Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Renina Katz

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.03.2021
30.12.1925 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Sem Título, 1974
Renina Katz
Serigrafia sobre papel
42,00 cm x 55,00 cm

Renina Katz Pedreira (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1925). Gravadora, desenhista, ilustradora, professora. Cursa a Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro, entre 1947 e 1950. Tem como professores, entre outros, Henrique Cavalleiro (1892-1975) e Quirino Campofiorito (1902-1993). Licencia-se em desenho pela Faculdade de Filosofi...

Texto

Abrir módulo

Biografia

Renina Katz Pedreira (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1925). Gravadora, desenhista, ilustradora, professora. Cursa a Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro, entre 1947 e 1950. Tem como professores, entre outros, Henrique Cavalleiro (1892-1975) e Quirino Campofiorito (1902-1993). Licencia-se em desenho pela Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil. Inicia-se em xilogravura com Axl Leskoschek (1889-1975), em 1946. Incentivada por Poty Lazzarotto (1924-1998), ingressa no curso de gravura em metal, oferecido por Carlos Oswald (1882-1971) no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Muda-se para São Paulo em 1951, e leciona gravura no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) e, posteriormente, na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), até a década de 1960. Em 1956, publica o primeiro álbum de gravuras, intitulado Favela. A partir dessa data, é docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), onde permanece por 28 anos.

Análise

No início da carreira, Renina Katz dedica-se à pintura e realiza retratos e paisagens do Rio de Janeiro. Na década de 1950 sua obra denota preocupações sociais com um caráter de denúncia. Revela o universo dos trabalhadores urbanos e de personagens marginalizados, como nas várias gravuras que tratam do tema dos retirantes (1948/1956) ou no álbum Favelas, 1956. Suas xilogravuras apresentam um caráter realista, uma mensagem direta e grande concisão de elementos formais e têm grande requinte técnico, sendo comparadas, por alguns críticos, com a produção da gravadora alemã Käthe Kollwitz (1867-1945). A emoção é expressa graficamente na contundente oposição entre os pretos e brancos que confere às cenas o aspecto dramático, como ocorre em Retirantes, s.d.

Renina Katz deixa os temas ligados ao realismo social a partir da metade da década de 1950, quando sua obra passa gradualmente a adquirir um caráter não figurativo, embora permaneça nela a relação com a paisagem. A artista passa a enfatizar, cada vez mais, o jogo de transparências em suas obras. Inicia a produção em litogravura na década de 1970. A maioria de suas gravuras são sugestões de paisagens, concebidas como lugares da memória. Na opinião do crítico Roberto Pontual (1939-1994), quando suas gravuras pendem para o caráter lírico, Katz aproxima-se da atmosfera transparente e musical das obras de Fayga Ostrower (1920-2001).

Na série Lugares, 1981, a gravadora parte da representação da paisagem urbana, também como um lugar da memória, inspirando-se no poema de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) intitulado Paisagem: Como Se Faz. Ela afirma que "a cor surgiu como uma necessidade na evolução do trabalho, e a multiplicação das matrizes trouxe a possibilidade de explorar os vários valores tonais".1 Para obter as superfícies translúcidas, típicas em suas obras, Renina Katz grava muitas matrizes e aplica várias cores, realizando diversas impressões para obter uma única gravura. Em trabalhos posteriores, como Cosmos 2, 1992,  ou Limite 2, 1993, destacam-se a sutil luminosidade e o surpreendente uso da cor.

Notas

1 Citado em KATZ, Renina. Renina Katz. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1997, p. 125.

Obras 20

Abrir módulo
Reprodução fotográfica Sérgio Guerini/Itaú Cultural

A Estrada

Litografia
Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Desdobramento I

Litografia

Exposições 271

Abrir módulo

Eventos relacionados 1

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 12

Abrir módulo
  • AXL Leskoschek e seus alunos: Brasil / 1940-1948. Curadoria Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1985. (Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro).
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • GRAVURA: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000.
  • KATZ, Renina. Ares e lugares: gravuras sobre metal. São Paulo: Pinacoteca, 1996.
  • KATZ, Renina. Renina Katz. São Paulo: Edusp, 1997. (Artistas da USP ; 6).
  • KATZ, Renina. Renina Katz: Ilustrações para o "Romanceiro da Inconfidência" de Cecília Meirelles. Apresentação José Mindlin. Poços de Caldas: Instituto Moreira Salles, 1992.
  • KATZ, Renina. Renina Katz: aquarelas. São Paulo: Múltipla de Arte, 1987.
  • KATZ, Renina. Renina Katz: litografias. Brasília: Galeria Paulo Figueiredo, 1984.
  • KATZ, Renina. Renina Katz: litografias. Rio de Janeiro: Museu Nacional de Belas Artes, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • SEIS gravadores expressionistas do Brasil: Segall, Goeldi, Abramo, Renina, Poty, Grassmann. São Paulo: Museu Lasar Segall, 1982.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: