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Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Wanderléa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.04.2021
05.06.1946 Brasil / Minas Gerais / Governador Valadares
Wanderléa Charlup Boere Salim (Governador Valadares, Minas Gerais, 1946). Cantora, compositora, instrumentista e atriz. Principal figura feminina no movimento da jovem guarda, torna-se intérprete da linha de frente da música popular brasileira (MPB) nos anos 1970. 

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Wanderléa Charlup Boere Salim (Governador Valadares, Minas Gerais, 1946). Cantora, compositora, instrumentista e atriz. Principal figura feminina no movimento da jovem guarda, torna-se intérprete da linha de frente da música popular brasileira (MPB) nos anos 1970. 

Inicia a carreira de cantora ainda criança, ao participar dos principais programas infantis da rádio brasileira, como Clube do Guri, da Rádio Mayrink Veiga, e Vovô Odilon, da Rádio Tupi. Em 1962, Wanderléa grava seu primeiro compacto, pela gravadora Columbia. No ano seguinte é contratada pela CBS e lança Wanderléa, seu primeiro LP. Aproxima-se do cantor Roberto Carlos (1941), artista da mesma gravadora, e o encontro torna-se definidor para a carreira de ambos. 

Em 1965, Wanderléa torna-se apresentadora do programa da TV Record Jovem Guarda, ao lado de Roberto e de Erasmo Carlos (1941). Reproduz o rock americano e o inglês em sua temática, sobretudo juvenis, como o primeiro amor e as aventuras adolescentes. O apelo ao público juvenil faz com que Jovem Guarda se torne um movimento cultural e musical brasileiro de larga abrangência. Wanderléa transforma-se na principal intérprete das canções de Roberto e Erasmo, compromisso que mantém ao longo de toda a sua carreira. Apelidada de “Ternurinha” e elevada a símbolo sexual da juventude, com o fim do programa, a cantora se aproxima da intelectualidade da nova música popular brasileira e desenvolve novas possibilidades enquanto intérprete, tanto em estúdio como nos palcos.

Lança pela gravadora Polydor o LP Maravilhosa (1972), que traz canções de compositores como Gilberto Gil (1942), Jorge Mautner (1941) e Roberto Menescal (1937). Bem recebido pela crítica e pelo público, a cantora é aclamada pela imprensa como “nova rainha do pop”, por conseguir aproveitar o canto doce e despretensioso, desenvolvido durante sua adolescência jovem-guardista, sem descaracterizá-lo. Imprimindo uma inédita potência ao controle técnico, então aperfeiçoado, Wanderléa é anunciada como “uma nova artista, elétrica, vibrante e sobretudo atualizada”1

Para o Carnaval de 1973, grava o frevo “Sem atrapalhar”, do compositor Caetano Veloso (1942), e inicia temporada em janeiro no teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro. Com o sucesso do espetáculo, a cantora vai duas vezes aos Estados Unidos.  

Em 1975 lança o disco Feito Gente, gravado ao vivo. Sob direção musical da cantora Rosinha de Valença (1941-2004) e direção geral de Arthur Laranjeiras (1944-1998), o álbum é o resultado do amadurecimento da cantora no palco. O LP traz canções de artistas como Luiz Melodia (1951-2017), Sueli Costa (1943) e Gonzaguinha (1945-1991). Ao final do ano, Wanderléa retorna aos Estados Unidos para aulas de música e inglês.

De volta ao Brasil, Wanderléa lança Vamos que Eu Já Vou (1977), com produção executiva, arranjos e orquestrações do compositor Egberto Gismonti (1947). A concepção do disco surge das influências de musicistas norte-americanos ligados ao jazz, que tanto Gismonti quanto Wanderléa conhecem em suas turnês paralelas nos Estados Unidos. O LP conta com a canção de abertura “A Terceira Força”, de autoria de Erasmo e Roberto Carlos, e composições de Rosinha de Valença e do próprio Gismonti2

Em 1978, a cantora lança Mais que a Paixão, seu décimo álbum, dotado de repertório ainda mais abrangente que o do projeto anterior. Além de Gismonti, Erasmo e Roberto, Wanderléa grava canções de artistas como Djavan (1949), Moraes Moreira (1947-2020) e da cantora estreante Fátima Guedes (1958). Em fevereiro de 1979, excursiona pela primeira vez pela Europa.

O ano de 1981 é marcado pelo retorno da cantora à CBS, sua gravadora dos tempos da jovem guarda, com o lançamento de mais um LP homônimo, com produção de Roberto Carlos. Com a finalidade de reencontrar o grande público da jovem guarda, Wanderléa apresenta novas nuances aos antigos sucessos, adquiridas pela experiência vocal alcançada nos últimos dez anos.

Desde então, revisita com frequência o repertório musical da jovem guarda em discos e apresentações, e assume sua representatividade enquanto ícone do rock-and-roll brasileiro. Esporadicamente, Wanderléa apresenta projetos que demarcam seu lugar de destaque enquanto intérprete da MPB, como o disco Vida de Artista (2016), dedicado à obra da cantora e compositora Sueli Costa.

A carreira de Wanderléa é marcada por suas intensas produções e colaborações com artistas da jovem guarda e da MPB. A cantora mantém essa interconexão ao longo de sua trajetória, o que a torna um sucesso musical no Brasil e no exterior.

 

Notas

1. Cf.: A NOVA rainha do pop: Wanderléa. O Fluminense, Rio de Janeiro, 1 dez. 1972, p. 5.

2. Cf.: TERNURINHA ressurgiu das cinzas e vem a vapor. O Fluminense, Rio de Janeiro, 17 jul. 1977, p. 2.

Fontes de pesquisa 3

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  • A NOVA rainha do pop: Wanderléa. O Fluminense, Rio de Janeiro, 1 dez. 1972, p. 5.
  • BAHIANA, Ana Maria. Chuva de estrelas. Opinião, Rio de Janeiro, 21 nov. 1975, p. 22.
  • TERNURINHA ressurgiu das cinzas e vem a vapor. O Fluminense, Rio de Janeiro, 17 jul. 1977, p. 2.

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