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Otília Amorim

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 22.03.2017
1894 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
1970 Brasil / São Paulo / São Paulo
Otilia Amorim (Rio de Janeiro, 1894 - São Paulo, 1970). Atriz e cantora. Inicia a vida artística no circo, aos 16 anos. Em 1911, estreia como corista do Teatro Carlos Gomes, na revista Peço a Palavra. No ano seguinte, participa do filme A Vida do Barão do Rio Branco, de Alberto Botelho (1885-1973). Atua em diversos teatros cariocas populares, an...

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Biografia

Otilia Amorim (Rio de Janeiro, 1894 - São Paulo, 1970). Atriz e cantora. Inicia a vida artística no circo, aos 16 anos. Em 1911, estreia como corista do Teatro Carlos Gomes, na revista Peço a Palavra. No ano seguinte, participa do filme A Vida do Barão do Rio Branco, de Alberto Botelho (1885-1973). Atua em diversos teatros cariocas populares, antes de se tornar a primeira atriz da Companhia de Revistas do Teatro São José, em 1918. Em 1919, atua nos filmes Ubirajara e Alma Sertaneja, de Luís de Barros (1893-1982), e lança no palco a marcha “Pois Não”, de Eduardo Souto (1882-1942) e Filomeno Ribeiro, sucesso do carnaval de 1920. A canção também é gravada  por Bahiano em 1921, como samba de cateretê. No ano seguinte, estrela uma campanha de burletas e revistas que levam seu nome. Em 1924, desbancada pela atriz Margarida Max (1890-1956), perde o posto de primeira atriz da companhia e retorna para o Teatro São José. No ano seguinte, lança no teatro João Caetano a marcha “Zizinha”, sucesso de José Francisco de Freitas (1897-1956).

Em 1926, muda-se para São Paulo e funda uma trupe com o ator paulista Sebastião Arruda, com quem excursiona pelo Brasil. Ainda na capital paulista, integra o grupo Tro-lo-ló, de Jardel Jércolis (1894-1944), e a Companhia Permanente do Teatro Colombo. Em 1931, participa do filme O Campeão de Futebol, dirigido por Genésio Arruda (1898-1967), com quem também atua no music-hall Moinho do Jeca, versão paulistana da casa de espetáculos parisiense Moulin Rouge. Entre 1930 e 1932, grava 11 fonogramas de 78 rotações, interpretando sambas, como “Por Amor ao Meu Mulato”, de Vadico (1910-1962) e “Na Miséria”, de Gabriel Migliori (1909-1975), ambas de 1931, e marchas, como “Napoleão”, de Joubert de Carvalho (1900-1977), de 1932. Na segunda metade dos anos 1930, participa de espetáculos rádio-teatrais em emissoras paulistanas, afastando-se da vida artística nos anos 1940. Em 1989, o selo Revivendo relança algumas de suas gravações no LP Sempre Sonhando.

Análise

Conhecida como “a rainha da revista”, Otília Amorim é a primeira artista mestiça a atingir o estrelato no teatro musicado brasileiro. Encarnando o personagem-tipo da mulata (ou seu equivalente regional, a baiana), é a primeira atriz do teatro de revista a cantar no palco um número de samba, em 1918. Dois anos mais tarde, faz sucesso no papel da lavadeira Felizarda, personagem “tipicamente brasileira” da revista Gato, Baeta e Carapicu, de Cardoso de Meneses (1893-1935), Bento Moçurunga (1879-1970) e Bernardo Vivas.

Otilia Amorim não se fixa, porém, em um só personagem. Se em um dos quadros da revista Pé de Anjo, de Cardoso de Menezes e Carlos Bittencourt, ela encarna a criada Severina, em outro, representa Aranha, uma “mulher chic”. É capaz de interpretar tanto maxixes como foxtrotes com igual desenvoltura. Quando os espetáculos de revista tornam-se mais luxuosos, inspirados nos congêneres franceses e norte-americanos, as representações da brasilidade (como a mestiçagem e o carnaval) passam a conviver com os símbolos da modernidade (como as danças sincopadas e as fantasias luxuosas), dois universos nos quais Otília Amorim transita com facilidade.

Não há registro de nenhum disco de Otilia na fase mecânica da fonografia, quando o microfone analógico exige uma voz impostada e com grande amplitude. A cantora compensa a voz pequena com fraseados sincopados e entonação próxima da fala coloquial. Gravado em 1932, já na fase elétrica, o samba-macumba “Óia a Ganga”, de Artur Braga, revela as principais características da intérprete: canto brejeiro, sem vibrato, entoado na região média. Essa característica a diferencia de outras cantoras do teatro, como Aracy Cortes (1904-1985) e Margarida Max. Antecipa o estilo quase falado que faz sucesso em vozes como de Mario Reis (1907-1981) e Carmen Miranda (1909-1955). Talvez por isso, ela é a cantora de samba preferida de Mário de Andrade (1893-1945), que elogia a “dicção apropriada” e a capacidade de extrair “efeitos magníficos” de sua “voz gasta e expressiva”.

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Fontes de pesquisa 6

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  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998.
  • GIRON, Luis Antonio. "Otilia Amorim já era Bossa Nova". Folha de São Paulo, 25/10/1989, Caderno Ilustrada, p. F-5.
  • LOPES, Antonio Herculano. Vem cá, mulata!. Tempo, vol. 13, n. 26, Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense, 2009, p. 88-100.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Márcio Freitas. Não catalogado
  • TONI, Flavia Camargo (org.). A música popular brasileira na vitrola de Mário de Andrade. São Paulo: Ed. Senac, 2004.
  • VENEZIANO, Neyde. As grandes vedetes do Brasil. São Paulo: Imprensa Oficial, 2010 (Coleção Aplauso).

Como citar

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