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Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Roberto Pompeu de Toledo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.01.2021
1944 Brasil / São Paulo / São Paulo
Roberto Pompeu de Toledo (São Paulo, São Paulo, 1944). Jornalista e escritor. Escreve periodicamente matérias, crônicas e ensaios sobre política, cultura, história e economia. Seus livros de não ficção se fundamentam em pesquisas históricas e entrevistas, e entre eles se destacam os que retratam a história da cidade de São Paulo. Toledo é autor ...

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Roberto Pompeu de Toledo (São Paulo, São Paulo, 1944). Jornalista e escritor. Escreve periodicamente matérias, crônicas e ensaios sobre política, cultura, história e economia. Seus livros de não ficção se fundamentam em pesquisas históricas e entrevistas, e entre eles se destacam os que retratam a história da cidade de São Paulo. Toledo é autor da primeira entrevista com um presidente brasileiro em exercício a virar livro ainda durante sua gestão: O Presidente Segundo o Sociólogo (1998).

Em 1966, Toledo se forma em jornalismo. Trabalha brevemente na Rádio Bandeirantes e na Rádio Eldorado, mas logo concentra seu trabalho nos periódicos impressos. Escreve para o Jornal da Tarde, depois para a revista Veja. Seus artigos de opinião têm um estilo marcado pela ironia e por uma adjetivação sutilmente avaliativa, empregados para articular constatação e contra-argumentação.

Em 1998, Toledo assina o livro O Presidente Segundo o Sociólogo, em coautoria com o então presidente da República Fernando Henrique Cardoso (1931). O livro é o resultado de nove sessões de entrevistas realizadas no Palácio da Alvorada, e é uma extensão da primeira entrevista do então presidente ao jornalista paulistano, publicada na revista Veja no final de 1997.

Entre os temas abordados no livro estão os presidentes anteriores, a herança da escravidão, a violência e a política de drogas no Brasil. Na entrevista, o ex-presidente defende que os dois “poderes reais” no Brasil são o poder da terra e o poder burocrático, ambos altamente concentrados1.

Um dos principais livros de Toledo é A Capital da Solidão: uma História de São Paulo das Origens a 1900 (2003). Nele, Toledo narra a fase inicial e mais desconhecida da formação da capital paulista com base em dados biográficos e episódios históricos marcantes. A obra não traz descobertas ou fatos novos, mas organiza e oferece o ponto de vista do jornalista para episódios anteriormente documentados. A estrutura do livro é dividida em três partes.

A primeira parte, denominada “Começos”, descreve as motivações e os métodos dos portugueses para atravessar a Serra do Mar e fundar no planalto a Vila de São Paulo de Piratininga. A segunda parte, “Incertezas”, é a mais extensa, e aborda os três séculos que se seguem à fundação da cidade. Nesse período, São Paulo,  isolada das demais regiões e distante do litoral, não manifesta ainda uma vocação ou identidade própria. A terceira e última parte do livro é chamada “Arrancada” e se dedica aos eventos e transformações ocorridos no século XIX. O texto destaca a expansão do plantio e do comércio de café, que renova na cidade expectativas anteriormente frustradas pelo ciclo do ouro. Também trata da chegada da locomotiva a vapor, do bonde puxado por burros e da iluminação a gás, que impulsionam mudanças econômicas, urbanísticas e sociais.

Toledo fala nesse livro das crescentes pressões do abolicionismo, que resultam em uma política subsidiada de imigração, voltada para o trabalho assalariado, e mostra como os trabalhadores, a maioria de origem italiana, substituem o trabalho escravo nas lavouras de café. Um dos personagens de destaque apresentados no livro é Luís Gama (1830-1882), que segundo Toledo não recebe o reconhecimento devido2. Filho de mãe negra e pai português, Gama nasce livre, mas é vendido pelo pai como escravo. Ao conseguir se libertar novamente, torna-se poeta, advogado abolicionista e membro do partido republicano. Além de lutar judicial e politicamente pela abolição da escravatura, Gama compra a liberdade de mais de 500 homens escravizados.

A incursão de Toledo pela ficção se dá em 2006 com o romance Leda, publicado pela editora Objetiva. Nesse livro, um jovem professor de literatura que pretende escrever a biografia de um escritor consagrado refaz os diversos percursos do biografado, numa espécie de obsessão.

Em 2007, Toledo torna-se editor da revista Veja, onde se torna também editor-executivo, editor da seção internacional e correspondente em Paris. É colunista da mesma revista, para a qual também assina matérias especiais.

No livro A Capital de Vertigem (2015), Toledo apresenta os fatores sociais, econômicos e políticos que fizeram a São Paulo provinciana se tornar a maior metrópole da América do Sul. O período abordado vai do início do século XX ao aniversário de quarto centenário da cidade, em 1954.

A palavra “vertigem” do título se refere à velocidade das transformações da capital em diferentes campos. São abordados o processo de industrialização, as forças políticas em disputa e os movimentos artísticos que constituem a identidade paulistana. O livro narra eventos como a Semana de Arte Moderna de 1922 e a epidemia de gripe espanhola, em 1918, e conta com personagens como os escritores Oswald de Andrade (1890-1954) e Mário de Andrade (1893-1945) e o engenheiro Prestes Maia (1896-1965).

O jornalista e ex-presidente do Grupo Abril Roberto Civita (1936-2013) define Roberto Pompeu de Toledo como o “príncipe dos colunistas brasileiros”3. Os livros mencionados acerca da formação histórica da capital paulista, influenciados pelo estilo dos textos jornalísticos críticos, tornam-se marcas da relevância e do reconhecimento do escritor.

 

Notas:

1. CARDOSO, Fernando Henrique; TOLEDO, Roberto Pompeu de. O Presidente segundo o sociólogo: entrevista de Fernando Henrique Cardoso a Roberto Pompeu de Toledo. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 15.

2. TOLEDO, Roberto Pompeu de. Roberto Pompeu de Toledo. Entrevista ao Roda Viva. [S.l.], 2004. Disponível em: https://youtu.be/kObDPhssDO0. Acesso em: 6 jul. 2020.

3. CIVITA, Roberto. “Eu gosto é de fazer revista”. Jornalistas e Cia Online. [S.l.], [s.d.]. Disponível em: http://www.jornalistasecia.com.br/protagonista09.htm. Acesso em: 26 maio 2020.

Fontes de pesquisa 8

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  • ALVES, Juliana Tomé. A plasticidade da voz crítica: os textos de Roberto Pompeu de Toledo na revista Veja. Dissertação (Mestrado em Linguística e Língua Portuguesa) – Unesp Araraquara, Araraquara, 2008. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/handle/11449/93978. Acesso em: 23 jul. 2020.
  • CARDOSO, Fernando Henrique; TOLEDO, Roberto Pompeu de. O Presidente segundo o sociólogo: entrevista de Fernando Henrique Cardoso a Roberto Pompeu de Toledo. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
  • CIVITA, Roberto. Eu gosto é de fazer revista. Jornalistas e Cia Online. [S.l.], [s.d.]. Disponível em: http://www.jornalistasecia.com.br/protagonista09.htm. Acesso em: 26 maio 2020.
  • LAFER, Celso. FHC: o intelectual como político. Novos Estudos Cebrap. São Paulo, n. 83, p. 39-63, mar. 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-33002009000100004&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 23 jul. 2020.
  • TOLEDO, Roberto Pompeu de. Capital da solidão. São Paulo: Editora Objetiva, 2003.
  • TOLEDO, Roberto Pompeu de. Capital da vertigem. São Paulo: Editora Objetiva, 2015.
  • TOLEDO, Roberto Pompeu de. Perfil do jornalista. [S.l.], jun. 2015. Disponível em: https://www.portaldosjornalistas.com.br/jornalista/roberto-pompeu-toledo/. Acesso em: 26 maio 2020.
  • TOLEDO, Roberto Pompeu de. Roberto Pompeu de Toledo. Entrevista ao Roda Viva. [S.l.], 2004. Disponível em: https://youtu.be/kObDPhssDO0. Acesso em: 6 jul. 2020.

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