Artigo da seção pessoas Altair Martins

Altair Martins

Artigo da seção pessoas
Literatura  
Data de nascimento deAltair Martins: 14-01-1975 Local de nascimento: (Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre)

Altair Teixeira Martins (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1975). Escritor e professor universitário. Autor de romances, contos e textos dramáticos, destaca-se por uma prosa poética que confere às obras uma dimensão onírica. Construindo narrativas que por vezes se aproximam do realismo fantástico1, trata de questões sociais como as relações familiares, o consumo, a violência e o heroísmo.

Com 24 anos, estreia como escritor ao publicar a antologia de contos Como se moesse ferro (1999), que vence o Prêmio Açorianos, concedido pela prefeitura de Porto Alegre. Em 2002, gradua-se em letras com ênfase em tradução de língua francesa, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Publica seu segundo livro de contos, Se chovessem pássaros, em 2003, e conclui um mestrado em literatura brasileira, também na UFRGS, em 2006.

Intitulada Desamparo, a dissertação de mestrado inclui um romance inédito do autor e uma pesquisa empírica sobre o entrecruzamento de narradores nesse gênero literário. Publicada dois anos depois, com o título A parede no escuro (2008), a obra torna-se o romance de estreia de Altair e vence o Prêmio São Paulo de Literatura, o prêmio de melhor romance da Associação Gaúcha de Escritores (Prêmio AGES) e o Prêmio Açorianos de melhor narrativa longa. Ao descrever o atropelamento do padeiro Adorno e as relações desencadeadas por esse fato, Altair usa múltiplos focos narrativos, um recurso contemporâneo em resposta à “crise do romance”, que pôs em xeque o narrador onisciente e foi estudada pelo filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940) no início do século XX. O romance desperta o interesse de críticos e pesquisadores, como Wilame Prado (1985), que define a escrita de Altair como ousada e perturbadora.

O livro de contos subsequente, Enquanto água (2012), faz o autor conquistar o Prêmio Moacyr Scliar e, mais uma vez, o Prêmio Açorianos. Composto de 18 contos, alguns publicados anteriormente em revistas ou antologias, ele tem quatro seções: "chuva na cara", "depois da chuva", "garoa" e "água com gás". A água é o elemento unificador das histórias, que se manifesta em discurso literal ou em metáforas de experiências humanas como a saudade, o arrependimento, a esperança e a morte. Outro traço comum aos contos é o engajamento social do autor gaúcho ao tratar de assuntos como o adultério, o abuso e a violência. Estas duas últimas questões são exploradas no conto “Homens de verdade”, em que o jovem Rui, de físico forte mas comportamento sensível, sofre agressões por parte dos colegas.

Altair conclui em 2013 um doutorado em literatura brasileira pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRGS. Sua pesquisa se concentra no estudo da narrativa contemporânea, analisando os conceitos de autoria, verossimilhança, espaço, normalidade social e heroísmo. Assim como o trabalho de mestrado, a tese contém um romance inédito do autor, Terra Avulsa, publicado como livro em 2014. O enredo trata do isolamento humano na vida contemporânea, com o qual o indivíduo se mantém protegido de uma sociedade baseada na aparência e no consumo, ao exercitar o não pertencimento a ela. Essa ideia se articula com os argumentos da tese, segundo a qual o herói pós-moderno, diferentemente do épico, do romântico e do moderno, constrói seu heroísmo pela fuga.

Prosseguindo na vida acadêmica, Altair Martins torna-se professor adjunto da Faculdade de Letras e de Escrita Criativa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Lá, atua nas áreas de criação literária, tradução e literatura brasileira. Em 2018, estreia na dramaturgia com Guerra de urina, obra que vence o Prêmio Minuano de Literatura na categoria de textos dramáticos. O texto propõe uma reflexão sobre a indústria do entretenimento, a sociabilidade e o egoísmo do mundo contemporâneo; com traços de realismo fantástico, problematiza a sociedade de consumo ao criar diálogos entre personagens como o Refrigerante e o Pacote de Salgadinhos.

Em 2019, Altair publica Os donos do inverno, romance de estrada com nuances de realismo fantástico, no qual sua prosa poética ganha maior destaque. Nessa obra, os personagens Elias e Fernando são irmãos que se reencontram depois de 24 anos para realizar, em uma viagem de carro, o último desejo do irmão mais velho.

Inserido no contexto da literatura contemporânea, Altair publica textos em Portugal, Itália, França, Argentina, Uruguai, Espanha, Hungria, Luxemburgo e Estados Unidos, divulgando seus universos ficcionais por meio da fusão entre o real e o fantástico.

 

Nota:

1. Forma literária em que acontecimentos sobrenaturais fazem parte do universo ficcional e são tratados com naturalidade pelos personagens.

Outras informações de Altair Martins:

  • Outros nomes
    • Altair Teixeira Martins
  • Habilidades
    • Escritor
    • Professor universitário

Fontes de pesquisa (19)

  • BENJAMIN, Walter. A crise do romance. Sobre Alexanderplatz, de Döblin. In: Magia e técnica, arte e política. Obras Escolhidas: v. 1, 5. ed., São Paulo, Brasiliense, 1985a, 54-60.
  • CAMARGO, Joseane. Altair Martins e o processo de criação literária: um ensaio sobre a lucidez. In: Letrônica, Porto Alegre, v. 5, n. 3, p. 257-278, julho/dezembro, 2012.
  • LEÃO, Camila Vianna. Silêncio e sentido: as tramas do silêncio em A parede no escuro, de Altair Martins. Dissertação de mestrado. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2011. Disponível em: http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/2048. Acesso em: 23 maio 2020.
  • MARTINS, Altair. A parede no escuro. Rio de Janeiro: Record, 2008.
  • MARTINS, Altair. Como se moesse ferro. Porto Alegre: WS Editor, 1999.
  • MARTINS, Altair. Dentro do olho dentro. Porto Alegre: WS Editor, 2001.
  • MARTINS, Altair. Dicionário amoroso de Porto Alegre. Anajé: Casarão do Verbo, 2013.
  • MARTINS, Altair. Enquanto água. Rio de Janeiro: Record, 2011.
  • MARTINS, Altair. Guerra de urina. Porto Alegre: EdiPucrs, 2018.
  • MARTINS, Altair. Hospital-Bazar. Porto Alegre: EdiPucrs, 2019.
  • MARTINS, Altair. Os donos do inverno. Porto Alegre: Não editora, 2019.
  • MARTINS, Altair. Se choverem pássaros. Porto Alegre: WS editor, 2002.
  • MARTINS, Altair. Terra avulsa. Rio de Janeiro: Record, 2014.
  • MARTINS, Altair. Currículo do sistema currículo Lattes. [Porto Alegre], 31 mar. 2020. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/3793589025778698. Acesso em: 18 maio 2020.
  • MARTINS, Altair. Entrevista a Marcio Renato Santos em “O coletor de sucatas”. Disponível em: http://rascunho.com.br/o-coletor-de-sucatas/. Acesso em: 23 maio 2020.
  • MARTINS, Altair. Site Oficial do Artista. Disponível em: http://www.altairmartins.com.br. Acesso em: 30 maio 2020.
  • PRADO, Wilame. As dez vozes do escuro. O Diário do Norte do Paraná, 21 out. 2009. Disponível em: http://apoltrona.blogspot.com/2009/. Acesso em: 23 maio 2020.
  • SOBOTA, Guilherme. Enquanto Água, Altair Martins. Resenha literária. Disponível em: http://bibliotecavertical.blogspot.com/2012/12/enquanto-agua-altair-martins.html. Acesso em: 23 maio 2020.
  • VERAS, Márcia Regina Da Silva Quintanilha; PIVA, Mairim Linck. Os espaços órfãos em terra avulsa de Altair Martins. Revista Memorare, v. 4, n. 2, p. 22-55, 2017.

Como citar?

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  • ALTAIR Martins. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa539852/altair-martins>. Acesso em: 12 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7