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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Joan Villà

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.12.2016
1940 Espanha / Catalunha / Barcelona
Joan Villà (Barcelona, Espanha, 1940). Arquiteto, urbanista, professor universitário. Aos 11 anos de idade, muda-se com o pai para São Paulo. Em 1968, forma-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Durante a graduação estagia na filial paulistana do escritório do arquiteto Sérgio Bernardes (1919-2002), ...

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Biografia
Joan Villà (Barcelona, Espanha, 1940). Arquiteto, urbanista, professor universitário. Aos 11 anos de idade, muda-se com o pai para São Paulo. Em 1968, forma-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Durante a graduação estagia na filial paulistana do escritório do arquiteto Sérgio Bernardes (1919-2002), entre os anos de 1964 a 1966. Estagia, também, com o arquiteto Joaquim Guedes (1932-2008), entre 1966 e 1968. Faz especialização em urbanística técnica e pré-fabricação, na Politécnica de Milão, Itália, entre 1972 e 1973.

A convite do arquiteto Jorge Caron (1936-2000), Villà cria e coordena o Laboratório de Habitação ligado ao Centro Universitário Belas Artes, entre 1982 e 1985, com o objetivo de assessorar, tecnicamente, movimentos de moradia. Neste período, começa a desenvolver o sistema construtivo Construção com Pré-fabricados Cerâmicos (CPC).1 Com a repercussão de suas pesquisas relacionadas a técnicas construtivas para a habitação popular, em 1986, Villà é contratado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para implantar o Núcleo de Desenvolvimento de Criatividade, que se transforma no Laboratório de Habitação da Unicamp (1990). Nesta instituição de ensino, o arquiteto põe em prática o sistema CPC em algumas edificações prototípicas e em prédios de uso universitário em Campinas, como o Centro Integrado de Educação (1990-1992), o conjunto de Moradia Estudantil da Unicamp (1992), o espaço cultural da Universidade denominado Casa do Lago (1994), entre outras edificações pelo Brasil, projetadas até 1999, quando Villà desliga-se do Laboratório.

A partir de 1995, Joan Villà leciona em disciplinas de projeto arquitetônico das Universidades Belas Artes e Mackenzie. Em 2002, conquista o título de mestre pela Universidade Presbiteriana Mackenzie com a dissertação A Construção com Componentes Pré-fabricados Cerâmicos: Sistema Construtivo Desenvolvido em São Paulo entre 1984 e 1994. Desde 1997, Villà tem um escritório de arquitetura com a arquiteta Silvia Chile, no qual faz projetos como o Conjunto Residencial da Rua Grécia (2002), em Cotia, São Paulo, pelo qual recebe o Prêmio Carlos Barjas Milan (2002) do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).

Análise
Para Joan Villà a arquitetura está vinculada à pesquisa construtiva. Isso pode ser observado desde sua graduação, pelo perfil dos arquitetos com quem faz estágio. Seus primeiros anos de atividade são marcados por residências unifamiliares em São Paulo, como as casas no Jardim Marajoara (1968) e Vicenzo Rizzo (1971). Nela, já se revela a racionalidade na técnica construtiva, visível nas alvenarias em tijolos e na estrutura em concreto aparente.

Durante o regime militar brasileiro, Villà exila-se na Europa devido a sua militância política. Retorna a Barcelona, vai à Bélgica onde constrói estruturas geodésicas.2 Também estuda pré-fabricação de elementos construtivos em países do leste europeu na sua especialização na Escola Politécnica de Milão. Em 1974, trabalha na Cooperativa de Arquitetos de Palma de Maiorca, Espanha, quando, pela primeira vez, realiza, em conjunto com outros profissionais, um projeto de residências multifamiliares.

Joan Villà é pioneiro na assessoria técnica às periferias brasileiras, em especial, durante o período em que se filia ao Sindicato dos Arquitetos que realiza projetos de casas em São Miguel Paulista. Já no Laboratório de Habitação, faz estudos sobre a construção de habitações sociais na Europa pós-guerra e na América Latina. É o momento em que os interesses e as características de sua obra consolidam-se. A crítica Mônica Junqueira de Camargo define esse momento como a “feliz associação entre o vernáculo e o racionalismo” e sua “franca disposição ao experimentalismo”.3

Em 1984, Villà e o arquiteto Nabil Bonduki (1955) viajam para o Uruguai, entrando em contato com o engenheiro Eladio Dieste (1917-2000) que faz uso estrutural do tijolo – a cerâmica armada. Esta experiência é decisiva para o desenvolvimento do sistema construtivo CPC, composto por painéis armados de tijolo furado4 e concreto, executados no canteiro de obras, segundo uma modulação de 45 centímetros de largura e altura alterável, sempre com peso inferior a cem quilos. Estes painéis dão origem a paredes e lajes de edificações, aptas a conter instalações elétricas e hidráulicas. Com baixo custo e capaz de incorporar mão-de-obra não especializada, o CPC contempla o projeto espacial e técnico do edifício e toda a linha de produção ao longo da execução da obra.

Com essa experiência, no Laboratório de Habitação da Unicamp, Villà começa a colocar o CPC em prática com dois protótipos: primeiramente uma casa térrea de 40 m² e, depois, uma residência de 60 m² com dois pavimentos. Os protótipos levam a elaboração de um painel pré-moldado para a escada, feito da articulação de tijolos. A Unicamp também lhe possibilita a aplicação do sistema em edifícios de uso público, como o ateliê do próprio Laboratório, sob uma grande cobertura de abóboda cerâmica que alcança 15 metros de vão livre. O principal projeto do período é a Moradia Estudantil da Unicamp, composta de 300 unidades habitacionais tratadas como células (com três cômodos) que se encaixam entre si por meio de salas e jardins de uso comum.5

Fora do âmbito acadêmico, Joan Villà e a arquiteta Silvia Chile projetam o Conjunto Residencial da Rua Grécia, com 24 unidades residenciais em duplex dispostas em três linhas paralelas, implantadas em cotas diferentes de uma encosta em Cotia. Além da variedade de cores vibrantes, a inteligência da construção popular nacional6 é concretizada por Villà no uso das escadas externas e das lajes sob coberturas metálicas leves, permitindo expansões futuras. Na 6ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, em 2005, a trajetória de Villà é o conteúdo da exposição “Construções”, termo que sintetiza sua noção de arquitetura.

Notas
1 Submetido a testes no Collegi D'Arquitectes de Catalunya, na Espanha, em 1992, e no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo, em 1993.
2 Estrutura arquitetônica de formato esférico, composta por uma malha estrutural gerada por uma sequência de triângulos.
3 CAMARGO, Mônica Junqueira de. Arte como construção. AU: arquitetura e urbanismo. São Paulo, n.146, mai. 2006. Disponível em: < < http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/146/arte-como-construcao-22182-1.aspx >. Acesso em 3 set. 2015.
4 Comumente chamado de tijolo baiano.
5 Na descrição dos críticos espanhóis Josep Maria Montaner (1954) e Zaida Muxí (1964), há “toda a sorte de espaços livres em diversas escalas no interior: grandes parques, pequenos recintos arborizados para reunir-se a comer ou estudar, ruas para pedestres e pátios comunitários”. In: MONTANER, Josep Maria; MUXÍ, Zaida. Residência estudantil da Unicamp. Joan Villà, construções para a sociedade. Vitruvius - Projetos, São Paulo, ano 13, n. 154.02, 1 out. 2013. Disponível em: < http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.154/4895 >. Acesso em: 1 set. 2015.
6 Monica Junqueira de Camargo associa isto à noção de tipologia arquitetônica de Aldo Rossi (1931-1997): “Inspirado no sentido de sobrevivência das autoconstruções que dominam as periferias das nossas grandes cidades, Villà conseguiu consumar com clareza as idéias que Aldo Rossi defendia em meados dos anos 1960: a noção histórica da busca da essência da forma, traduzida por crítica tipológica.” In.: CAMARGO, Mônica Junqueira de. Arte como construção. AU: arquitetura e urbanismo. São Paulo, n.146, mai. 2006. Disponível em: < http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/146/arte-como-construcao-22182-1.aspx >. Acesso em: 3 set. 2015.

Fontes de pesquisa 13

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  • ARQUITETOS BRASILEIROS. Paris : Institut Français D'architecture/Brazil Agency for Inter Rel, 1987.
  • BASTOS, Maria Alice Junqueira; ZEIN, Ruth Verde. Brasil: arquiteturas após 1950. São Paulo: Perspectiva, 2010.
  • CAMARGO, Mônica Junqueira de. Arte como construção. AU: arquitetura e urbanismo, São Paulo, n.146, mai. 2006. Disponível em: < http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/146/arte-como-construcao-22182-1.aspx >. Acesso em: 3 set. 2015.
  • DUALIBI, Jackson. Arquiteto Joan Villà - A Construção da cerâmica armada. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2013.
  • DUALIBI, Jackson. Arquiteto Joan Villà – A construção de pré-fabricados cerâmicos. Revista Belas Artes, São Paulo, set. 2011. Disponível em: < http://www.belasartes.br/revistabelasartes/downloads/artigos/6/a-construcao-de-pre-fabricados-ceramicos.pdf >. Acesso em: 27 ago. 2015.
  • MONTANER, Josep Maria; MUXÍ, Zaida. Residência estudantil da Unicamp. Joan Villà, construções para a sociedade. Vitruvius - Projetos, São Paulo, ano 13, n. 154.02, 1 out. 2013. Disponível em: < http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.154/4895 >. Acesso em: 1 set. 2015.
  • SABBAG, Haifa Y. Projetar, na fronteira da realidade. AU: arquitetura e urbanismo, São Paulo, n.22, p.26-37, fev./mar. 1989.
  • SEGAWA, Hugo. Resíduo de utopia. Projeto Design, São Paulo, n.162, p.48-9, abr. 1993.
  • SERAPIÃO, Fernando. Joan Villà. Projeto Design, São Paulo, n. 361, mar. 2010.
  • VILLÀ Joan. Conjunto estudantil da UNICAMP; projeto de arquitetura. Projeto Design, São Paulo, n.251, p.120-121, jan, 2001.
  • VILLÀ, Joan. A construção com componentes pré-fabricados cerâmicos: sistema construtivo desenvolvido entre 1984 e 1994, em São Paulo. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2002.
  • VILLÁ, Joan. Condomínio residencial. Projeto Design, São Paulo, n.276, p.29, fev, 2003.
  • VILLÁ, Joan. Construções. São Paulo: Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, 2005. 52 p.

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