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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Pedro Marighella

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 11.01.2022
27.12.1979 Brasil / Bahia / Salvador
Pedro Fernandes Marighella (Salvador, Bahia, 1979). Artista visual, designer, ilustrador e músico. Atuante em múltiplas áreas de expressão, utiliza ilustrações, áudios, produções em design e cenografia para registrar a diversão e entretenimento baiano, evidenciando o potencial crítico de uma multidão em eventos festivos.

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Pedro Fernandes Marighella (Salvador, Bahia, 1979). Artista visual, designer, ilustrador e músico. Atuante em múltiplas áreas de expressão, utiliza ilustrações, áudios, produções em design e cenografia para registrar a diversão e entretenimento baiano, evidenciando o potencial crítico de uma multidão em eventos festivos.

Ainda na escola, na década de 1990, Pedro Marighella desenha quadrinhos e pinta as paredes do grêmio estudantil do Colégio do Instituto Social da Bahia (Colégio ISBA). Em 1999, atua na primeira edição da HQ independente da Banzai Comics, ilustrando a capa e o pôster do projeto. 

No começo dos anos 2000, desenvolve projetos como DJ, mesclando músicas dos anos 1970 a 1990 com o pagode eletrônico baiano. A partir dessa mistura, aliada ao questionamento sobre a distinção entre músicas consideradas de bom ou mau gosto, se autonomeia como Som Peba. Nesse período, também passa a trabalhar com encomendas de ilustrações e peças gráficas, através da administração conjunta do Estúdio Zito.

Em 2006, ingressa no curso de Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), já em contato com arte contemporânea por meio de suas pesquisas, participações em exposições, como no 10º  Salão da Bahia (2003), em Salvador, e por seu ingresso no Grupo de Interferência Ambiental (GIA), em 2003. Junto com o grupo, compartilha o entendimento de que o espaço público deve ser repensado, investigando como o espaço físico e a arte interferem nas relações humanas e subjetivas.

Por volta de 2007, Marighella passa a desenhar em grandes dimensões, utilizando um retroprojetor para ampliar o desenho nas paredes, feito em papel ou em transparência. A técnica é utilizada em sua ocupação gráfica Mata, realizada em 2010 na galeria ACBEU, em Salvador. Com uma caneta de cor azul sobre o fundo branco do espaço, seus desenhos detalham e dão movimento aos eventos de grande aglomeração, como o carnaval na Bahia, tendo como base registros obtidos por uma câmera fotográfica disfarçada de lata de cerveja. Apesar da composição azul e branco lembrar os azulejos portugueses, Marighella foge da leveza que essa arte incorpora. Ao transportar para as paredes pessoas que estão na folia de variadas formas, seja conversando ou brigando, o artista expõe as camadas presentes dentro de uma grande massa uniforme. Para o crítico de arte Emanoel Araújo (1940), a obra de Pedro aborda “a paranoia de um mundo em transformação crescente e desesperado”.1

A partir de 2010, participa de diversas exposições, como a 10ª Bienal do Recôncavo, realizada em São Félix, Bahia, em que é premiado em primeiro lugar com a série Mata. Em 2013, se apresenta no Museu Afro Brasil, em São Paulo, na exposição A Nova Mão Afro-Brasileira, com sua obra premiada reproduzida em um mural, lembrando um grafite. 

Em 2020, integra a coletiva Histórias da Dança, realizada pelo Museu de Arte de São Paulo (Masp), com uma obra também de Mata. Parte da sessão Ritmos e sincronicidades, o trabalho reproduz com um marcador azul em lona de algodão um grupo de pessoas de costas participando de um festejo. A obra é acompanhada de um depoimento em áudio da cantora Daniela Mercury (1965), presente no documentário Axé - canto do povo de um lugar (2017), do diretor Chico Kertész, sobre um show realizado em 1992 no vão livre do Masp. No mesmo ano da exposição, Marighella passa a compor o acervo permanente do museu.

Seguindo a mesma linha de registrar a multidão e evidenciar o uso político, consciente ou não, do espaço urbano, apresenta em 2021 a individual Templo, na Galeria RV Cultura e Arte, em Salvador. Com sete trabalhos expostos, o artista usa como base frames dos vídeos de coreografia de bailarinos de pagode e do arrocha baiano. Seus desenhos incorporam apenas as pessoas, fora de seu contexto em grupo, enfatizando os olhares, gestos e movimentos da dança. Para o curador Uriel Bezerra, ao trazer uma espécie de solitude na obra, Marighella associa a dança dos ritmos musicais baianos a uma atividade mística, compondo o que chama de arquitetura espiritual. 

Trazendo para o bidimensional as aglomerações festivas da Bahia, Pedro Marighella nos faz enxergar os vários mundos existentes dentro de uma multidão, composta por música, gestos e diversos sentimentos que ocupam e transformam a relação das pessoas com o espaço urbano.

 

Nota

1. PEDRO Marighella. Galeria RV Cultura e Arte, Salvador. Disponível em: https://rvculturaearte.com/artista-pedro-marighella. Acesso em: 07 jan. 2022.

Exposições 7

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Intervenções 1

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  • 19/4/2010 - 8/5/2010

Fontes de pesquisa 12

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