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Enciclopédia Itaú Cultural

Ana Gravito Prata

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 31.05.2022
Reprodução fotografica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Barranco, 2008
Ana Gravito Prata
Óleo sobre tela
169,60 cm x 150,30 cm

Ana Gravito Prata (Sete Lagoas, Minas Gerais, 1980). Artista plástica. A partir da pintura, explora diferentes técnicas e materiais, combinando uso de referências históricas e o de ambiguidade latente, que transita entre o humor, a interioridade e o espírito crítico.

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Ana Gravito Prata (Sete Lagoas, Minas Gerais, 1980). Artista plástica. A partir da pintura, explora diferentes técnicas e materiais, combinando uso de referências históricas e o de ambiguidade latente, que transita entre o humor, a interioridade e o espírito crítico.

Completa a graduação em Artes Plásticas pela Universidade de São Paulo (USP) em 2008. Desde o curso universitário, desenvolve o trabalho em pintura, inicialmente utilizando a fotografia como referência. A partir de 2012, passa a explorar diversas maneiras de pintar e abandona a fotografia como modelo, distanciando-se da figuração e se aproximando do objeto. Em suas obras, observa-se recorrência a imaginário amplo e diversificado, circulação intensa de formas e composições, além de experimentações com variedade de tintas, superfícies e materiais. Em seus trabalhos há frequentemente referências ao cubismo, ao concretismo, ao abstracionismo e à pintura infantil e vernacular.

Ao longo dos anos, as telas produzidas pela artista variam entre paisagens, retratos, naturezas-mortas e abstrações. Nas paisagens está em questão a natureza idealizada como escape do tédio da vida ordinária. No início da carreira, essas paisagens são mais realistas e, por volta de 2013, passam a fazer referência à tradição, à memória e à fantasia. Algumas dessas paisagens revelam composições mais sóbrias e diretas, outras mais coloridas e rebuscadas, mas sempre variam conforme as qualidades da pintura: seja ela texturizada, como em Cachoeira (2016), matérica, como em Montanha e lago (2017), ou chapada, como em Montanhas (2015). Por vezes, há experimentações com objetos, como em Paisagem com montanha (2014), onde uma pedra no topo superior do chassi materializa a metáfora do título.

Entre 2016 e 2017, produz um extenso conjunto de retratos, sempre em pequeno formato (37 x 30 cm). Alguns fazem referência a artistas pontuais: a brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973) em Musa e Woman in the Sun; o espanhol Pablo Picasso (1881-1973) em Clever e Fofoca; o suíço-alemão Paul Klee (1879-1940) em Figura cinza e Figura laranja; todas obras de 2016. A partir dos retratos é possível observar uma diversidade de procedimentos técnicos: uma pintura sobre tela feita de linha de barbante, como em Portrait (2017); ou quadros envolvendo adereços diversos, como a máscara em feltro colorido com conchas em Spirit (2016). Integra esse segmento Miss Natural, conjunto de seis telas produzidas entre 2017 e 2018. Nesses retratos de corpos femininos nus inspirados em outros quadros modernistas, destaca-se a sátira da pintura que os permeia.

Entre 2019 e 2020, grande parte da produção da artista é dedicada ao tema da natureza-morta, conformando o maior número de imagens pintadas pela artista. Produzidas de modo quase obsessivo, essas pinturas se afastam da neutralidade característica do gênero, criando um repertório bem-humorado de formas replicadas em diversas composições, como em Oferenda para a rainha do deserto (2019), onde vasos aparecem flutuando no ar. Essas pinturas, que revelam um inventário de itens domésticos, não partem de observações, mas de memórias da artista, repletas de referências à tradições artísticas, como em Hotel Bar (2020) e On the Canga (2020), onde múltiplos pontos de vista revelam a exploração da perspectiva cubista.

Em seu corpo de obras, há também telas puramente abstratas, uma espécie de tributo ao plano na pintura modernista, da forma e das composições não figurativas. A partir dessas telas, a artista experimenta uma evasão da figura e da paisagem e explora a essência da pintura. Há trocadilhos com outros estilos artísticos, como a desconstrução do minimalismo e do monocromo em Amarelo (2013) ou o expressionismo abstrato em Esquerda (2014). Nessas produções é perceptível o interesse da artista pela manipulação do suporte e da materialidade da tela, quando utiliza, por exemplo, tecidos com diferentes texturas como o linho, a juta, o gorgorão, o algodão estampado, o veludo, o jacquard e o feltro, como em Rock (2018), ou Lourdes (2020).

Segundo o curador Ivo Mesquita (1951), o trabalho de Ana Prata impressiona pelo sentido de humor que as pinturas contém, deixando vazar uma cômica estranheza, irônica e melancólica, revelada pela própria pintura por meio de combinações de cores, composições, suportes e apropriações. Para o crítico de arte, "o sentido de humor que faz dela uma 'pintura engraçada', como numa sátira autorreferente, é o fato de que a artista parece estar zombando a pintura! Seriamente"1.

Ana Prata realiza exposições individuais no Brasil e no exterior, e participa de diversas exposições coletivas. Seus trabalhos integram importantes coleções, como a da Pinault Collection (Paris) e da Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina_). Em 2018, é convidada para a 33ª Bienal de São Paulo, Afinidades afetivas (2018), integrando a mostra coletiva curada pela artista Sofia Borges (1984). Intitulada A infinita história das coisas ou o fim da tragédia do um, a exposição se configura como uma tragédia conceitual. Ana participa com um conjunto de dez pinturas, entre elas duas realizadas especialmente para a Bienal: um retrato, Mulher das cavernas (2018), e uma natureza-morta, Vaso (2018), ambas realizadas em grandes proporções (250 x 200 cm).

Ana Prata explora o gênero da pintura a partir de técnicas diversas envolvendo tinta, adereços e tecidos. Desenvolve um estilo próprio, caracterizado pelo humor, e explora um universo íntimo, além de referências críticas ao repertório histórico da arte.

Notas

1. MESQUITA, Ivo. Ana Prata: Pintura. In: PRATA, Ana. Defeitos para o mundo dos sérios. São Paulo: Ubu Editora, 2021, p. 37.

Obras 1

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Reprodução fotografica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Barranco

Óleo sobre tela

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