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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Santa Rosa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 31.08.2021
20.09.1909 Brasil / Paraíba / João Pessoa
29.11.1956 Índia / a definir / Nova Délhi
Registro fotográfico Pedro Oswaldo Cruz

Meninas Lendo, 1940
Santa Rosa
Óleo sobre tela, c.i.d.
84,00 cm x 72,00 cm

Tomás Santa Rosa (João Pessoa PB 1909 - Nova Délhi, Índia 1956). Cenógrafo. Integrante fundador das companhias Os Comediantes e Teatro Experimental do Negro (TEN), Tomás Santa Rosa é o primeiro cenógrafo moderno brasileiro. Faz a cenografia de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, 1943, espetáculo que marca o surgimento do teatro brasileiro mod...

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Biografia
Tomás Santa Rosa (João Pessoa PB 1909 - Nova Délhi, Índia 1956). Cenógrafo. Integrante fundador das companhias Os Comediantes e Teatro Experimental do Negro (TEN), Tomás Santa Rosa é o primeiro cenógrafo moderno brasileiro. Faz a cenografia de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, 1943, espetáculo que marca o surgimento do teatro brasileiro moderno na década de 1940.

Inicia-se no teatro cenografando Ásia, de Lenormand, pela Companhia de Álvaro Moreyra, em 1937. No mesmo ano, trabalha com o conjunto do ator Jaime Costa, em Uma Loura Oxigenada, de Henrique Pongetti, e Anna Christie, de Eugene O'Neill, ambas com o ensaiador Eduardo Vieira.

Constitui o primeiro núcleo de Os Comediantes, juntamente com a atriz Luiza Barreto Leite e o diretor Jorge de Castro, em 1938. Já realiza a cenografia para o primeiro trabalho do grupo, em 1940, em A Verdade de Cada Um, de Luigi Pirandello, com direção de Adacto Filho. Quando a companhia se organiza administrativamente, em 1941, Santa Rosa é o diretor artístico e lidera o pensamento em torno da criação de um estudo sistematizado paralelo ao trabalho de novas montagens. Posteriormente, assume a vice-presidência da companhia. Em 1942, cenografa para Orfeu, de Jean Cocteau, e As Preciosas Ridículas, de Molière, primeira direção de Ziembinski para Os Comediantes, seguindo-se mais três trabalhos, até a consagração, em 1943. O cenário de Vestido de Noiva, sob a direção de Ziembinski, introduz a ideia da ambientação como parte da concepção, de maneira que a função do cenógrafo se insere na autoria do espetáculo. O crítico literário Álvaro Lins escreve no Correio da Manhã: "Não teria obtido, por exemplo, um sucesso tão completo a peça Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, sem a colaboração de Santa Rosa e Ziembinski. [...] tiveram da peça aquela compreensão que serviu para identificá-los com o autor [...] Santa Rosa ficou sendo uma espécie de co-autor de Vestido de Noiva".1

A partir daí, Ziembinski procura, sempre que possível, a parceria do cenógrafo. A crítica, mesmo quando não compreende o trabalho do diretor polonês, aplaude as inovações de Santa Rosa, como em Pelleas e Melisanda, de Maeterlink, 1944: "... o ambiente preparado por Santa Rosa espelhou com expressão, e até com poesia, o inconsciente e o subconsciente que palpita nas palavras, nos gestos, nos olhares das personagens [...]".2

A atriz Luiza Barreto Leite recorda-se da relação entre o cenário e a montagem, destacando a importância de Santa Rosa para a cenografia brasileira: "... Santa Rosa era um cenógrafo prodigioso, era o mestre da cenografia no Brasil, pode-se dizer que a cenografia aqui se iniciou com Santa Rosa, porque antes não havia cenógrafo, havia cenotécnico. E o cenário era todo em carrinho, e Ziembinski jogou a luz em cima daqueles carrinhos, de maneira que os carrinhos andavam, e parecia até que Pelleas e Melisanda andavam sobre a água. E as cenas subiam e desciam com todo o delírio, e havia elevadores que iam para baixo e de repente se tinha a impressão de que a pessoa tinha desaparecido na gruta. [...] Era alguma coisa de indescritível, eu mesma não sei dizer, até hoje me comove quando me lembro".3

Os cenários de A Rainha Morta, de Henry de Montherlant, 1946, buscam a economia de meios. Paschoal Carlos Magno analisa o trabalho de Santa Rosa, que também assina os figurinos, definindo-o como tendo "uma beleza tranqüila": "Os cenários [...] sugerem ambientes, toda uma época de guerreiros e conquistas, de ereções de catedrais góticas e descoberta do mundo - com o mínimo de elementos decorativos, como uma coluna, um vitral, uma rosácea gigantesca".4

Colabora em alguns trabalhos do TEN, de Abdias do Nascimento: Recital Castro Alves; Terras do Sem Fim - uma co-produção entre Os Comediantes e o TEN -, ambos de 1947; Aruanda, de Joaquim Ribeiro, 1948; e Filhos de Santo, de José de Morais Pinho, 1949.

Santa Rosa continua acompanhando Ziembinski e, em 1950, trabalha em Dorotéia, de Nelson Rodrigues, um fracasso de que o diretor polonês se orgulhava, entre outras coisas, pelo cenário. Segundo seu depoimento: "Tinha um cenário genial de Santa Rosa, que aliás não tinha praticamente nada. Era um enorme tablado, como se fosse um ringue, com um pequeno espaço na frente, e um brutal ciclorama iluminado de azul".5

Faz a cenografia para Senhora dos Afogados, outro Nelson Rodrigues, dirigido por Bibi Ferreira, para a Companhia Dramática Nacional (CDN), 1954.

A partir de 1952, Santa Rosa fica responsável pela coordenação e orientação das montagens do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Sem chegar a adotar a licenciatura como um ramo profissional, dirige o Conservatório Nacional de Teatro e ministra um curso de cenografia no SNT. É um dos fundadores de Sua Revista, A Manhã (jornal) e Rio Magazine. Assina a coluna de crítica de arte do Diário de Notícias. Colabora para a Dom Casmurro - periódico especializado em teatro.

Celso Kelly aborda o autodidatismo do cenógrafo em depoimento: "Santa substituiu escolas e universidades pelo esforço impressionante de seu autodidatismo. Só as inteligências ordenadas e a apreciação aguda permitem um autodidatismo tão bem-sucedido. Não tendo mestres formais, veio a ser um dos mestres do seu tempo. Seu conselho desfrutava de grande prestígio. Influenciou muita gente. Mestre de seus alunos diretos, e mestre além de seus alunos, daqueles que se deixaram tocar por sua fina sensibilidade e por sua aguda capacidade de observação. O talento artístico nele foi plural: desde as artes plásticas até o teatro e a literatura. Teria sido um pintor? Um poeta sem versos? Um cenógrafo, um diretor? Ele fora em verdade um artista plural. Com todos os enriquecimentos que advêm dessa pluralidade de vocações".6

Notas
1. LINS, Álvaro. Citado por MICHALSKI, Yan. Ziembinski e o teatro brasileiro. São Paulo: Hucitec, 1995. p. 72-74.

2. Citado por MICHALSKI, Yan. Op. cit. p. 63.

3. Citado por MICHALSKI, Yan. Op. cit. p. 64.

4. Citado por MICHALSKI, Yan. Op. cit. p. 98.

5. Citado por MICHALSKI, Yan. Op. cit. p. 173.

6. Citado por BARSANTE, Cássio Emmanuel. Op. cit. p. 14.

Obras 11

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Registro fotográfico Romulo Fialdini

Cabeça

Óleo sobre tela
Registro fotográfico autoria desconhecida

Duas Mulheres

Óleo sobre tela
Registro fotográfico Pedro Oswaldo Cruz

Meninas Lendo

Óleo sobre tela

Espetáculos 53

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Exposições 107

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Fontes de pesquisa 15

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  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • BARSANTE, Cássio Emmanuel. A Vida ilustrada de Tomás Santa Rosa. Apresentação Rachel de Queiroz. Rio de Janeiro: Fundação Banco do Brasil, 1993. 160 p., il. p&b. color.
  • BARSANTE, Cássio Emmanuel. Santa Rosa em Cena. Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Artes Cênicas, 1982. 191 p. (Memória, 2).
  • BARSANTE, Cássio Emmanuel. Santa Rosa em cena. Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Artes Cênicas, 1982. 191 p., il. p&b. (Memória, 2).
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • GUERINI, Elaine. Nicette Bruno & Paulo Goulart: tudo em família. São Paulo: Cultura - Fundação Padre Anchieta: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 256 p. (Aplauso Perfil). 792.092 G932n
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MICHALSKI, Yan: Ziembinski e o Teatro Brasileiro. São Paulo: Hucitec / MEC / Funarte, 1995.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).
  • SANTA ROSA, Tomás. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • SOUSA, Galante de. O teatro no Brasil: subsídios para uma bibliografia do teatro no Brasil. Rio de Janeiro: MEC: Instituto Nacional do Livro, 1960. Tomo 2. 581 p.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

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