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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Francisco Carlos

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.04.2021
1957 Brasil / Amazonas / Itacoatiara
18.12.2020 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Francisco Antônio Carlos (Itacoatiara, Amazonas, 1957 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020). Diretor teatral, ator e autor. Em suas obras aborda temáticas da cultura brasileira, como figuras mitológicas, povos indígenas e suas tradições, antropofagia, e questões sócio-políticas como a destruição da floresta e da cultura amazônica.

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Francisco Antônio Carlos (Itacoatiara, Amazonas, 1957 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020). Diretor teatral, ator e autor. Em suas obras aborda temáticas da cultura brasileira, como figuras mitológicas, povos indígenas e suas tradições, antropofagia, e questões sócio-políticas como a destruição da floresta e da cultura amazônica.

Filho de comerciantes, começa a fazer teatro em sua cidade natal aos 7 anos. Funda e dirige um grupo de teatro aos 12 anos, mesmo período em que começa a escrever. Em meados da década de 1970 é convidado para o Festival de Teatro de Manaus, onde tem a oportunidade de apresentar um de seus textos. Aos 21 anos, ingressa na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus, na faculdade de letras, mas desiste do curso e começa a estudar filosofia, que também não chega a concluir.

No começo dos anos 1980, muda-se para Belém, no Pará. É um dos fundadores, em 1984, do grupo Trompas de Phalópio, que agita a cena teatral de Belém com peças como O Estranho Caso da Pantera da Serra com o Bandoleiro Durango Brasil e Os Caçadores da Vaca Fosforescente, ambas de sua autoria. Com amplo interesse antropológico, Francisco traz para seus textos características e costumes de diversas etnias amazônicas, como os Munduruku e os Yanomami, e explora suas crenças, ritos, e o xamanismo.

A peça Banana Mecânica (2010) resgata a fala poética, com um discurso que se aproxima de um estado mediúnico e do inconsciente, em que as ideias se fundem em um ritmo frenético. O autor prioriza as referências populares, como as marchas carnavalescas, que se sobrepõem ao erudito e a aspectos de uma cultura ambientada no Rio de Janeiro.

Em 2011, dirige e encena a tetralogia Jaguar Cibernético, de sua autoria, apresentada no Sesc Pompeia, em São Paulo. Pautado pelo passado e o presente, o autor mistura ancestralidade indígena, antropofagia e canibalismo tupinambá com apelo pop e futurista, em contraste com a tradição ocidental. Compõem essa tetralogia as peças: Banquete Tupinambá, que se passa no século XVI, Aborígene em Metrópolis, Xamanismo the Connection e Floresta de Carbono – De Volta ao Paraíso Perdido, sendo esta última sobre o mundo indígena e o do homem branco, a floresta e a cidade.

No espetáculo Relatos Efêmeros da França Antártica (2019), Francisco se baseia nas obras Viagem à Terra do Brasil (1578), do escritor francês Jean de Léry (1536-1613), e Tristes Trópicos (1955), do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Num resgate ao passado colonial, a peça recria a França Antártica1, na então Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e retrata cenas como a selvageria dos colonizadores europeus, a epidemia que estes provocam, e o massacre de centenas de indígenas.

Francisco Antônio Carlos traz para o teatro os costumes e a cultura de povos indígenas do Amazonas e do Brasil, inserindo-os em distintos momentos históricos e sociais e fundindo-os aos hábitos e cultura urbanos dos séculos XX e XXI.

Nota
1. Em 1555, dois navios franceses, liderados por Nicolau Durand de Villegaignon, desembarcam na Baía de Guanabara e tentam implantar ali uma colônia francesa, de onde traficam principalmente pau-brasil. A invasão resulta em disputas políticas e religiosas, em guerras entre indígenas, franceses e portugueses, e termina com a expulsão dos franceses em 1560, que ainda resistem até 1567. Cf. FUNDAÇÃO Biblioteca Nacional. A França no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, [s.d.].

Espetáculos 5

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