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Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Sebastião Tapajós

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 05.09.2022
16.04.1944 Brasil / Pará / Santarém
02.10.2021 Brasil / Pará / Santarém
Sebastião Pena Marcião (Santarém, Pará, 1944 – idem, 2021). Violonista, compositor. Sebastião Tapajós dedica a carreira a uma investigação profunda das mais diferentes linguagens musicais, contemplando a música erudita e popular, ritmos brasileiros e estrangeiros, sempre a partir de seu virtuosismo ao violão. É notável sua forte identificação co...

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Sebastião Pena Marcião (Santarém, Pará, 1944 – idem, 2021). Violonista, compositor. Sebastião Tapajós dedica a carreira a uma investigação profunda das mais diferentes linguagens musicais, contemplando a música erudita e popular, ritmos brasileiros e estrangeiros, sempre a partir de seu virtuosismo ao violão. É notável sua forte identificação com os ritmos do seu estado natal, como carimbó e guitarrada. 

Os primeiros contatos com o violão surgem no armazém de seu pai, em Santarém. Ao final da jornada de trabalho, os funcionários se reúnem para tocar sob o olhar instigado de Sebastião, ainda criança, que começa a tocar de forma autodidata. Os violonistas Dilermando Reis (1916-1977) e Garoto (1915-1955) são as duas principais referências nessa fase. Aos oito anos, passa a ter aulas com o professor João Fona (1901-1964) e aos dez muda para Belém para se tornar integrante do grupo Os Mocorongos. Sua formação ainda inclui estudos com os professores Othon Salleiro (1910-1999), no Rio de Janeiro, Emilio Pujol (1886-1980), em Portugal, e Regino Sáinz de La Maza (1896-1981), na Espanha.

Grava o primeiro disco, Apresentando Sebastião Tapajós e seu conjunto, em 1963. O repertório e os arranjos são típicos das bandas de baile do período, com uma variedade de ritmos que inclui, por exemplo, cha cha cha e o samba. O violão aparece ainda discretamente como um elemento de acompanhamento para os vocais e os instrumentos de sopro. Desde então, são mais de 60 discos lançados, com grande variedade de estilos e repertórios.

Sua longeva produção contempla uma diversidade de estilos musicais, com contribuição marcante à bossa nova, e gravações importantes dedicadas à música erudita. Ainda, são características marcantes a proximidade com os ritmos urbanos brasileiros, como o samba e o choro, e do Nordeste, como frevo, ciranda e o maracatu, além da influência do jazz estadunidense e de ritmos latino-americanos. Uma imersão profunda na musicalidade da região amazônica também marca seu trabalho.

Em 1964, o músico ganha bolsas de estudos do Conservatório Nacional de Música de Lisboa e do Instituto de Cultura Hispânica, em Madri. Surgem, então, as primeiras oportunidades para se apresentar na Europa, onde constrói uma sólida carreira. Apresenta-se frequentemente na Alemanha, onde toca por cerca de 90 vezes. Lança discos como Guitarra fantástica (1974) e Guitarra latina (1975) e ganha prêmios como o alemão Melhor Disco do Ano, em 1982, por Guitarra criolla.

Estabelece também uma importante relação profissional na Argentina, onde lança oito discos entre 1970 e 1980. Destacam-se os dois álbuns em parceria com o percussionista Pedro Santos (1919-1993), também conhecido como Pedro Sorongo: Sebastião Tapajós e Pedro dos Santos e Sebastião e Pedro dos Santos Vol. 2. Ambos são lançados em 1972 e exploram a dinâmica entre os dois instrumentistas, em que o acento afro do percussionista é o único acompanhamento dos dedilhados virtuosos de Sebastião Tapajós na maioria das canções.

Além de composições próprias, o repertório traz canções da bossa nova, como “Primavera”, de Carlos Lyra (1939) e Vinicius de Moraes (1913-1980) e “Samba do avião”, de Tom Jobim (1927-1994), além de peças eruditas como “Estúdio nº 1”, de Heitor Villa-Lobos (1887-1959). Chama atenção especial a composição “Cantico del agua”, de autoria de Pedro Santos, em que o percussionista batuca na água e o violinista o acompanha com um toque percussivo no instrumento, apertando as cordas de forma a tirar um som mais seco das notas, sem uso de harmonias baseadas nos acordes tradicionais.

Sebastião Tapajós grava composições de Villa-Lobos em outros discos ao longo da carreira e, em 1987, dedica um álbum inteiro, Villa-Lobos, ao repertório dele. O violonista diz que compõe muitas vezes inspirado pelas harmonias e melodias do maestro carioca e lança duas músicas dedicadas a ele: “Ebulição”, do álbum Virtuoso (1997), e “Prelúdio do entardecer”, gravado em Solos da Amazônia (2000).

Apesar de incursões por vários gêneros, a característica mais marcante na obra do músico é sua imersão pela música paraense. Desde o seu nome artístico, emprestado do rio que banha Santarém, até os títulos de vários dos seus discos, ele se dedica a desvendar os ritmos do seu estado natal e recodificá-los a partir do violão. Os álbuns Xingu (1979), Amazônia brasileira (1997), Da minha terra (1998), Solos da Amazônia e Choros e valsas do Pará (2002) exemplificam essa imersão.

A influência do jazz transparece em parcerias com o grupo Zimbo Trio, com quem grava Sincopando (1982), e com o multi-instrumentista Hermeto Pascoal (1936) e o pianista Gilson Peranzzetta (1946) no álbum Solos do Brasil (2001), em que o violonista demonstra sua vocação para improvisação.

Seu principal parceiro ao longo da carreira é o compositor e letrista paraense Billy Blanco (1924-2011), com quem cria mais de 50 músicas. Uma delas é "A flauta", gravada no disco Da minha terra (1998), na voz de Jane Duboc.

Sebastião Tapajós é um violonista capaz de transitar por repertório erudito, absorver a influência do jazz estadunidense e aplicar os ensinamentos que obteve nos estudos do violão clássico para reinventar ritmos do folclore brasileiro. A versatilidade e a técnica lhe garantem um lugar privilegiado na linha evolutiva do instrumento no Brasil, em condições de igualdade com os músicos que o influenciaram, como Dilermando Reis e Garoto.

 

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