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Cinema

Carlos Alberto Prates Correia

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 07.02.2017
1941 Brasil / Minas Gerais / Montes Claros
Carlos Alberto Prates Correia (Montes Claros, Minas Gerais, 1941). Cineasta, roteirista e produtor. Atua como crítico de cinema em 1962, por um período de seis meses, no jornal Diário de Minas, em Belo Horizonte.

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Biografia

Carlos Alberto Prates Correia (Montes Claros, Minas Gerais, 1941). Cineasta, roteirista e produtor. Atua como crítico de cinema em 1962, por um período de seis meses, no jornal Diário de Minas, em Belo Horizonte.

Em 1965, colabora com a criação do Centro Mineiro de Cinema Experimental (Cemice) e  realiza o primeiro curta-metragem, O Milagre de Lourdes (1965), obra de estreia do Cemice. Inicia a experiência no cinema como continuísta, no filme O Padre a Moça (1966), de Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988). Ainda em 1966, muda-se para o Rio de Janeiro.

Em 1968, dirige o episódio “Guilherme”, do filme Os Marginais. Volta a trabalhar com Joaquim Pedro, como assistente de direção, em Macunaíma (1969), e como diretor de produção, em Os Inconfidentes (1972) e Guerra Conjugal (1974). Esta última função é exercida também nas fitas Quando o Carnaval Chegar (1972), de Carlos Diegues (1940), Vai Trabalhar, Vagabundo (1973), de Hugo Carvana (1937-2014), Ajuricaba (1977), de Oswaldo Caldeira (1943) e Se Segura, Malandro! (1977), de Hugo Carvana.

Estreia no longa-metragem com a comédia Crioulo Doido (1973). Sua realização seguinte, Perdida (1975), recebe dois prêmios de melhor filme: Coruja de Ouro, do Instituto Nacional de Cinema, e Golfinho de Ouro, do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. A fita é agraciada ainda com os prêmios Governador do Estado de São Paulo, o de melhor ator para Helber Rangel (1944-2002), e da Crítica do Rio de Janeiro, de melhor atriz para Maria Silvia (1944-2009).

Cabaret Mineiro (1980) recebe os prêmios de melhor filme, ator, atriz, fotografia, montagem e trilha sonora no Festival de Gramado. Noites do Sertão (1984) é agraciado com os mesmos prêmios em Gramado, além dos troféus de melhor figurino, cenografia e técnico de som. A obra também recebe o Prêmio Air France de Cinema.

Sob o pseudônimo de Charles Stone, faz Minas, Texas (1990), realização que recebe no Festival de Brasília os prêmios de melhor roteiro, fotografia, trilha sonora, atriz, ator e atriz coadjuvantes. Seu último trabalho para o cinema é Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais (2007), documentário em que o realizador faz uma revisão do cinema mineiro sob o regime militar nos anos 1960 e 1970.

Análise

Crioulo Doido trata do racismo ao abordar a ascensão social de um alfaiate negro numa cidade do interior de Minas Gerais. Segundo Prates Correia, seu propósito é expor a incapacidade de superação do preconceito racial no país. Apesar da estratificação social não rígida no país, “o negro podia até nascer miserável e terminar fumando bons charutos, mas o preconceito dissimulado se disseminava na sociedade branca”1.

Estela, a protagonista de Perdida, é uma jovem que sai de Rio Verde, norte de Minas Gerais, para tentar a sorte na cidade grande. Sua trajetória é marcada pela violência e pelo abandono. Estão presentes na casa de família em que trabalha como empregada, assediada pelos patrões e no prostíbulo, em que tem seu nome mudado para Janete. Esse enredo melodramático é subvertido por uma narrativa anticonvencional, cercada por um “lirismo agreste de sabor provinciano”2.

Interpretada com propriedade por Maria Sílvia, Estela não é um personagem esquemático ou estereotipado. O realizador não faz dela uma vítima indefesa nem a toma como modelo, pois opta por uma narrativa direta que mostra sem enfatizar e expõe sem impor um ponto de vista ao espectador3.

Cabaret Mineiro, título retirado do poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), conta as aventuras de Paixão, interpretado por Nelson Dantas (1927-2006), em suas viagens de trem pelo norte de Minas. Na fita, desfilam várias referências culturais: o folguedo popular representado pela marujada4, a dança erudita do Grupo Corpo, a música de Luiz Gonzaga (1912-1989) e Noel Rosa (1910-1937) e o universo de Guimarães Rosa (1908-1967). Tudo isso envolto pela trilha sonora de Tavinho Moura (1947), que aproxima o espectador da vida e da paisagem mineira.

Para o crítico de cinema Sérvulo Siqueira, a película poderia ser tomada pela melancolia se sua estrutura narrativa não estivesse ancorada na ironia de seu realizador. Ironia que “dá o toque ao filme, embora muitas vezes a empostação da câmera camufle o constante deboche das situações”5.

O sarcasmo de Cabaret Mineiro lembra, em certos momentos, a “avacalhação” de Rogério Sganzerla (1946-2004) em O Bandido da Luz Vermelha (1968). Todavia, Prates afasta-se da crueza de Sganzerla ao não deformar a imagem por meio de inusitados enquadramentos e ângulos de câmera: “sua imagem é frequentemente baseada numa decupagem solene e quase hierática, e realça – na iluminação de Murilo Salles – a expressividade dos personagens e dos cenários”6.

Noites do Sertão é baseado na novela “Buriti”, de João Guimarães Rosa, publicada em Corpo de Baile (1956). Abandonada pelo marido, a personagem Lalinha é convidada pelo sogro viúvo para morar na fazenda de Buriti Bom, no sertão de Minas, onde vive com duas noras. Nesse ambiente, desenvolvem-se histórias de paixões silenciosas, ciúmes, esperanças e morte.

Segundo Miguel de Almeida, as relações amorosas no filme são marcadas por um “jogo de intenções sugeridas, mas veladas, que arrasta o espectador através dos silêncios e das paranoias religiosas”7.

Minas, Texas conta a peripécias da personagem principal ao fugir de um casamento imposto pelos pais. No título, o diretor presta homenagem ao cineasta alemão Wim Wenders (1945), diretor de Paris, Texas (1984).

Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais; é uma obra de resistência política. Documenta o cinema produzido em Minhas Gerais durante a ditatura por Joaquim Pedro de Andrade, Andrea Tonacci (1944), Alberto Graça (1948), Schubert Magalhães (1936-1984) e pelo próprio Prates Correia.

Notas

1 CAETANO, Maria do Rosário. Por onde andará Prates Correia? O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8 fev. 2001. Caderno 2, p. D-4.
2 VARTUK, Pola. Lirismo agreste. Filme Cultura, Rio de Janeiro, n. 29, p. 25, maio 1978.
3 LEITE, Ricardo Gomes. O mais puro Brasil. Filme Cultura, Rio de Janeiro, n. 29, p. 26, maio 1978.
4 Dança dramatizada, acompanhada de música, na qual os participantes entoam frases relacionadas aos descobrimentos marítimos e à vida dos marujos.
5 SIQUEIRA, Sérvulo. “Delírios de paixão nos Gerais”. Filme Cultura, Rio de Janeiro, n. 40, p. 86, ago./ out. 1982.
6 Ibidem, p. 86.
7 ALMEIDA, Miguel de. Noites do Sertão, a descoberta da arte do amor encoberto. Folha de S.Paulo, São Paulo, 17 nov. 1984. Ilustrada, p. 41.

Obras 2

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Exposições 1

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Fontes de pesquisa 12

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  • ALMEIDA, Miguel de. Noites do Sertão, a descoberta da arte do amor encoberto. Folha de S.Paulo, São Paulo, 17 nov. 1984. Ilustrada, p. 41.
  • CAETANO, Maria do Rosário. Por onde andará Prates Correia?. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8 fev. 2001. Caderno 2, p. D.
  • GOMES, Paulo Emilio Salles. Cinema: trajetória no subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
  • GOMES, Paulo Emilio Salles. Cinema: trajetória no subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
  • JOHNSON, Randal; STAM, Robert (ed.). Brazilian Cinema: expanded edition. New York: Columbia University Press, 1995.
  • LEITE, Ricardo Gomes. O mais puro Brasil. Filme Cultura, n. 29, p.26, maio 1978.
  • PARANAGUÁ, Paulo. Le cinéma brésilien. Paris: Centre Georges Pompidou, 1987.
  • RAMOS, Fernão (org). História do Cinema Brasileiro. São Paulo: Art, 1987, p. 380-3.
  • SIQUEIRA, Sérvulo. “Delírios de paixão nos Gerais”. Filme Cultura, Rio de Janeiro, n. 40, p. 85-87, ago./ out. 1982.
  • STAM, Robert; VIEIRA, João Luiz; XAVIER, Ismail. The shape of Brazilian cinema in the postmodern age. In: JOHNSON, Randal; STAM, Robert (Orgs.). Brazilian Cinema. Nova York: Columbia University Press, 1995.
  • VARTUK, Pola. Lirismo agreste. Filme Cultura, Rio de Janeiro, n. 29, p. 25-26, maio 1978.
  • XAVIER, Ismail. O Cinema brasileiro moderno. São Paulo: Paz e Terra, 2001.

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