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Marcelo D2

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 30.08.2021
1967 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Marcelo Maldonado Peixoto (Rio de Janeiro RJ 1967). Compositor, cantor e produtor. Marcelo passa a infância na zona norte do Rio de Janeiro e, pouco depois da separação dos pais, com 13 anos, deixa a escola e passa a trabalhar como entregador de jornais, porteiro, vendedor e camelô. No início dos anos 1990, com 16 anos, muda-se para a casa do pa...

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Biografia

Marcelo Maldonado Peixoto (Rio de Janeiro RJ 1967). Compositor, cantor e produtor. Marcelo passa a infância na zona norte do Rio de Janeiro e, pouco depois da separação dos pais, com 13 anos, deixa a escola e passa a trabalhar como entregador de jornais, porteiro, vendedor e camelô. No início dos anos 1990, com 16 anos, muda-se para a casa do pai no Catete, bairro vizinho ao da Lapa, e entra em contato o punk rock, o hardcore e o rap.

Em 1992, Marcelo conhece Skunk, amigo que o estimula a dedicar-se à música e a formar o Planet Hemp, banda conhecida pela defesa da legalização do consumo de maconha e por fundir uma base instrumental de rock com o canto falado do rap. Inicialmente, Skunk e Marcelo, agora D2, dividem os microfones até que, depois da morte prematura do parceiro, B Negão assume o posto. O sucesso e a exposição pública do discurso polêmico e transgressivo da banda rendem-lhes, em 1997, uma prisão de sete dias sob acusação de apologia ao uso de drogas.

Abalado pela experiência, o grupo se desfaz temporariamente, abrindo caminho para a carreira solo de Marcelo D2. Em 1998 ele lança Eu Tiro É Onda, um disco de rap que, mantendo o tom desafiador que sustenta no Planet Hemp, apresenta os primeiros flertes com o samba. Esse diálogo é aprofundado no disco A Procura da Batida Perfeita, lançado em 2003. No ano seguinte, D2 lança o CD e o DVD Acústico MTV. Participam dessa gravação convidados como o parceiro B Negão e o compositor, cantor e pianista bossa-novista João Donato. Na linha do samba-rap, lança Meu Samba É Assim, em 2006. Dois anos depois chega às lojas A Arte do Barulho, CD que recupera a mistura do rap com o rock.

Após a consolidação de sua carreira solo, Marcelo D2 participa como convidado de gravações de artistas como Arlindo Cruz, João Donato e Leandro Sapucahy.

 

Comentário crítico

O começo da carreira artística de Marcelo D2 se dá no princípio dos anos 1990, quando a cena pop do Brasil é marcada pela fusão de ritmos norte-americanos e brasileiros com ênfase na sonoridade regional dos instrumentos de percussão. Nessa linha de trabalho destacam-se bandas como De Falla, formada em 1987, referência para as bandas que surgem nos anos 1990, como Chico Science e Nação Zumbi (1994), Raimundos (1994) e o Planet Hemp. Esta banda, que Marcelo D2 integra, combina funk-rock com vocal de rap e letras que fazem a defesa aberta da liberdade do uso de maconha bem como crônicas do cotidiano violento das ruas do Rio de Janeiro. Inspirado na cultura hip-hop, o grupo incorpora a forma de cantar e compor dos rappers e as técnicas dos DJs, que utilizam citações de outras músicas por meio de colagem de fragmentos de outras gravações (samples).

Interessado pela combinação de ritmos variados, o Planet Hemp apresenta no primeiro disco, Usuário (1995), o rap Futuro do País sobre uma base de samba. Essa combinação, realizada pela pioneira banda gaúcha De Falla, nas canções Friendz#1 e Friendz#2, de 1992, no disco Kingzobullshitbackinfulleffect92, torna-se uma marca da carreira solo de Marcelo D2. No seu primeiro disco solo, Eu Tiro É Onda, de 1997, traz raps com uma sonoridade pesada, grave e abafada, que tematizam o encontro do rapper com o versador de partido-alto, desenvolvido sobre uma batida eletrônica de funk combinada com samba-jazz do piano e baixo acústico. Em tom de manifesto, Samba de Primeira, criada em parceria com o DJ Nuts, presta homenagem aos partideiros. Esse tom permanece em raps como Mantenha o Respeito II e Batucada, que citam grupos e sambistas como Fundo de Quintal e João Nogueira.

Seu estilo samba-rap atinge a maturidade no segundo álbum, A Procura da Batida Perfeita, de 2003, nome de uma das faixas do CD e uma referência ao rap Looking for the Perfect Beat, de Áfrika Bambaataa, um dos cofundadores do gênero nos Estados Unidos. O disco inclui coros de samba, som de pandeiro, arranjos de metais − trombone, trompete e saxofone − em estilo soul, a batida do violão bossa-nova de Luiz Bonfá, sampleado na faixa-título, e o repertório sonoro do rap, que inclui a manipulação dos discos de vinil pelo DJ (scratchs, loops, back to back), os samples e a batida programada no Music Production Center (MPC) − dispositivo utilizado para a composição de música eletrônica. Em Vai Vendo, D2 posiciona-se como mediador, afirmando que no samba ele representa o rap, homenageando rimadores, partideiros, repentistas e versadores.

A essa altura, a combinação transgressiva da atitude musical punk do "faça-você-mesmo" com a malandragem carioca continua a gerar controvérsia. Afinal, sua proposta, ainda que bem recebida pela crítica interessada pelo diálogo de ritmos e estilos musicais e pela geração dos anos 1990, bate de frente com os defensores das raízes do samba e da atitude autêntica do rap suburbano.

Em 2004 surge o desafio de gravar um show acústico em CD e DVD. Na companhia de diversos convidados, Marcelo D2 interpreta suas canções mais representativas. Pela primeira vez, ele tem de trabalhar sem os toca-discos e MPCs, dividindo o palco com 23 músicos ligados a diferentes tradições: rock, samba, bossa nova e som de concerto. Substituindo integralmente os sons eletrônicos e beats programados por instrumentos acústicos, e os scratchs do DJ pelo beat box (técnica de imitação vocal de percussão e efeitos sonoros), Marcelo D2 leva o conceito de acústico às últimas consequências.

O samba-rap continua dando o tom no disco Meu Samba É Assim, de 2006. A transformação de D2 em fenômeno midiático soa em faixas nas quais afirma não ter abandonado suas raízes suburbanas ou apresenta símbolos dourados e sedutores da riqueza, atitude recorrente dos rappers norte-americanos. Em 2008, é lançado A Arte do Barulho, que, sem deixar o samba de lado, acelera o andamento e reintroduz o som das guitarras, recuperando a sonoridade do rock, presente em seu trabalho do Planet Hemp.

Obras 1

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Fontes de pesquisa 7

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  • ACÚSTICO MTV. Marcelo D2. São Paulo: Sony Music; MTV; Estúdios Mega, 2004. 1 DVD, (61 min.), son., color.
  • B NEGÃO. Um rapper artesão. In: NAVES, Santuza Cambraia; COELHO, Frederico Oliveira; BACAL, Tatiana. A MPB em discussão. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006. [entrevista].
  • COELHO, Frederico Oliveira. Suingue e agitação: apontamentos sobre a música carioca contemporânea. IN: GIUMBELLI, Emerson; VALADÃO, Júlio César; NAVES, Santuza Cambraia (Orgs.). Leituras sobre a música popular: reflexões sobre sonoridades e cultura. Rio de Janeiro: 7Letras, 2008.
  • LEMOS, Antonina. O grupo Planet Hemp lança seu primeiro disco e aquece a questão da descriminalização da maconha. Folha de São Paulo, São Paulo, 20 mar. 1995. Folhateen. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/3/20/folhateen/19.html>. Acesso em: 12 jun. 2010.
  • LEVINSON, Bruno. Vamos fazer barulho!: uma radiografia de Marcelo D2. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007. [entrevista].
  • SANCHES, Pedro Alexandre. Bêbado, D2 afronta caretice da MTV. Folha de São Paulo, São Paulo, 16 de jul. 2004. Ilustrada. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1607200415.htm>. Acesso em: 12 jun. 2010.
  • SANCHES, Pedro Alexandre. Nós temos que samplear Tom Jobim, diz D2. Folha de São Paulo, São Paulo, 3 out. 1998. Ilustrada. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq03109830.htm>. Acesso em: 12 jun. 2010.

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