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Cinema

Haroldo Marinho Barbosa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.05.2018
04.11.1944 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
19.12.2013 Brasil / Rio de Janeiro / Petrópolis
Haroldo Marinho Barbosa (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1944 – Idem,  2013). Roteirista e diretor cinematográfico. Forma-se em engenharia de produção pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1967, mas não exerce a profissão. Na época da faculdade, participa do curso de cinema oferecido pela Cinemateca do Museu de Arte Moderna....

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Biografia

Haroldo Marinho Barbosa (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1944 – Idem,  2013). Roteirista e diretor cinematográfico. Forma-se em engenharia de produção pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1967, mas não exerce a profissão. Na época da faculdade, participa do curso de cinema oferecido pela Cinemateca do Museu de Arte Moderna. Como trabalho de conclusão de curso, realiza o curta-metragem Pau de Arara (1964).

Participa de duas edições do Festival de Cinema JB-Mesbla, com os filmes Copacabana (1966) e Dom Quixote (1967). Sua primeira experiência profissional é como assistente de direção de Mauricio Gomes Leite (1936-1993) no longa-metragem A Vida Provisória (1968). Escreve e dirige Eu Sou Vida; Eu Não Sou Morte (1970), baseado na peça homônima do dramaturgo gaúcho Qorpo-Santo (1829-1883). O filme é premiado no Festival  Brasileiro de Curta Metragem JB-INC. Nos anos seguintes, realiza mais dois curtas que tratam de aspectos da história do Rio de Janeiro: Parati (1970) e Petrópolis (1971).

Com o dinheiro de aplicações na Bolsa de Valores, decide filmar seu primeiro longa-metragem, Vida de Artista (1972), que surpreende pela originalidade da estrutura narrativa. Dois anos mais tarde, lança Ovelha Negra: uma Despedida de Solteiro (1974). Filma o documentário A Nelson Rodrigues (1979) e, incentivado pelo amigo cineasta Paulo Thiago (1945) e patrocinado pela Embrafilme, realiza Engraçadinha (1981). No Departamento de Rádio e Televisão da Embrafilme, produz e dirige quatro programas sobre cinema. Destaca-se o programa Novos cineastas (1978), que reúne depoimentos dos jovens realizadores brasileiros. Atua, ainda, como crítico de cinema e televisão nos periódicos Opinião e Jornal do Brasil.

Na década de 1980, colabora em trabalhos de Ivan Cardoso (1952) e David Neves (1938-1994), como diretor de produção e roteirista. Baixo Gávea (1986), produzido com recursos da Embrafilme, agrada a crítica, mas não chega a ser sucesso de público. Depois de um longo período, realiza a comédia O Demoninho dos Olhos Negros (2008), baseado na obra de Machado de Assis (1839-1908). Falece em dezembro de 2013, vítima de um ataque cardíaco.

Análise

O diretor Haroldo Marinho Barbosa pertence a um grupo de jovens universitários cariocas, que frequenta o Cine Paissandu, no Rio de Janeiro. Trata-se de um ponto de encontro e formação de uma geração de cinéfilos, entre as décadas de 1960 e 1970. Entusiasmados com os pressupostos técnicos e estéticos da nouvelle vague, esses jovens lançam-se à produção amadora de curtas-metragens em 16mm. Visam à exibição nos festivais de cinema amador organizados pelo Jornal do Brasil. Anos mais tarde, Glauber Rocha (1939-1981) classifica esse grupo, que inclui, entre outros, Paulo Thiago e Sérgio Santeiro (1944), como patrimônio da movimentação cultural e política dos anos de 1970.

Entre os curtas de Haroldo Marinho, destaca-se Eu Sou Vida; Eu Não Sou Morte, filmado em dois dias no Teatro de Arena da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O filme é lançado em um momento de forte repressão política no país. A provocação da obra reside na sensibilidade com que trabalha as tensões existenciais presentes na obra do dramaturgo gaúcho José Joaquim Campos Leão, mais conhecido como Qorpo-Santo.

Vida de Artista, primeiro longa-metragem de Marinho, parte de dois personagens de Oswald de Andrade (1890-1954) para desenvolver uma aventura político-sentimental. Para o crítico José Carlos Avellar (1936-2016), o filme não traz qualquer ação ou enfeite narrativo. A sua marca é o caráter intimista,  do qual se estabelece a relação com o espectador. A produção seguinte, Ovelha Negra: uma Despedida de Solteiro, segue o mesmo estilo, recusando os modelos clássicos de linguagem.

No final da década de 1970, o cinema nacional vive a sua fase áurea, mantida pela política de financiamento da Embrafilme (1969-1990). Nesse período, surgem películas declaradamente voltadas ao mercado. Um dos autores com obras mais adaptadas para o cinema é o dramaturgo carioca Nelson Rodrigues (1912-1980). Engraçadinha, terceiro longa-metragem de Marinho, integra um conjunto de sete adaptações cinematográficas, realizadas entre 1978 e 1983, que capitalizam os aspectos eróticos da obra rodriguiana, em busca da simpatia do público. Na filmagem do diretor, o crítico de cinema Ismail Xavier (1947), além do apelo erótico, destaca a opção pelo estilo folhetim, que anula qualquer possibilidade de atualização do texto.

Baixo Gávea, é uma crônica sobre a classe média urbana carioca, evocando a arte como instrumento de mediação dos conflitos da vida. O filme faz referências diretas à história do poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), promovendo uma aproximação entre poesia, cinema e teatro. As críticas mais duras em relação à obra referem-se ao tratamento novelesco da trama, e à baixa qualidade técnica, ou desleixo com a imagem, como assinala o crítico Carlos Alberto de Mattos.

Um dos princípios norteadores da filmografia de Haroldo Marinho Barbosa é o entendimento do cinema como meio de revelação da vida. Na sua recusa por superproduções, realiza filmes modestos, com narrativas simples e técnica contida. Frequentemente, promove o diálogo do cinema com outras artes. Sua fórmula para atrair o espectador baseia-se na maneira original e intimista de contar histórias de alcance universal.

Fontes de pesquisa 11

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  • AVELLAR, José Carlos. Claro enigma.Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 jun.1973.
  • AVELLAR, José Carlos. Retrato do Artista quando salta para o escuro.Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1973.
  • CENTRO Cultural Banco do Brasil. Nelson Rodrigues e o cinema. São Paulo, 2004.
  • CINEMATECA Brasileira (Org.). Coleção de recortes de jornais e revistas sobre Haroldo Marinho Barbosa, 1976-1982.
  • DAPIEVE, Arthur. A constatação de um vazio. Caderno de Crítica, n. 3, p. 25-7, mar. 1987.
  • DAPIEVE, Arthur. Coleção de press-releases, anúncios e folhetos de filmes de Haroldo Marinho Barbosa.
  • FUKS, Érico. O demoninho de olhos pretos. SET, São Paulo, v. 22, n. 259, p. 65, jan. 2009.
  • MELO, Luís Alberto Rocha. Qorpo-Santo no cinema. Filme Cultura, Rio de Janeiro, n. 56, p. 89-90, jun. 2012.
  • RAMOS, Fernão Pessoa; MIRANDA, Luiz Felipe (Orgs). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2000. p.41-42.
  • REVISTA Moviola. Baixo gávea. Revista Moviola, Rio de Janeiro, n. 7, p. 28, 1987.
  • SANTEIRO, Sérgio. Baixo Gávea: amor e amizade. Cine Imaginário, v. 2, n. 19, p. 9, jun. 1987.

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