Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

A Enciclopédia é o projeto mais antigo do Itaú Cultural. Ela nasce como um banco de dados sobre pintura brasileira, em 1987, e vem sendo construída por muitas mãos.

Se você deseja contribuir com sugestões ou tem dúvidas sobre a Enciclopédia, escreva para nós.

Caso tenha alguma dúvida, sugerimos que você dê uma olhada nas nossas Perguntas Frequentes, onde esclarecemos alguns questionamentos sobre nossa plataforma.

Enciclopédia Itaú Cultural

Billy Blanco

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.11.2017
08.05.1924 Brasil / Pará / Belém
08.07.2011 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
William Blanco de Abrunhosa Trindade (Belém, Pará, 1924 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011). Compositor, cantor, instrumentista, arquiteto. Desde a adolescência, dedica-se à música e à poesia e participa de programas de rádio em Belém. Em 1946, em São Paulo, estuda arquitetura na Universidade Presbiteriana Mackenzie (FAU/Mackenzie). Dirige a...

Texto

Abrir módulo

Biografia

William Blanco de Abrunhosa Trindade (Belém, Pará, 1924 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011). Compositor, cantor, instrumentista, arquiteto. Desde a adolescência, dedica-se à música e à poesia e participa de programas de rádio em Belém. Em 1946, em São Paulo, estuda arquitetura na Universidade Presbiteriana Mackenzie (FAU/Mackenzie). Dirige a parte de música popular do show de abertura da Mac-Med, competição entre os alunos da Faculdade de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM/USP). Muda-se para o Rio de Janeiro em 1948, e continua os estudos na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Brasil, diplomando-se em 1950. Dedica-se à música, mas nunca abandona a profissão de arquiteto.

Sua carreira artística inicia nos anos 1950 com o Sexteto Billy Blanco. As primeiras músicas são gravadas pela então namorada Dolores Duran (1930-1959), “Outono”, e por Linda Batista (1919-1988), “Prece de um Sambista”, ambas em 1952. Inezita Barroso (1925-2015) registra “Estatutos da Gafieira”, em 1954. Também em 1954, compõe com Tom Jobim (1927-1994) a música “Tereza da Praia”, sucesso na voz dos cantores Dick Farney (1921-1987) e Lúcio Alves (1927-1993). Billy Blanco e Tom Jobim lançam o disco Sinfonia do Rio de Janeiro (1954), com arranjos de Radamés Gnatalli (1906-1988). Algumas canções desse disco fazem parte da trilha sonora do filme Esse Rio que Eu Amo (1961), do diretor Carlos Hugo Christensen (1914-1999).

Compõe “Samba Triste”, em 1956, em parceria com o violonista Baden Powell (1937-2000). Em 1965, participa do 1o Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior, São Paulo, com a canção “Rio do Meu Amor”, interpretada por Wilson Simonal (1939-2000), que se classifica em 5º lugar. Em 1966, no 1o Festival Internacional da Canção da TV Globo, Rio de Janeiro, obtém  4º lugar na classificação geral com o samba “Se a Gente Grande Soubesse”, interpretado pelo filho Billy Blanco Jr., e Quarteto em Cy. Em 1968, na Bienal do Samba da TV Record, São Paulo, classifica em 4o lugar o samba “Canto Chorado” na voz de Jair Rodrigues (1939-2014)

Participa das trilhas sonoras para os filmes Carnaval Atlântida (1952), de José Carlos Burle (1910-1983), e Crônica da Cidade Amada (1965), de Carlos Hugo Christensen.

Compõe a trilha sonora para a peça Chico do Pasmado, do autor Aurimar Rocha (1934-1979), em 1965. Nesse ano, escreve letras em português para canções do musical Noviça Rebelde (The Sound of Music), e para a comédia musical norte-americana do escritor Shepherd Mead (1914-1994), Como Vencer na Vida sem Fazer Força (How to Succeed in Business Without Really Trying). Em 1996, publica pela Editora Record o livro Tirando de Letra e Música.

Em 2002, a gravadora Biscoito Fino lança o CD A Bossa de Billy Blanco, com sucessos como os sambas “Estatutos da Gafieira”, “Pistom de Gafieira”,  “Rio do Meu Amor” e “Samba Triste”.

Análise

Billy Blanco é um dos precursores da bossa nova, juntamente com o compositor Johnny Alf (1929-2010), o cantor e pianista Dick Farney e o compositor João Donato (1934). Suas canções apresentam leveza em comparação às músicas brasileiras do início dos anos 1950 nas quais dominam o pessimismo e as letras melodramáticas. Cria um estilo próprio, descrevendo com sutileza as situações do cotidiano. A carreira como compositor começa nos anos 1950, com gravações de Dick Farney, da cantora Dóris Monteiro (1934) e do grupo vocal Os Cariocas (1946), com o samba-choro “Mocinho Bonito” (1956) e o samba” Não Vou pra Brasília” (1957).

Seu primeiro sucesso é “Os Estatutos da Gafieira”, gravado por Inezita Barroso, em que critica os costumes da época: 

Moço  
Olha o vexame 
O ambiente exige respeito 
Pelos estatutos 
Da nossa gafieira 
Dance a noite inteira 
Mas dance direito.

Com Tom Jobim compõe “Tereza da Praia”, canção encomendada por Dick Farney para cantar em dupla com Lúcio Alves com o objetivo de mostrar ao público o bom relacionamento com ele. Na época, os dois intérpretes dividem seus admiradores de forma semelhante ao que acontece com as cantoras Marlene (1922-2014) e Emilinha Borba (1923-2005) durante os programas da Rádio Nacional. “Tereza da Praia” é um samba canção com letra bem humorada, um diálogo que conta a disputa de uma garota por dois rapazes: 

– Oh, Dick?
– Fala, Lúcio
– Arranjei novo amor no Leblon
– Não diga!
– Que corpo bonito, que pele morena
[...]

– Oh, Lúcio?
– Fala meu irmão
– Ela tem um nariz levantado?
–Tem
– Os olhos verdinhos?
– É mesmo

A segunda composição da dupla é a “Sinfonia do Rio de Janeiro”, peça sinfônica popular para exaltar as belezas da cidade carioca. A exaltação fala do mar, das montanhas, do sol e do cotidiano. A ideia nasce quando Billy Blanco está em um lotação, indo da Praça Mauá para Ipanema. Ao entrar na Av. Atlântica, a montanha, o sol e o mar de Copacabana abrem-se à sua frente e cria a frase musical já com a letra: Rio de Janeiro, que eu sempre hei de amar / Rio de Janeiro, a montanha, o sol, o mar. 
Compõem no início de 1954 e gravam somente no final desse ano com o nome de “Sinfonia Rio de Janeiro – a montanha, o sol, o mar, suíte popular em tempo de samba”. Além do tema-síntese, A Montanha: 

No alto, bem alto, tão alto  
Pertinho do Sol que ilumina este mar  
Mantendo a seus pés a beleza,  
Sua grande riqueza é a luz do olhar,

escrita para coro e orquestra, apresenta mais 11 temas, interpretados por oito cantores e um grupo vocal. Entre os temas, estão Hino ao Sol, gravação original de Dick Farney:

Eu quero
Morrer num dia de sol
Na plenitude da vida
Tão bela e querida 
Que acaba amanhã
 
e Arpoador, gravação original de Lúcio Alves:
Arpoador 
Meu cantinho de areia 
O cartão de visita da Zona Sul 
Convidando a sereia. 

Os arranjos são do maestro Radamés Gnatalli e além de Dick Farney e Lúcio Alves, estão entre os cantores: Gilberto Milfont (1922), Nora Ney (1922-2003), Elizeth Cardoso (1920-1990), Dóris Monteiro (1934), Jorge Goulart (1926-2012), Emilinha Borba e o grupo vocal Os Cariocas. 

Norival Reis (1924-2001), técnico de som da gravadora Continental, grava a orquestra sinfônica e dez artistas de uma só vez, utilizando apenas um canal. Faz também uma matriz com a orquestra, o que lhe permite colocar outras vozes no mesmo arranjo, pois com o tempo a primeira gravação perde qualidade. O disco não é sucesso de vendas, mas possibilita que os autores fiquem conhecidos, ao lado de Ary Barroso (1903-1964), Dorival Caymmi (1914-2008), Ataulfo Alves (1909-1969) e Antônio Maria (1921-1964) .
Outra canção com Tom Jobim é “Esperança Perdida” (1955): 

Quanta esperança perdida  
Mas felizmente é assim  
O tempo passa  
Com ele a vida 
E a vida um dia tem fim.

Escreve “Sinfonia Paulistana – Retrato de uma Cidade” (1974), espécie de memória musical da cidade de São Paulo. Compõe 15 temas e conta com a participação de vários cantores, entre eles: Pery Ribeiro  (1937-2012), Claudia (1948) e Elza Soares (1937). A produção é de Aloysio de Oliveira (1914-1995) e os arranjos do maestro Chico de Moraes (1937). Os dois temas mais conhecidos são Tema de São Paulo: 

São Paulo que amanhece trabalhando  
São Paulo que não sabe adormecer 
porque durante a noite  
Paulista vai pensando nas coisas  
Que de dia vai fazer

e Amanhecendo:  

Começou um novo dia  
Já volta quem ia, o tempo é de chegar 
De metrô chega primeiro 
Se tempo é dinheiro, melhor vou faturar... Vambora, vambora 
Olha a hora, Vambora, Vambora 
Vambora. 

Compõe também a sinfonia “Guajará – Suíte de Arco-íris” (1993), em homenagem a Belém, sua terra natal. São 14 músicas e um tema que falam sobre a floresta, os bichos, o rio, as frutas, os costumes, as lendas e a infância do compositor. Os arranjos são do pianista Gilson Peranzzetta (1946) e entre os intérpretes estão os cantores: Pery Ribeiro, Leila Pinheiro (1960) e os grupos MPB4 e Quarteto em Cy. Na faixa “O Círio”, ele escreve: 

Minha terra é toda feita de cantiga 
Cada canto de Belém um canto é 
Vento manso, chuva certa 
E a saudade, quando aperta 
Da mangueira, o açaizeiro, o igarapé.

Com o violonista Baden Powell, compõe “Samba Triste”. É possível observar em nas letras a recuperação do cotidiano prosaico, do coloquial, e a utilização de um vocabulário reduzido: 

Samba triste  
A gente faz assim:
Eu aqui  
Você longe de mim, de mim  
Alguém se vai  
Saudade vem 
E fica perto  
Saudade, resto de amor  
De amor que não deu certo. 

Fontes de pesquisa 15

Abrir módulo
  • BILLY Blanco. Site Oficial do Artista. Disponível em: < http://www.musicabrasileira.net/billyblanco/ >. Acesso em: 15 mar. 2010.
  • BLANCO, Billy. In: DICIONÁRIO Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro, s.d. Disponível em: < http://www.dicionariompb.com.br/billy-blanco >. 17 mar. 2010.
  • BLANCO, Billy. Tirando de letra e música. Rio de Janeiro: Record, 1996.
  • CABRAL, Sérgio. Antônio Carlos Jobim: uma biografia. Rio de Janeiro: Lumiar, 1997.
  • CAMPOS, Augusto de. Balanço da bossa e outras bossas. São Paulo: Editora Perspectiva, 1968.
  • CASTRO, Ruy. A onda que se ergueu no mar - Novos mergulhos na bossa nova. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
  • CASTRO, Ruy. Chega de Saudade: a história e as histórias da bossa nova. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
  • JOBIM, Paulo - coordenação. Cancioneiro Jobim - vol. 1. Rio de Janeiro: Jobim Music, 2001.
  • MELLO, Zuza Homem de. A era dos festivais: uma parábola. São Paulo: Editora 34, 2003.
  • MELLO, Zuza Homem de. Eis aqui os bossa nova. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2008.
  • Morre compositor Billy Blanco. Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,morre-compositor-billy-blanco,742375,0.htm Acesso em: 08/07/2011.
  • RIBEIRO, Solano. Prepare seu coração. São Paulo: Geração Editorial, 2003.
  • SANT’ANNA, Afonso Romano de. Música popular e moderna poesia brasileira. Rio de Janeiro: Vozes, 1986.
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras (vol. 2: 1958-1985). São Paulo: Editora 34, 1998. (Coleção Ouvido Musical).
  • TATIT, Luiz. O século da canção. São Paulo: Ateliê Editorial, 2004.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: