uma reflexão delicada sobre a passagem para a maturidade, mostrando-a como evolução natural.

Ainda para o público infantil, destaca-se o livro Começar Tudo de Novo (1995), com ilustrações de Laerte (1951), em que a personagem Bruna retorna às aulas em uma escola nova. A história desenvolve-se com a rotina da escola e a adaptação de Bruna, a superação das provas, as novas amizades, as brincadeiras no recreio etc. De modo direto e cativante, com vocabulário ágil e cheio de gírias, Abramovich apresenta os principais temores da idade, desfazendo-os lentamente, de modo a propiciar o amadurecimento e o trato desenvolto com o desconhecido. 

Outro livro importante é Cruzando Caminhos (1994), que explora a mesma história de quatro pontos de vista diferentes, em organização polifônica. Trata-se de um final de semana de quatro personagens em uma cidade praiana, em que as complicações comuns dos adolescentes aparecem, como namoros, brigas e festas. Apresenta interesses subjetivos e aportes sociais, até que uma tragédia dimensiona a experiência de todos eles. A opção pela polifonia ensina o jovem a entender e respeitar a diversidade de opiniões. 

 

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Fontes de pesquisa 8

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  • ABRAMOVICH, Fanny. Começar tudo de novo. São Paulo: Global, 1995.
  • ABRAMOVICH, Fanny. Cruzando caminhos. São Paulo: Ática, 1995.
  • ABRAMOVICH, Fanny. Espelho, espelho meu. 6. ed. São Paulo: Atual, 1992.
  • ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. 5. ed. São Paulo: Scipione, 2009.
  • ABRAMOVICH, Fanny. Quem manda em mim sou eu. 6. ed. São Paulo: Atual, 1989.
  • ABRAMOVICH, Fanny. Roda mundo. Belo Horizonte: Editora Sonia Junqueira, 1993.
  • COELHO, Nelly Novaes. Dicionário crítico da literatura infantil e juvenil brasileira: séculos XIX e XX. 4. ed. São Paulo: Edusp, 1995.
  • OLIVEIRA, Valéria de. A morte de Fanny Abramovich. Literatura Infantil, 28 nov. 2017. Disponível em: https://sitedeliteraturainfantil.wordpress.com/2017/11/28/a-morte-de-fanny-abramovich/. Acesso em: 26 jun. 2021.

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