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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Gustavo Torrezan

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 24.11.2022
1984 Brasil / São Paulo / Piracicaba
Gustavo Henrique Torrezan (Piracicaba, São Paulo, 1984). Artista visual, pesquisador, educador. Sua obra explora a ressignificação de objetos, símbolos e laços comunitários, a partir de uma variedade de procedimentos plásticos e dinâmicas de convívio coletivo.

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Gustavo Henrique Torrezan (Piracicaba, São Paulo, 1984). Artista visual, pesquisador, educador. Sua obra explora a ressignificação de objetos, símbolos e laços comunitários, a partir de uma variedade de procedimentos plásticos e dinâmicas de convívio coletivo.

Torrezan cresce em uma família pobre e de origem rural no bairro Paulicéia, periferia de Piracicaba. Trabalha regularmente desde os 14 anos em várias funções, entre office-boy e cobrador. Em 2008, gradua-se em artes plásticas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e, durante o curso, participa de diversos salões e exposições coletivas em cidades do interior de São Paulo.

Desenvolve trabalhos que mobilizam o resgate histórico e imaginário de localidades de sua cidade natal, Piracicaba, como Devir #3 (2009) e Não é, mas está sendo (2010). Nos primeiros projetos, destaca a tensão entre contextos específicos de circulação da arte e situações e ambientes cotidianos, como em [in]site (2008) e Demarche (2007), premiada no 14º Salão de Arte Contemporânea de Campinas (2007). A intervenção urbana Demarche é composta por uma série de inserções de adesivos de vinil em 14 lugares da cidade com a inscrição “Obra selecionada para o Salão de Arte Contemporânea de Campinas”. No espaço em que ocorre o salão, há folhetos e um mapa da cidade sinalizando os pontos que foram adesivados. 

Obtém o título de mestre em 2012, pela Faculdade de Educação da Unicamp, sob orientação do professor Antônio Carlos Amorim (1968), onde defende a dissertação Entre processos de criação e fabulação e…. O projeto é estruturado sobre textos e pensamentos do processo de criação de Devir #3 e de Não é, mas está sendo e [in]site e a partir dos conceitos de coleta e fabulação. Apresentado sem numeração de páginas, possibilita diferentes formas de organização do conteúdo.

Muda-se para São Paulo em 2013, para participar do Programa Independente da Escola São Paulo (Piesp), dirigido pelo curador Adriano Pedrosa (1965), e trabalhar como instrutor de internet e multimídia, no Serviço Social do Comércio (Sesc), na unidade da Consolação, em São Paulo. O trabalho aprofunda seu interesse pela cultura digital. No mesmo ano, com a gestora cultural, pesquisadora e produtora Melina Marson (1974), é curador da exposição Instante: experiência/acontecimento, um panorama sobre a história da arte e tecnologia no país. A mostra foi exibida nas unidades do Sesc em Campinas, Santo André e em Pinheiros, São Paulo. 

Mais tarde, com o surgimento da gerência de artes visuais e tecnologia na administração central do Sesc, é convidado a coordenar a área de internet livre, em 2009. No exercício do cargo, protagoniza a reformulação do programa para tecnologia e artes e propõe mudanças estruturais na organização da equipe, ampliando a compreensão do que pode ser tecnologia a partir da inclusão de práticas artísticas nesse contexto. A partir de 2013, trabalha no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc como pesquisador e coordenador do Programa de Orientação de Projetos em Artes Visuais, direcionado a artistas em início e meio de carreira.

Entre 2013 e 2017, orientado pelo pesquisador e professor Marco do Valle (1954-2018), desenvolve sua tese de doutorado em artes visuais na Unicamp sobre a constituição e manutenção de uma exposição de arte. O formato de apresentação da tese é um jogo aberto. Para ler a tese, é necessário que o leitor arme o tabuleiro, separe as peças correspondentes aos textos e faça um sorteio, para definir a ordem de leitura. 

Inicia, em 2018, projetos dedicados à criação de estruturas de comunicação digital em comunidades, estabelecendo vias alternativas aos veículos de informação em larga escala. Entre eles, Comensalidade (2018) e Rádio livre (2018), com destaque para Rádio Floresta (2019). Organizada com os moradores de Careiro Castanho, região metropolitana de Manaus, Amazonas, a Rádio Floresta opera de forma permanente como um dispositivo de fala e protagonismo dos sujeitos locais. 

Em 2019, participa do ciclo de residência no JA.CA Centro de Arte e Tecnologia, em Belo Horizonte, que o coloca em contato com os alunos da Escola Municipal Benvinda, da cidade mineira de Nova Lima, afetada pelo rompimento da barragem de rejeitos de mineração em Brumadinho. Como resultado, surge a Convenção Mundial dos Países Imaginários (2019), série de encontros do artista com os alunos do terceiro ano do ensino fundamental para formular, juntos, a fábula da mencionada convenção mundial, propiciando uma vivência de arte e cidadania que se vale da imaginação para instrumentalizar os alunos para lidar com a experiência do crime ambiental e social.

Outro interesse constante é o uso de símbolos de poder nacional, em especial as bandeiras. O primeiro trabalho desse conjunto é a instalação Bandeirante (2016), composta por um cavalinho de balanço de madeira e uma haste, também de madeira, na qual está fincada uma camisa da seleção brasileira de futebol. Em torno do brinquedo, urucum moído e em grãos são espalhados em alusão à terra roxa paulista que foi assolada pela colonização. Em parceria com o Quilombo de Mamuna, em Alcântara, Maranhão, realiza Ontem hoje sempre Mamuna (2021), em que uma estrela construída com impressão em três dimensões e LED é lançada no espaço, usando um balão estratosférico, em referência às estrelas da bandeira do Brasil.

O conjunto da obra de Gustavo Torrezan é múltiplo e heterogêneo, assim como a sua trajetória como artista e educador. A multiplicidade de sua poética é costurada por um fazer coletivo, ressaltando aspectos sociopolíticos e históricos de suas parcerias e as possibilidades imaginativas que elas detêm. 

Exposições 10

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