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Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Emicida

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 01.09.2021
17.08.1985 Brasil / São Paulo / São Paulo
Leandro Roque de Oliveira (São Paulo, São Paulo, 1985). Cantor, compositor, produtor musical e desenhista. Emicida estabelece um diálogo bastante profícuo entre a tradição do rap nacional –  marcada pela abordagem de temas sociais – e a emergência de linguagens e propostas estéticas exteriores a esse universo, provenientes em sua maioria do univ...

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Leandro Roque de Oliveira (São Paulo, São Paulo, 1985). Cantor, compositor, produtor musical e desenhista. Emicida estabelece um diálogo bastante profícuo entre a tradição do rap nacional –  marcada pela abordagem de temas sociais – e a emergência de linguagens e propostas estéticas exteriores a esse universo, provenientes em sua maioria do universo pop internacional e da cultura popular brasileira.

Leandro forma-se em desenho pela Escola Arte São Paulo. Durante dois anos, atua como desenhista e roteirista de histórias em quadrinhos. Em paralelo, escreve poesias e letras de rap e começa a frequentar batalhas de freestyle (improvisação), como a da Santa Cruz, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo.

Em 2005, ganha o apelido de Emicida, fusão da sigla MC com a palavra homicida, pois os colegas consideram que Leandro “assassina” seus concorrentes nas batalhas de freestyle. O apelido se transforma em nome artístico que também funciona como sigla: E.M.I.C.I.D.A (Enquanto Minha Imaginação Compor Insanidades Domino a Arte).

Produz, de maneira caseira, 300 cópias do single da música “Triunfo”, que repercute na internet e lhe dá projeção para além de São Paulo. Nela, o rap confere ao poeta consciência de classe, como no trecho: “Uns rimam por ter talento / Eu rimo porque eu tenho uma missão”. Na mesma música, ele se vê também como um “embaixador da rua”, como expresso em: “Sou porta-voz de quem nunca foi ouvido / Os esquecido lembram de mim / Porque eu lembro dos esquecido”.

O sucesso de “Triunfo” o motiva a lançar, em 2009, a mixtape Pra Quem já Mordeu um Cachorro por Comida Até que Eu Cheguei Longe. Na sequência, produz o EP Sua Mina Ouve Meu Rap Também

Cria em sociedade com seu irmão e empresário, o cantor Evandro Fióti, a produtora Laboratório Fantasma, pela qual lança seus próprios trabalhos e de outros artistas, como o do rapper Rael (1983). O primeiro disco lançado é a mixtape Emicídio.

Participa, então, de eventos musicais no Brasil e no exterior, como: Festival Coachella (2010), na Califórnia, Estados Unidos; Rock in Rio (2011 e 2013) e Back2Black Festival (2012), em Londres. Grava o disco Doozicabra e a Revolução Silenciosa (2011) em Nova York, com produção da dupla norte-americana K-Salaam e Beatnick. Atua como repórter do programa Manos e Minas, da TV Cultura, em 2010, e, no ano seguinte, apresenta o Sangue B, na MTV. 

Com um discurso altamente politizado, mas sem o tom ostensivo dos pioneiros Racionais MC's, Emicida se destaca por se aproximar de artistas de outras origens e formações, dialogando com diferentes gêneros musicais e propostas estéticas. Em shows e gravações, canta com nomes como  Racionais MC’s, Elza Soares (1930), Martinho da Vila (1938), Pitty (1977), Fabiana Cozza (1976) e Criolo (1975)

Em 2013, lança o CD Criolo e Emicida – Ao Vivo, e apresenta seu primeiro álbum solo gravado em estúdio, O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui, com participação novamente de artistas de diversos gêneros como Rael, Dona Jacira (1940), Tulipa Ruiz (1978), Estela Vergílio, Quinteto em Branco e Preto e Juçara Marçal (1962)

Mais do que contestatória, sua produção tem forte teor reflexivo. Quase sempre cantando em primeira pessoa, o artista denuncia problemas sociais, como a prostituição, em “Rua Augusta”, e o preconceito racial, em “Cê Lá Faz Ideia”, e fala da melancolia de uma geração sem perspectivas, em “Sorrisos e Lágrimas”. 

Autobiográfico, revê suas tragédias pessoais, como em “Crisântemo”, em que narra a morte de seu pai, e também reflete a respeito do mundo das celebridades, que passa a frequentar, como no trecho de “Hoje Cedo”: “Meus poema me trouxe / Onde eles não habita / A fama irrita, grana dita / Cê desacredita”.

Em versos de outras de suas canções, Zumbi dos Palmares, Martin Luther King Jr. e outros nomes da história e da cultura negras se misturam ao universo pop dos videogames, dos jogadores de futebol e dos personagens televisivos, sem deixar de reverenciar mestres da música brasileira, especialmente do samba. “Suíte dos Pescadores”, de Dorival Caymmi (1914-2008), é citada em “Pra Não Ter Tempo Ruim”, enquanto Cartola (1908-1980), Candeia (1935-1978), Paulinho da Viola (1942), Zé Kéti (1921-1999) e João Nogueira (1941-2000) são lembrados em “Só Isso”.

Por usar a mídia tradicional para promover seu trabalho, bem como por se aproximar de artistas estranhos ao mundo do hip-hop, Emicida costuma ser cobrado por alguns fãs de rap, que o acusam de ter se vendido ao “sistema”. No entanto, esse mesmo “sistema” é alvo dos versos de “Dedo na Ferida”, uma contundente crítica à especulação imobiliária e à violência policial que atinge os sem-teto.

Autor de versos diretos e incisivos, com uma habilidade incomum nas rimas feitas de improviso, Emicida é considerado um dos renovadores do rap nacional, estabelecendo parcerias com artistas de diversos gêneros da música brasileira. 

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